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bielorrússia

- Publicada em 12h35min, 11/11/2020.

Ditadura condena miss Bielorrússia 2008 a 12 dias de prisão por ir a passeata

Olga Khizhinkova foi detida no domingo em um dos dias de maior repressão nos protestos

Olga Khizhinkova foi detida no domingo em um dos dias de maior repressão nos protestos


VOLGENA/INSTAGRAM/REPRODUÇÃO/JC
A ex-secretária de imprensa do Dínamo de Brest -time de futebol da primeira divisão bielorrussa- e miss Belarus 2008, Olga Khizhinkova, 26, foi condenada nesta quarta (11) a 12 dias de prisão por ter participado de protestos contra o ditador bielorrusso, Aleksandr Lukachenko.
A ex-secretária de imprensa do Dínamo de Brest -time de futebol da primeira divisão bielorrussa- e miss Belarus 2008, Olga Khizhinkova, 26, foi condenada nesta quarta (11) a 12 dias de prisão por ter participado de protestos contra o ditador bielorrusso, Aleksandr Lukachenko.
Ele foi detida no último domingo (8), um dos dias de maior repressão do regime desde que começaram os atos contra fraude nas eleições presidenciais, em 9 de agosto. Mais de mil pessoas foram presas naquele dia, segundo entidades de direitos civis.
Lukachenko, no poder há 26 anos, afirmou que não deixará o cargo. Nos últimos três meses, as tropas de choque já fizeram cerca de 20 mil detenções e ao menos três pessoas foram mortas nos primeiros dias de repressão violenta às manifestações.
Segundo a jornalista bielorrussa Hanna Liubakova, mais de 900 casos criminais já foram abertos pela ditadura contra opositores do regime. Há cerca de 2.000 relatos de tortura, dos quais ao menos 500 foram documentados pela organização de direitos humanos Viazna, embora nenhum caso criminal tenha sido aberto contra policiais.
Khizhinkova foi detida e condenada porque, na Belarus, é proibido participar de atos não autorizados pelo governo. "Em qualquer país civilizado do mundo, se eu fosse a um único protesto, o governo nos veria como minorias cujos direitos estão sendo violados e tentariam resolver os problemas", escreveu ela em 25 de outubro, em foto de outra passeata, publicada em rede social.
"Em Minsk, pelo terceiro mês consecutivo, várias centenas de milhares de pessoas vão às ruas. Mulheres, aposentados, deficientes, atletas, operários e tantos outros manifestam seu desacordo com o regime por meio de marchas pacíficas. Mas o governo continua a nos ignorar", afirma a jornalista. "É por isso que as marchas continuam. Se não nos respeitarmos, é improvável que outras pessoas o façam."
O aumento no número de prisões no último domingo, porém, pode indicar uma inflexão do equilíbrio de forças entre ditadura e opositores, segundo observadores da política bielorrussa.
"Os métodos brutais adotados pelas forças de segurança são acompanhados por medidas legais destinadas a forçar os cidadãos insatisfeitos à obediência", escreve o analista sênior para Belarus do Centro de Estudos Orientais, Kamil Klysinski.
Segundo ele, o regime passou a acusar os manifestantes de crimes sujeitos a até três anos de prisão. "Os bielorrussos são desencorajados de participar nas manifestações não só pelo risco de serem presos e espancados durante os protestos mas também pelo agravamento das consequências jurídicas e ameaças contra os círculos mais rebeldes que estão sendo repetidas por representantes do governo."
Segundo ele, é possível que a escalada de repressão fique ainda mais violenta e reduza fortemente o número de manifestantes ou até sufoque os protestos. Em seu julgamento, Khizhinkova afirmou que os policiais jogaram gás lacrimogêneo dentro do camburão no qual ela e outras mulheres foram trancadas, ainda que ninguém houvesse resistido, de acordo com o site jornalístico Tut.by.
Por já estar na cadeia há 3 dias, ela ficará mais 9. Sua defesa vai apelar da decisão do tribunal. Entre os detidos neste domingo estavam atletas premiados, como o medalhista de prata em decatlo nos Jogos Olímpicos de 2008 e um campeão de kickboxing e boxe tailandês. Ambos foram condenados a dez dias de prisão.
A organização Viazna registra 121 presos políticos até esta segunda, e 9 repórteres estão na cadeia, de acordo com a associação de jornalistas bielorrussos.
Nos últimos três meses, a polícia já fez 320 detenções de repórteres que cobriam protestos e há ao menos 60 casos registrados de violência contra jornalistas. Correspondentes estrangeiros tiveram suas credenciais cassadas e foram expulsos do país.
Folhapress
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