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Oriente médio

29/06/2020 - 14h11min. Alterada em 29/06 às 16h34min

ONU pede que Israel mude decisão 'ilegal' e 'perigosa' de anexar terras da Cisjordânia

Michelle Bachelet diz que a anexação é ilegal, seja 'de 30% ou 5% da Cisjordânia'

Michelle Bachelet diz que a anexação é ilegal, seja 'de 30% ou 5% da Cisjordânia'


CRISTIAN HERNANDEZ/AFP/JC
Folhapress
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, considera ilegal e perigoso o projeto israelense de anexação da Cisjordânia e destacou que as consequências "durarão décadas".
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, considera ilegal e perigoso o projeto israelense de anexação da Cisjordânia e destacou que as consequências "durarão décadas".
"A anexação é ilegal. Ponto final", disse Bachelet por meio de um comunicado nesta segunda-feira (29). "Qualquer anexação. De 30% ou de 5% da Cisjordânia".
"Peço com insistência a Israel que escute seus próprios ex-funcionários e generais, assim como várias vozes no mundo, como advertência para não seguir por esta via perigosa."
Bachelet disse que as "ondas expansivas da anexação durarão décadas e serão extremamente prejudiciais para Israel, assim como para os palestinos". Segundo ela, ainda há tempo para modificar a decisão.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou Bachelet de preconceito e disse, em resposta, que não surpreende que ela tenha feito suas observações antes de "qualquer decisão ser tomada".
A declaração de Bachelet se soma à oposição internacional que aumentou nas últimas semanas. Líderes palestinos, Nações Unidas, potências europeias e países árabes aliados a Israel são contra qualquer anexação de terras que as forças israelenses capturaram em 1967.
Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou, ao lado do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, seu projeto de resolução para o conflito israelense-palestino, partindo da situação atual e não, como acontecia até então, do direito internacional e das resoluções da ONU.
Esse plano prevê a criação de um Estado palestino em um território restrito e fragmentado, assim como a anexação, por parte de Israel, de várias colônias e do Vale do Jordão, na Cisjordânia ocupada, um território palestino a 50 quilômetros de Gaza.
A proposta -já rejeitada por Autoridade Nacional Palestina (ANP), organizações internacionais e países europeus- pode entrar na pauta do governo a partir de quarta-feira (1°) e, depois, ser levada a votação no Knesset, o Parlamento de Israel.
O projeto, entretanto, já provocou uma série de problemas geopolíticos e ameaça o novo governo de união nacional, formado a duras penas após um ano e três eleições no país.
Nesta segunda, o ex-rival e principal parceiro de coalizão de Netanyahu, Benny Gantz, sinalizou sua oposição aos planos de anexação.
Entretanto, de acordo com um porta-voz do partido de Netanyahu, o premiê israelense disse que as próximas etapas do projeto não dependem do apoio de Gantz.
Gantz, pessoalmente, não é totalmente contrário a algum tipo de extensão de lei israelense à Cisjordânia. Mas defende apenas uma anexação do Vale do Rio Jordão, que considera estratégica, e não um processo mais amplo, ao menos sem a contrapartida imediata da criação de um Estado palestino.
Citado por um assessor a autoridades dos EUA nesta segunda, Gantz afirmou que a data prevista para o início das discussões no governo israelense -1º de julho- "não é sagrada".
O principal argumento para um possível adiamento é a crise causada pelo novo coronavírus em Israel.
"O que não está relacionado ao corona vai esperar até o dia depois do vírus", disse Gantz, que estima um cenário de crise por mais 18 meses.
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