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Colômbia

- Publicada em 15h30min, 16/07/2020. Alterada em 15h30min, 16/07/2020.

Grupos armados na Colômbia matam civis para reforçar respeito a regras contra o coronavírus

Há casos em que as medidas adotadas pelos grupos armados são mais restritivas que as oficiais

Há casos em que as medidas adotadas pelos grupos armados são mais restritivas que as oficiais


JOAQUIN SARMIENTO/AFP/JC
Grupos armados na Colômbia cometeram assassinatos e outros abusos contra civis para garantir o cumprimento de suas próprias medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, afirmou a Human Rights Watch (HRW) em um relatório divulgado nesta quarta-feira (15).
Grupos armados na Colômbia cometeram assassinatos e outros abusos contra civis para garantir o cumprimento de suas próprias medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, afirmou a Human Rights Watch (HRW) em um relatório divulgado nesta quarta-feira (15).
De acordo com a ONG, paramilitares impuseram regras para impedir a propagação da Covid-19 em pelo menos 11 dos 32 estados do país. Entre elas estão toques de recolher, "lockdowns", restrições de movimento de pessoas, carros e barcos, limites de dias e horários para abertura de lojas e proibição de acesso de estrangeiros às comunidades. Em pelo menos cinco desses estados, os grupos recorreram à violência para impor respeito às medidas e, em ao menos quatro, houve ameaças nesse sentido.
Em Bolívar, no Norte da Colômbia, os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) divulgaram um panfleto, no início de abril, anunciando que eles eram "forçados a matar pessoas para preservar vidas", uma vez que a população não "respeitava as ordens para conter a Covid-19". O comunicado afirmava ainda que apenas funcionários de lojas de alimentos, padarias e farmácias poderiam trabalhar e que os demais deveriam ficar dentro de suas casas.
Em 26 de abril, três paramilitares mataram três civis e feriram outros quatro no estado de Cauca, no Sudoeste do país. As vítimas foram atacadas em um parque público, de acordo com um promotor e um funcionário da Ouvidoria de Direitos Humanos que investigou o caso - os dois foram ouvidos pela HRW. O promotor disse haver evidências de que os civis foram mortos por não respeitarem as medidas, e que os combatentes alertaram as vítimas de que seriam mortas caso não cumprissem as restrições.
Em 8 de junho, Edison León Pérez, líder comunitário de Putumayo, foi morto por membros da La Mafia, um grupo armado que atua na área, afirmou um promotor que investiga o caso. O motivo do crime parece ter sido uma carta enviada dias antes às autoridades locais, na qual Pérez reclamava que o grupo estava obrigando os moradores a organizar postos de controle para perguntar a quem entrava na região se estava apresentando sintomas da Covid-19. A ONG registrou ainda três incidentes em que membros de grupos armados queimaram motocicletas de pessoas que violaram as restrições de movimento - dois em Cauca e um em Guaviare.
Nesta quinta-feira (16), a Colômbia já havia confirmado mais de 165 mil casos de Covid-19 e mais de 6,1 mil mortes relacionadas ao vírus.
Segundo a HRW, há casos em que as medidas adotadas pelos grupos armados são mais restritivas que as oficiais. O governo colombiano permite que as pessoas saiam de casa durante os toques de recolher para obter tratamento médico ou ir a bancos, por exemplo. Em partes dos estados de Nariño, Arauca, Putumayo e Guaviare, os paramilitares não permitiram que os moradores, inclusive os doentes, deixassem suas casas nesses períodos.
O diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco, alertou que "esse brutal controle social reflete as falhas históricas do Estado em estabelecer uma presença significativa em áreas remotas do país".
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