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Bolívia

- Publicada em 19h48min, 08/11/2020.

Arce toma possa na Bolívia com crítica à antecessora e chamado a reconciliação

Eleito em primeiro turno, Arce (d) recebeu a faixa presidencial das mãos de seu vice, David Choquehuanca

Eleito em primeiro turno, Arce (d) recebeu a faixa presidencial das mãos de seu vice, David Choquehuanca


AIZAR RALDES/AFP/JC
Luis Arce, de 57 anos, tomou posse como presidente da Bolívia na manhã deste domingo (8), em La Paz, com um discurso duro e crítico contra a gestão de sua antecessora, Jeanine Áñez - que não compareceu ao evento.
Luis Arce, de 57 anos, tomou posse como presidente da Bolívia na manhã deste domingo (8), em La Paz, com um discurso duro e crítico contra a gestão de sua antecessora, Jeanine Áñez - que não compareceu ao evento.
"Estivemos quase um ano sob esse governo 'de facto', que havia prometido eleições rápidas e democráticas. Não cumpriram o prometido. Lançaram-se a uma guerra interna e sistemática contra o povo. Governaram por meio do medo, disseminaram o racismo e usaram a pandemia para promover um governo ilegal e ilegítimo", disse Arce no começo de seu discurso.
Eleito no dia 18 de outubro em primeiro turno, com mais de 55% dos votos, ele recebeu a faixa presidencial das mãos de seu vice, David Choquehuanca, na Assembleia Legislativa da Bolívia. Arce afirmou que "em um ano se retrocedeu em todas as conquistas que tivemos quando estivemos no governo (referindo-se à gestão de Evo Morales, da qual foi ministro da economia). Não souberam lidar com a crise econômica e com a crise sanitária causada pelo coronavírus", completou.
"Nossa economia está no meio de uma recessão profunda, nosso país passou de liderar o crescimento econômico da região a ter uma das maiores quedas. O governo 'de facto' colocou a culpa toda na pandemia, mas isso não é correto. Há alternativas para reativar a economia e vamos tomá-las nos próximos meses", disse
Criticou, ainda, o fato de a gestão Jeanine ter acumulado dívidas e aumentado a emissão monetária, causando inflação. Arce fez, ainda, um chamado à reconciliação, "depois de quase um ano em que a democracia foi mutilada e em que indígenas e trabalhadores foram chamados de terroristas. Além disso, queimaram nossa 'wiphala' (bandeira que representa alguns povos indígenas), que é como queimar a nós mesmos. Mas não buscaremos vingança, buscaremos reconciliar nossa amada pátria, que é plurinacional".
Compareceram à cerimônia os presidentes da Colômbia (Iván Duque), Argentina (Alberto Fernández), Paraguai (Mario Abdo Benítez), o vice-premiê espanhol, Pablo Iglesias, e o rei Felipe 6º, também da Espanha.
Arce enviou uma mensagem à comunidade internacional, afirmando que a Bolívia "é um país soberano que não aceita a supremacia de nenhuma outra potência, e que espera se relacionar com os demais países da região sem racismo, sem ameaças e sem pressões". Também afirmou que espera que "a relação sul-sul se fortaleça e que não se imponha a vontade do Norte na América do Sul".
Há dois dias, Arce e Choquehuanca estiveram na cidade de Tiwanaku, importante símbolo dos povos originários da Bolívia. Desde o primeiro mandato de Evo Morales, iniciado em 2006, tornou-se tradição no país que, antes da posse oficial, o eleito compareça a um evento simbólico em que os líderes religiosos aimaras o abençoam e entregam o mandato de chefiar os povos indígenas. Ali, realizaram uma oferenda à Pachamama (a mãe-terra).
Ainda neste domingo, Evo viajará de Buenos Aires a Jujuy, no norte da Argentina, e na segunda-feira (9) cruzará a fronteira para voltar à Bolívia. Durante três dias, o ex-presidente passará por várias cidades numa caravana com 800 carros, que tem como destino Chimoré, no departamento de Cochabamba, no dia 11, onde aliados preparam uma festa de recepção.
No sábado (7), em Buenos Aires, o ex-presidente descartou voltar à política por enquanto e disse que, em seu futuro imediato, pretende se dedicar à agricultura e à missão de "formar jovens e compartilhar sua experiência no poder com outros líderes políticos, na Bolívia e fora dela".
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