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- Publicada em 13h19min, 05/10/2020. Atualizada em 14h48min, 05/10/2020.

Com passeio de carro e artilharia em rede social, Trump tenta demonstrar força após infecção

Carro guiado por agentes do Serviço Secreto americano circulou nos arredores do hospital

Carro guiado por agentes do Serviço Secreto americano circulou nos arredores do hospital


OLIVIER DOULIERY/AFP/JC
Contaminado pelo coronavírus e no centro de uma série de informações confusas e contraditórias sobre seu real estado de saúde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito o que pode para demonstrar força e vender a imagem de que seu empenho para tentar a reeleição em 3 de novembro não esmoreceu.
Contaminado pelo coronavírus e no centro de uma série de informações confusas e contraditórias sobre seu real estado de saúde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito o que pode para demonstrar força e vender a imagem de que seu empenho para tentar a reeleição em 3 de novembro não esmoreceu.
Usuário assíduo das redes sociais, o líder republicano fez quase 20 novas publicações na manhã desta segunda-feira (5), reforçando algumas das principais bandeiras de seu projeto político e estimulando sua base a votar - o voto nos EUA não é obrigatório.
Por meio de frases curtas em letras maiúsculas, Trump falou sobre a defesa da Segunda Emenda (trecho da Constituição americana que garante o acesso às armas), o retorno dos soldados americanos (promessa não cumprida de sua última campanha), liberdade religiosa, Força Espacial, entre outros temas.
Também reiterou seus discursos de "lei e ordem", amplamente utilizado para reprimir as manifestações antirracistas que se espalharam por todo os EUA, e de crítica à imprensa, a quem se referiu como "mídia fake news corrupta".
O presidente também atacou adversários da oposição. "Se você quer um aumento de impostos massivo, o maior da história do nosso país (e que vai fechar nossa economia e reduzir os empregos), vote nos democratas!", escreveu.
Trump se dirigiu diretamente aos eleitores da Virgínia, dizendo que está "trabalhando duro" pelo estado e acusando o governador democrata, Ralph Northam, de tentar "obliterar a Segunda Emenda".
"É melhor vocês votarem no seu presidente favorito, ou dar adeus aos impostos baixos e direito às armas!", escreveu.
O presidente esteve um pouco afastado das redes sociais desde que anunciou o diagnóstico de Covid-19, na última sexta-feira (2), mas, nesse período, publicou mensagem em que disse, por exemplo, que estava "ansioso para terminar a campanha da maneira como ela foi iniciada" e que nunca esqueceria as "demonstrações de amor" que tem recebido de seus apoiadores.
Trump também disse que estava se sentindo "muito bem", a despeito do conjunto de informações nebulosas e desencontradas que cercaram seu quadro clínico durante todo o final de semana.
Horas depois da entrevista coletiva de domingo (5) em que o médico da Casa Branca, Sean Conley, finalmente admitiu que Trump precisou de oxigênio suplementar pouco depois de receber o diagnóstico de Covid-19, o presidente saiu do hospital militar Walter Reed para fazer uma visita surpresa a seus apoiadores reunidos na região.
Entre bandeiras americanas, cartazes expressando apoio e declarações de amor ao líder republicano, o carro blindado guiado por agentes do Serviço Secreto americano circulou pelos arredores do hospital.
No banco de trás, usando uma máscara de proteção, Trump acenou ao seus seguidores e, mais tarde, voltou à suíte presidencial que lhe serve de leito hospitalar.
Pouco antes, agradeceu a seus "fãs e apoiadores" por meio de uma publicação no Twitter. "Eles realmente amam nosso país e estão vendo como estamos fazendo nossa nação mais grandiosa do que nunca", disse o presidente, parafraseando o slogan de sua campanha.
A infecção por coronavírus mergulhou a campanha republicana em incertezas, mas ainda é cedo para afirmar seu impacto nas urnas. Ao mesmo tempo, o que se sabe sobre o tratamento de Trump indica que seu caso pode ser grave, na contramão dos boletins oficiais divulgados pela equipe médica e das declarações de funcionários da Casa Branca.
Questionado sobre o desencontro entre as informações sobre a real condição do líder americano, Conley, o chefe da equipe médica que atende Trump, disse que "estava tentando refletir uma atitude otimista da equipe e do presidente" sobre a evolução da doença.
"Eu não queria dar nenhuma informação que pudesse levar o curso da doença em outra direção e, ao fazê-lo, pareceu que estávamos tentando esconder algo, o que não é necessariamente verdade."
O chefe de gabinete do presidente, Mark Meadows, também contribuiu para a confusão que deixou o mundo sem saber como Trump estava reagindo à Covid-19.
No sábado (3), Meadows contrariou a equipe médica e disse que Trump estava passando por um período "muito preocupante".
Depois da repercussão do caso, Meadows falou novamente com os jornalistas e adotou um tom mais otimista. "Os médicos estão muito satisfeitos com os sinais vitais (de Trump). Eu o encontrei por diversas vezes (para debater) vários assuntos", disse à agência Reuters.
Mais tarde, à Fox News, o chefe de gabinete admitiu que o estado de saúde do presidente era muito pior do que o inicialmente informado por funcionários da Casa Branca, ele incluso.
Nesta segunda (5), à mesma emissora, Meadows disse Casa Branca está bastante otimista com a possibilidade, anunciada na entrevista coletiva do domingo (4), de que Trump retorne a sua residência oficial.
"Falei com o presidente esta manhã", disse Meadows. "Ele continuou a melhorar durante a noite e está pronto para voltar a um horário normal de trabalho." Ele acrescentou que o presidente "se encontrará com seus médicos e enfermeiras esta manhã para fazer novas avaliações de seu progresso".
De acordo com o que foi divulgado pela equipe médica, Trump está sendo submetido a três diferentes tratamentos. O primeiro utiliza o remdesivir, um antiviral criado para combater o ebola e autorizado para uso emergencial em pacientes infectados pelo coronavírus.
Os médicos também deram a Trump o coquetel conhecido como REGN-COV2, uma combinação de cópias sintéticas de anticorpos humanos. O medicamento emula a função do sistema imunológico para combater os vírus e vem sendo estudado para uso em pacientes nos estágios iniciais da Covid-19.
Mais recentemente, o líder americano também começou um tratamento com a dexametasona, esteroide recomendado pela Organização Mundia da Saúde (OMS) apenas para casos graves de Covid-19.
Folhapress
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