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relações internacionais

- Publicada em 14h47min, 26/11/2020. Atualizada em 14h57min, 26/11/2020.

Irã troca prisioneira australiana por três iranianos detidos no exterior

Acusada de espionagem, Kylie Moore-Gilbert cumpria sentença de 10 anos

Acusada de espionagem, Kylie Moore-Gilbert cumpria sentença de 10 anos


FAMILY OF KYLIE MOORE-GILBERT via AUSTRALIA'S DEPARTMENT OF FOREIGN AFFAIRS/AFP/JC
O Irã libertou a acadêmica australiana-britânica Kylie Moore-Gilbert, que cumpria 10 anos de prisão por espionagem, em troca de três iranianos detidos no exterior, informou na quarta-feira (25) a televisão pública.
O Irã libertou a acadêmica australiana-britânica Kylie Moore-Gilbert, que cumpria 10 anos de prisão por espionagem, em troca de três iranianos detidos no exterior, informou na quarta-feira (25) a televisão pública.
"Um empresário e (outros) dois cidadãos iranianos detidos no exterior (...) foram libertados em troca da espiã com dupla cidadania que trabalhava" para Israel, informou o site da estação de televisão Iribnews.
O site da emissora estatal não deu detalhes adicionais sobre a troca, mas postou um vídeo no qual dois homens são recebidos com honras por funcionários e algumas imagens de uma mulher com véu, que parece ser Moore-Gilbert, a bordo de um veículo.
Moore-Gilbert cumpria uma sentença de 10 anos, grande parte dela na notória prisão de Evin, no Irã, e fez várias greves de fome em oposição à sua condenação. Ela disse que seu estado mental estava se deteriorando com o confinamento solitário e a detenção prolongada.
A prisão de Moore-Gilbert foi confirmada em setembro de 2019, mas sua família indicou que ela havia sido presa vários meses antes. Ela sempre negou ser uma espiã.
A imprensa iraniana fez muito poucas referências ao seu caso e as poucas informações disponíveis sobre ela vêm de autoridades australianas, sua família e jornais britânicos ou australianos.
Segundo o jornal britânico The Guardian, ela foi presa em setembro de 2018 no aeroporto de Teerã após ter participado de um congresso acadêmico.
Em cartas publicadas em janeiro pelo The Guardian e pelo Times, ela dizia ter rejeitado uma oferta dos iranianos para espionar seus serviços.
Em um dos dez documentos manuscritos escritos em persa rudimentar para as autoridades iranianas, expressava sua "rejeição oficial e definitiva" à oferta de "trabalhar com o serviço de inteligência dos Guardiães da Revolução", o exército ideológico da República Islâmica, de acordo com ambos os jornais.
Ela se sentia "abandonada e esquecida" e mencionava nas cartas escritas entre junho e dezembro de 2019 que levava uma existência precária e carente, sem visitas ou ligações, e com frequentes problemas de saúde.
O Irã tem uma longa história de detenção de cidadãos estrangeiros e de dupla nacionalidade sob acusações falsas de espionagem e de trocá-los por iranianos encarcerados no exterior - especialmente aqueles acusados e ajudar o Irã a violar as sanções.
"O Irã tem usado a tomada de reféns como uma ferramenta de governo por quatro décadas. Os Guardas Revolucionários acreditam que dá resultados", disse Karim Sadjadpour, um membro sênior do programa para o Oriente Médio no Carnegie Endowment for International Peace. "Entre as tragédias do Irã moderno está uma sociedade que é famosa por sua hospitalidade para com os estrangeiros e um regime que os vê como ativos potenciais a serem negociados."
A troca de prisioneiros aconteceu cinco meses depois que o Irã libertou um veterano da Marinha americana, Michael R. White, como parte de uma troca de prisioneiros. (Com agências internacionais)
Agência Estado
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