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Coronavírus

- Publicada em 21h56min, 12/10/2020.

Deixar o coronavírus circular livremente é antiético, afirma OMS

Carta aberta escrita por cientistas norte-americanos e europeus defende que jovens levem 'vida normal' para aumentar a circulação do vírus

Carta aberta escrita por cientistas norte-americanos e europeus defende que jovens levem 'vida normal' para aumentar a circulação do vírus


LINDSEY PARNABY/AFP/JC
"Deixar que um vírus que não conhecemos bem circule livremente é antiético. Não é uma opção", afirmou nesta segunda-feira (12) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
"Deixar que um vírus que não conhecemos bem circule livremente é antiético. Não é uma opção", afirmou nesta segunda-feira (12) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A declaração foi feita uma semana depois da publicação de uma carta aberta escrita por cientistas norte-americanos e europeus defendendo que os jovens levassem "vida normal" para aumentar a circulação do vírus e acelerar a obtenção da imunidade de rebanho (aquela na qual a porcentagem de pessoas com anticorpos é grande o suficiente para bloquear a transmissão da doença).
"A escolha não pode ser entre deixar o vírus circular ou fazer confinamentos. Há muitas ferramentas já conhecidas e disponíveis para evitar a transmissão da doença", afirmou Ghebreyesus.
Sem citar especificamente os cientistas da chamada Declaração do Grande Barrington, que defende que os idosos e doentes sejam protegidos e os jovens voltem a circular, o diretor da OMS citou várias razões pelas quais discorda dessa estratégia.
A primeira delas é a de que há um número ainda muito grande de pessoas suscetíveis à Covid-19 no mundo. A porcentagem de quem já contraiu o vírus varia muito de local para local, mas na Suécia, por exemplo, um país em que não houve confinamento, ela é de 10,8%, de acordo com os números mais recentes. Em Estocolmo, maior cidade do país, são 16% os que já tiveram contato com o vírus.
Mesmo que a porcentagem cresça, os cientistas ainda não sabem por quanto tempo dura a imunidade, e pode ser que mesmo os que já desenvolveram anticorpos possam adoecer de novo, afirmou o diretor da OMS.
Também não se pode traçar estratégias levando em conta apenas as probabilidades maiores ou menores de que a doença leve à morte, porque já se sabe que a infecção pelo coronavírus pode deixar efeitos de longo prazo - isso vem sendo chamado de Covid-19 longa. "Sabemos que há casos de sequelas no pulmão, no coração e no cérebro que ainda estamos estudando, e por isso precisamos impedir não só mais mortes, mas também mais infecções", afirmou a líder técnica Maria von Kherkove.
Além disso, disse Ghebreyesus, ainda que os mais velhos e doentes crônicos tenham mais risco de morrer, pessoas de todas as idades perderam a vida por causa do coronavírus. "Deixar o vírus circular e mais gente adoecer significa aumentar desnecessariamente o sofrimento e as mortes", disse.
O diretor-executivo da OMS, Michael Ryan, afirmou que o fato de que os números de novos casos no Brasil estarem caindo deve ser comemorado, mas não indicam que a doença esteja vencida no país. "O Brasil é um país muito vasto e diverso, e pode haver locais em que as infecções estejam crescendo, embora na média os números estejam caindo", argumentou.
Ryan atribuiu a melhora da doença no Brasil aos esforços dos profissionais de saúde e das próprias comunidades, e afirmou que os governos devem continuar monitorando de perto os casos para impedir ressurgências. "Uma coisa que aprendemos com o que está acontecendo agora na Europa é que conter a transmissão não impede que ela volte com força", afirmou Ryan.
O diretor afirmou que o número de hospitalizações está crescendo na Europa, e que isso preocupa porque a eficiência dos tratamentos cai quando o número de doentes aumenta, pois cresce o risco de falta de equipamento ou de profissionais, entre outros problemas.
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