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Justiça

- Publicada em 14h12min, 27/12/2020. Atualizada em 16h52min, 27/12/2020.

Investigadores franceses vão interrogar Carlos Ghosn no Líbano

Ghosn, que tem nacionalidade libanesa, francesa e brasileira, fugiu do Japão enquanto aguardava julgamento

Ghosn, que tem nacionalidade libanesa, francesa e brasileira, fugiu do Japão enquanto aguardava julgamento


JOSEPH EID/AFP/JC
Uma equipe de investigadores franceses irá a Beirute no próximo mês para participar de um interrogatório ao ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn, informou um funcionário do Ministério da Justiça libanês neste sábado. Ele não indicou uma data específica para o interrogatório ou detalhes sobre quais informações os investigadores gostariam que Ghosn fornecesse.
Uma equipe de investigadores franceses irá a Beirute no próximo mês para participar de um interrogatório ao ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn, informou um funcionário do Ministério da Justiça libanês neste sábado. Ele não indicou uma data específica para o interrogatório ou detalhes sobre quais informações os investigadores gostariam que Ghosn fornecesse.
Ghosn, que tem nacionalidade libanesa, francesa e brasileira, deixou o Japão em uma fuga que ganhou as manchetes da imprensa internacional no último ano, chegando ao Líbano em 30 de dezembro de 2019.
Além do julgamento no Japão, o executivo de 66 anos enfrenta uma série de contestações judiciais na França, incluindo questionamentos por evasão fiscal e suposta lavagem de dinheiro, fraude e uso indevido de ativos da empresa enquanto estava no comando da Renault-Nissan.
O funcionário libanês, que falou sob condição de anonimato, disse que os investigadores franceses estariam trabalhando ao lado de seus colegas libaneses. As autoridades judiciais francesas não responderam aos pedidos de comentários neste sábado. O inquérito francês visa determinar quem é o culpado por uma série de alegadas violações financeiras entre 2009 e 2020.
Depois de comandar a montadora japonesa Nissan por duas décadas, Ghosn foi preso no Japão em novembro de 2018 sob a acusação de quebra de confiança, uso indevido de ativos da empresa para ganhos pessoais e violação de leis de valores mobiliários. Ele negou qualquer irregularidade e fugiu do Japão enquanto estava sob fiança e aguardava julgamento. É improvável que Ghosn seja extraditado do Líbano, onde está desde o ano passado.
Pelo menos duas investigações relacionadas a Ghosn foram abertas na França. Uma delas está focada em transações suspeitas entre a Renault e o distribuidor SBA, de Omã, bem como em pagamentos suspeitos por viagens e eventos privados pagos pela holding da Renault-Nissan, RNBV, com sede na Holanda. Outra investigação centra-se na suspeita de uso indevido de fundos da empresa para uma festa de Ghosn em Versalhes.
Os advogados franceses de Ghosn disseram que os pagamentos à SBA eram "bônus justificados" por ter impulsionado as vendas de carros no Golfo Pérsico e negaram as alegações de que os fundos beneficiaram Ghosn ou sua família pessoalmente.
A Renault afirmou no ano passado que uma auditoria interna com a Nissan encontrou 11 milhões de euros em despesas questionáveis na RNBV, supostamente vinculadas a Ghosn, incluindo viagens aéreas, gastos pessoais e doações a organizações sem fins lucrativos.
Agência Estado
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