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Estados Unidos

- Publicada em 20h51min, 07/01/2021.

Retirada de Trump é debatida em Washington

Após invasão do Capitólio por manifestantes pró-Trump, sessão foi retomada; vice-presidente Mike Pence comandou reunião e validou eleição

Após invasão do Capitólio por manifestantes pró-Trump, sessão foi retomada; vice-presidente Mike Pence comandou reunião e validou eleição


/Erin Scott/POOL/AFP/JC
A invasão do Congresso norte-americano, que ocasionou cenas de vergonha para a democracia dos Estados Unidos nesta quarta-feira, geraram impactos que ainda estão sendo computados. Além de quatro mortes registradas, da suspensão da sessão que iria certificar a vitória do democrata Joe Biden como novo presidente do país, do vandalismo no prédio, gabinetes e plenário, o acontecimento histórico também pode custar o cargo do atual presidente Donald Trump.
A invasão do Congresso norte-americano, que ocasionou cenas de vergonha para a democracia dos Estados Unidos nesta quarta-feira, geraram impactos que ainda estão sendo computados. Além de quatro mortes registradas, da suspensão da sessão que iria certificar a vitória do democrata Joe Biden como novo presidente do país, do vandalismo no prédio, gabinetes e plenário, o acontecimento histórico também pode custar o cargo do atual presidente Donald Trump.
Os rumores que mais crescem no Capitólio, sede do Congresso norte-americano, apontam para a possibilidade de que medidas sejam tomadas pelos parlamentares para que Trump não conclua o seu mandato. Biden tem posse marcada para o dia 20 deste mês.
Duas possibilidades estão sendo cogitadas e tratadas abertamente. A primeira delas seria a invocação da 25ª emenda da constituição norte-americana. O dispositivo constitucional possibilita a retirada do presidente do cargo. Para isso, o vice-presidente, junto com secretários do governo, envia uma carta aos presidentes da Câmara e interino do Senado informando que o presidente do país está incapacitado de governar. Assim, o ele assume o governo. Trump chegou a chamar o seu vice, Mike Pence, de covarde na quarta-feira, por não barrar a sessão que certificou a vitória de Biden.
O líder do partido Democrata no Senado, Charles Schumer, defendeu nesta quinta, a retirada de Trump da presidência do país por impeachment ou pela 25ª emenda. "O que aconteceu ontem (quarta-feira) no Capitólio foi uma insurreição contra os Estados Unidos incitada pelo presidente", disse em comunicado. "Este presidente não deveria mais ocupar o cargo por nem mais um dia", afirmou. Schumer afirmou que a "maneira mais rápida e efetiva" de tirar Trump do poder seria pela 25ª emenda. "Se o vice-presidente e o Gabinete se recusarem a se levantar, o Congresso deve se reunir para destituir o presidente", disse Schumer.
A 25ª emenda também foi citada pelo deputado Adam Kinzinger, de Illinois. Ele se tornou o principal nome do partido Republicano a defender a retirada de Trump. "Infelizmente, ontem ficou claro que não apenas o presidente abdicou de seu dever de proteger o povo americano e a Casa do Povo. Ele invocou e inflamou paixões que apenas alimentam a insurreição que vimos aqui", disse Kinzinger. "Quando pressionado a se mover e denunciar a violência, ele mal o fez, ao mesmo tempo que se vitimou e parecia dar uma piscadela e um aceno de cabeça para aqueles que o faziam."
A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez também cobrou a destituição do presidente. "Se a 25ª emenda não for acionada ainda hoje (quinta-feira), o Congresso deve se reunir imediatamente para realizar o impeachment e a retirada do cargo", escreveu ela em sua conta no Twitter.
Rascunhos de pedidos de impeachment já circulavam por gabinetes. O sentimento, tanto por parte de congressistas democratas quanto por parte de republicanos não-trumpistas, é de que Donald Trump não teria mais equilíbrio emocional para seguir comandando a nação até o dia 20 e que, se isso ocorrer, há risco real de que o presidente incite novos atos de violência como o visto na quarta-feira.
Liderada pelos democratas, a Câmara aprovou impeachment de Trump no ano passado em processo relacionado à questão da Ucrânia, mas o presidente foi absolvido pelo Senado, liderado por republicanos.
 

