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Saúde

Notícia da edição impressa de 26/06/2020. Alterada em 25/06 às 21h15min

América Latina deve ter 388 mil mortes por Covid-19 até outubro

Colômbia é um dos países que devem sofrer com a pandemia na região

Colômbia é um dos países que devem sofrer com a pandemia na região


JOAQUIN SARMIENTO/AFP/JC
Um estudo do Instituto de Métrica e Avaliação da Saúde (Ihme) estimou que a região da América Latina e do Caribe pode ter 388 mil mortos até 1º de outubro se o ritmo da pandemia do novo coronavírus se mantiver. Brasil e México, as nações mais populosas da região, devem ser responsáveis por dois terços das mortes.
Um estudo do Instituto de Métrica e Avaliação da Saúde (Ihme) estimou que a região da América Latina e do Caribe pode ter 388 mil mortos até 1º de outubro se o ritmo da pandemia do novo coronavírus se mantiver. Brasil e México, as nações mais populosas da região, devem ser responsáveis por dois terços das mortes.
O instituto, ligado à Universidade de Washington, nos Estados Unidos, afirmou que a região é o novo epicentro da pandemia, com rápida aceleração dos casos. Nesta semana, as mortes passaram de 100 mil e os casos triplicaram de 690 mil para dois milhões em apenas 30 dias.
A investigação atribui os números aos altos níveis de pobreza e desigualdade na região, assim como ao grande número de trabalhadores informais. Milhões de habitantes não podem se colocar em quarentena e precisam trabalhar todos os dias para conseguir recursos para manter suas famílias.
Cuidados inadequados e superlotação de metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México e outras grandes capitais também são citados como motivos para a explosão de casos. Nos últimos dias, uma a cada cinco mortes causadas pela pandemia no mundo ocorreu na região.
O estudo identifica ainda que há transmissão generalizada na América Central e na América do Sul. Países como Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala e Peru devem ter mais de 10 mil mortes até outubro, enquanto outras 15 nações, como Paraguai, Uruguai e Belize, devem ter menos de mil mortos.
"Muitos países da América Latina estão enfrentando uma explosão nas trajetórias (das curvas), enquanto outros estão contendo as infecções de maneira efetiva", resumiu o diretor do Ihme, Christopher Murray. Ele salientou que o número de mortes pode ser ainda maior se as medidas de distanciamento forem flexibilizadas e se as pessoas não usarem máscaras corretamente.
"O Brasil está em um ponto sombrio de inflexão. A menos que o governo tome medidas sustentadas para diminuir a transmissão, o país continuará sua trágica trajetória ascendente de infecções e mortes". A transmissão pode ser reduzida pela metade em comunidades onde as pessoas estão usando máscaras ao sair de casa, segundo o Ihme. "Esses fatores são vitais em nossas projeções e destacam quantas vidas podem ser salvas", disse Murray.
Na quarta-feira, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde, Carissa Etienne, disse que a região das Américas deve sofrer surtos recorrentes de Covid-19 pelos próximos dois anos. O argumento é de que ainda não há tratamentos eficazes nem uma vacina disponível. Esse período seria intercalado por épocas de transmissão limitada.
"Agora é o momento de que líderes superem as divisões políticas e as fronteiras geográficas para apoiar uma resposta proporcional a essa crise sem precedentes", pediu. Desde que a pandemia foi declarada, em março, a Opas tem pedido a aceleração e a expansão da capacidade de testes dos países para melhorar a gestão da crise.
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