Porto Alegre, sábado, 16 de outubro de 2021.
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MANIFESTAÇÃO

- Publicada em 16/10/2021 às 17h16min.

Milhares vão às ruas em Roma para pedir fim de partido de extrema direita

Manifestantes italianos exigiram atos concretos do governo

Manifestantes italianos exigiram atos concretos do governo


ALBERTO PIZZOLI / AFP/DIVULGAÇÃO/JC
Dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Roma neste sábado (16) para pedir ao governo ações contra grupos neofascistas envolvidos nos protestos violentos contra a adoção do passaporte sanitário. Na semana passada, a polícia prendeu 12 pessoas, incluindo líderes do partido de extrema direita Força Nova, após milhares irem às ruas contra o "Passe Verde", agora obrigatório a todos os trabalhadores.
Dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Roma neste sábado (16) para pedir ao governo ações contra grupos neofascistas envolvidos nos protestos violentos contra a adoção do passaporte sanitário. Na semana passada, a polícia prendeu 12 pessoas, incluindo líderes do partido de extrema direita Força Nova, após milhares irem às ruas contra o "Passe Verde", agora obrigatório a todos os trabalhadores.
Na ocasião, 38 agentes de segurança ficaram feridos e alguns grupos romperam barreiras policiais para chegar ao gabinete do premiê Mario Draghi, enquanto outros invadiram a sede do maior sindicato da Itália, a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL). Por isso, muitos dos que participaram dos atos deste sábado levaram bandeiras da CGIL enquanto marchavam até a praça San Giovanni, um lugar associado historicamente à esquerda italiana.
Criado em 1997, o Força Nova é repetidamente acusado de usar violência contra imigrantes e policiais. Ao lado da sigla CasaPound, o partido é a principal organização neofascista em atividade na Itália. No dia seguinte aos episódios de violência da semana passada, a legenda de centro-esquerda Partido Democrático apresentou uma moção no Parlamento pedindo ao governo de Draghi que dê um fim ao Força Nova e a todos os movimentos políticos de inspiração facista.
Além da CGIL, outras organizações, como a Confederação Italiana de Sindicatos e a União Italiana do Trabalho, exigiram que o governo dissolva as facções neofascistas e neonazistas com gritos de "não ao fascismo e à violência, sim ao trabalho, à segurança e aos direitos".
"Pedimos atos concretos, não apenas papo. É hora de o governo demonstrar sua força democrática na aplicação das leis e da Constituição", afirmou Maurizio Landini, secretário-geral da CGIL, durante o ato. "Um país que esquece suas memórias não pode ter um futuro."
Organizadores dos protestos estimam que entre 50 mil e 60 mil pessoas tenham participado das manifestações. E, como costuma acontecer, os líderes das organizações envolvidas afirmam que a cifra foi ainda maior. Para Pierpaolo Bombardieri, chefe da CISL, a presença foi superior a 100 mil. Os episódios violentos da semana passada receberam ampla condenação na Itália, até mesmo de Matteo Salvini e Giorgia Meloni, líderes dos partidos de ultradireita A Liga e Irmãos da Itália, respectivamente.
Neste sábado, no entanto, Salvini publicou no Twitter, citando o escritor Leonardo Sciascia, que "o melhor exemplo de fascista que se pode encontrar hoje é o de alguém que se denomina antifascista e que se dedica exclusivamente a chamar de fascista alguém que não é fascista".
Um dia antes dos atos, nesta sexta (15), entrou em vigor a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 para trabalhadores na Itália, em meio a diversos protestos contrários à medida. A regra anti-Covid, aprovada pelo governo de Draghi, obriga todos os trabalhadores do país a apresentarem o comprovante de vacinação ou um teste negativo para Covid feito em até 48 horas. Quem não tiver o "Passe Verde" será suspenso do emprego, sem direito a pagamento. Se tentar burlar a regra e trabalhar sem o comprovante, a pessoa pode ser multada em até 1,5 mil euros (R$ 9,5 mil).
Em protesto, barricadas foram montadas na entrada de dois dos mais importantes portos do país, em Gênova e Trieste, que registrou os maiores protestos, com cerca de 6 mil manifestantes.
Folhapress
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