Após invasão, Congresso certifica vitória de Biden e confirma posse

Após a invasão do Capitólio por apoiadores do presidente Donald Trump na noite de quarta-feira, o Congresso norte-americano, em sessão conjunta comandada pelo vice-presidente dos EUA e presidente do Senado, Mike Pence, certificou na madrugada desta quinta-feira, pelo horário de Washington, a vitória de Joe Biden e Kamala Harris como presidente e vice-presidente dos EUA.

A decisão valida os 306 votos dados ao democrata e os 232 concedidos ao republicano no Colégio Eleitoral e sacramenta o processo de escolha do líder. Com a confirmação do resultado, não há mais nenhum obstáculo formal no caminho de Biden até a Casa Branca. A data da posse do novo presidente e de sua vice foi confirmada para o dia 20 de janeiro.

A sessão que confirmou o resultado das eleições, contudo, passou longe de ser o ato simbólico que costuma ser. Na noite de quarta-feira, os trabalhos foram suspensos após extremistas pró-Trump invadirem o Capitólio para impedir a validação do resultado eleitoral. Quatro pessoas morreram e 52 foram presas em meio ao caos promovido pelos vândalos. Sem apresentar provas, apoiadores de Trump afirmam que as eleições presidenciais foram fraudadas. O fato foi lamentado por autoridades de diferentes campos ideológicos, que viram no episódio um ataque à democracia.

Cerca de duas horas depois de as autoridades terem conseguido limpar o Capitólio e seus arredores, o presidente da sessão conjunta, o vice-presidente Mike Pence, autorizou a retomada dos trabalhos pelas duas Casas do Congresso.

A nova sessão durou mais de sete horas devido ao debate em ambas as Casas sobre duas objeções ao resultado das eleições na Pensilvânia e no Arizona, ambas apresentadas por aliados de Trump. Com a rejeição das objeções, a sessão conjunta foi retomada, já na manhã desta quinta-feira, pelo horário do Brasil. Sem nenhuma nova objeção, os parlamentares validaram o resultado apresentado por mais de dez Estados em um curto espaço de tempo, confirmando a vitória da chapa democrata.

Biden diz que Trump incitou multidão a atacar o Capitólio

Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden fez duras críticas nesta quinta-feira à postura do atual presidente do país, Donald Trump. Segundo Biden, o republicano incitou a multidão de partidários a atacar o Capitólio.

"Nosso presidente não está acima da lei", advertiu Biden, durante evento no qual anunciou nomes para o Departamento de Justiça. O democrata qualificou os manifestantes pró-Trump que invadiram na quarta o Congresso como "terroristas domésticos".

Na avaliação dele, o atual líder usou linguagem típica de ditadores e incitou pessoas a tentar "silenciar as vozes dos eleitores americanos". Biden lembrou também que Trump pressionou o vice-presidente, Mike Pence, a não certificar o resultado das urnas.

O presidente eleito ainda disse que a resposta das forças de segurança ao ataque ao Capitólio foi um "fracasso" na busca por justiça, em comparação com a postura diante de protestos do movimento "Black Lives Matter".

Nancy Pelosi pede destituição do presidente por 'ato de sedição'

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, defendeu nesta quinta-feira a destituição de Donald Trump do cargo de presidente do país. Durante uma coletiva de imprensa, a ela disse que o líder da Casa Branca cometeu um "ato de sedição para minar as eleições" ao incentivar manifestantes que invadiram o prédio do Congresso.

"Eu me junto ao líder democrata do Senado, Chuck Schumer, ao pedir ao vice-presidente que remova este presidente invocando imediatamente a 25ª emenda", declarou. De acordo com a democrata, se Mike Pence não agir, o Congresso pode avançar com um impeachment. "Ontem o presidente dos EUA incitou uma insurreição armada contra a América (...) Ele é uma pessoa muito perigosa que não deve continuar no cargo."

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