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Argentina

- Publicada em 21h37min, 01/03/2021.

Na Argentina, Fernández abre ano legislativo com críticas ao antecessor

Ao lado de Cristina, foi recebido com críticas ao confinamento imposto na província de Formosa

Ao lado de Cristina, foi recebido com críticas ao confinamento imposto na província de Formosa


NATACHA PISARENKO/POOL/AFP/JC
Com um discurso que inflamou a polarização na Argentina, o presidente Alberto Fernández abriu nesta segunda-feira (1º) a tradicional sessão de inauguração do ano legislativo no Congresso. O presidente culpou a gestão anterior, de Mauricio Macri, pela recessão econômica - o país encolheu 10% em 2020 - e pelas dívidas externa e interna, além de fazer ataques à oposição por não estar ajudando na recuperação do país nem no combate à pandemia.
Com um discurso que inflamou a polarização na Argentina, o presidente Alberto Fernández abriu nesta segunda-feira (1º) a tradicional sessão de inauguração do ano legislativo no Congresso. O presidente culpou a gestão anterior, de Mauricio Macri, pela recessão econômica - o país encolheu 10% em 2020 - e pelas dívidas externa e interna, além de fazer ataques à oposição por não estar ajudando na recuperação do país nem no combate à pandemia.
Sobre política externa, fez referência à reunião do Mercosul que celebrará os 30 anos do bloco, no fim de março na Argentina, de modo presencial, e elogiou o que chamou de "recuperação da democracia" na Bolívia.
O Congresso não estava completamente cheio, como ocorre todos os anos. Por causa da crise sanitária, muitos convidados apareciam apenas no telão. Estavam presentes, de modo virtual ou real, todos os ministros, os juízes da Corte Suprema, deputados e senadores. Fernández foi muito aplaudido sempre que criticou a oposição, mas também vaiado e atacado por opositores.
Em sua chegada, ao lado da vice-presidente, Cristina Kirchner, foi recebido com críticas ao confinamento imposto na província de Formosa pelo governador peronista Gildo Insfrán. "Liberdade para Formosa", gritavam.
Cristina, única da linha de comando a entrar sem máscara, teve de ouvir: "Coloque a máscara, respeite a lei", do inflamado deputado Fernando Iglesias. Também houve gritos de guerra por conta do escândalo do desvio de vacinas para ao menos 70 funcionários ou pessoas próximas ao governo. "Foram cometidos erros graves, que se vão ser corrigidos imediatamente", afirmou o presidente, que também defendeu as medidas de quarentena e confinamento - segundo ele, sem elas "o sistema de saúde teria colapsado".
O discurso de Fernández foi bastante laudatório de sua própria gestão da economia e da pandemia. Disse que lançará um plano para a retomada de empregos e pediu consenso em sua aprovação, embora sem especificá-lo. Desde o início da pandemia, mais de 300 mil perderam empregos, e a situação se agrava em um momento em que não serão renovadas as ajudas financeiras às empresas e aos trabalhadores informais, que vinham sendo pagas nos últimos meses.
Fernández pediu ao Congresso que acelere a aprovação da reforma judicial, já em andamento, que aumentará o número de tribunais e instâncias. A oposição crê que se trata de uma manobra para controlar esse poder e, assim, livrar Cristina dos processos de corrupção que enfrenta.
O presidente também agradeceu ao Congresso pela aprovação da lei do aborto, que foi lançada pelo Executivo. "Cumpri minha palavra", disse, referindo-se à defesa que fez da legislação desde a época da campanha eleitoral.
Sobre a retomada comercial, afirmou que "está sendo mais veloz do que imaginávamos, a construção cresceu e também o comércio. Esperamos recuperar os empregos perdidos". Fernández lamentou ainda o atraso na vacinação contra o coronavírus no país, que atribuiu a problemas no envio de doses contratadas com o laboratório russo Gamaleya.
Sobre a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de mais de US$ 44 bilhões, culpou Macri por haver pedido o crédito. Mas afirmou que a renegociação do pagamento vai bem. "Não temos pressa para negociar, o diálogo está sendo construtivo e não há mais espaço para impor ajustes à população", afirmou. O acordo terá de passar pelo Congresso depois de fechado.
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