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relações internacionais

- Publicada em 10h09min, 05/02/2021. Atualizada em 10h21min, 05/02/2021.

Coreana retira candidatura e destrava escolha de nova líder da OMC

Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala deve se tornar a primeira mulher a comandar a organização

Nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala deve se tornar a primeira mulher a comandar a organização


FABRICE COFFRINI/AFP/JC
A ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee, retirou sua candidatura à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), abrindo caminho para a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala e para a solução de pelo menos um dos entraves impostos à entidade pela gestão do ex-presidente dos EUA Donald Trump.
A ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee, retirou sua candidatura à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), abrindo caminho para a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala e para a solução de pelo menos um dos entraves impostos à entidade pela gestão do ex-presidente dos EUA Donald Trump.
Após meses de processo sucessório entre oito candidatos, Yoo e Okonjo-Iweala chegaram em outubro à fase final da disputa, que é normalmente decidida por unanimidade entre os 164 membros. Os EUA, no entanto, se recusaram a retirar seu apoio a Yoo no final do ano passado, travando a escolha.
A OMC está sem diretor-geral titular desde julho, quando o brasileiro Roberto Azevêdo deixou o cargo, um ano antes do final de seu mandato.
No comunicado em que anunciou a retirada da candidatura, Yoo disse que a decisão veio após "consulta com os principais países, como os Estados Unidos", segundo a mídia sul-coreana. O novo presidente americano, Joe Biden, já havia prometido fortalecer organizações multilaterais e reverter políticas de seu antecessor e, após sua posse, os EUA apoiaram uma declaração pedindo "a rápida nomeação de um novo diretor-geral da OMC" e a confirmação do evento mais importante da entidade, a 12ª Conferência Ministerial.
Uma reunião ordinária do conselho geral da OMC está marcada para os dias 1º e 2 de março, mas a escolha do diretor-geral vai depender da confirmação, pelo Senado americano, do novo representante de Comércio dos EUA - a indicada por Biden é a conselheira comercial Katherine Tai.
O mesmo motivo -falta de representantes da nova gestão- levou os EUA a manterem, em 25 de janeiro, outra barreira imposta pela gestão Trump à OMC: o bloqueio de seu principal instrumento de solução de disputas, o Órgão de Apelação.
Ao se recusar a apoiar a candidata nigeriana, a gestão Trump argumentou que ela não tinha experiência em comércio exterior. Okonjo-Iewala de fato não ocupou cargos específicos nessa área, mas especialistas no tema dizem que ela demonstrou conhecimento profundo sobre comércio durante o processo de seleção.
Às críticas de inexperiência, a nigeriana respondeu que comércio está na base dos altos cargos de finanças e desenvolvimento que ela ocupou, e que o que mais faz falta no momento à OMC é um diretor-geral com forte habilidade de negociação.
Okonjo-Iweala tem agora mais chances do que nunca de se tornar a diretora-geral da OMC -a primeira mulher e a primeira africana- mas a entidade continuará sob pressão dos Estados Unidos, que contestam suas regras e decisões já desde a gestão de Barack Obama.
Entre as principais críticas estão a atitude da OMC em relação à China, que se beneficiou do sistema de comércio internacional para catapultar suas exportações, sem que a entidade conseguisse frear os subsídios do Estado chinês às empresas do país.
Analistas que defendem ampla reforma da OMC dizem que seu sistema de regulação, criado para lidar com economias de mercado ocidentais, não tem ferramentas para conter o sistema chinês, que fecha o mercado a estrangeiros, força investidores a tranferir tecnologia e subsidia exportações.
Folhapress
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