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Saúde

11/06/2020 - 17h31min. Alterada em 11/06 às 17h31min

Países reabrem economia no pico da pandemia

Região Norte brasileira é a segunda com mais casos de Covid-19 no País

Região Norte brasileira é a segunda com mais casos de Covid-19 no País


TARSO SARRAF/AFP/JC
O Brasil não é o único país que decidiu retomar as atividades econômicas sem ter atingido o pico da pandemia de coronavírus. Outros também optaram pelo fim do isolamento rígido no momento em que o vírus mais avança. Presos entre as catástrofes econômica e sanitária, a determinação de governos de América Latina, África, de estados norte-americanos, além de Rússia e Índia, aumenta o risco de agravamento da crise.
O Brasil não é o único país que decidiu retomar as atividades econômicas sem ter atingido o pico da pandemia de coronavírus. Outros também optaram pelo fim do isolamento rígido no momento em que o vírus mais avança. Presos entre as catástrofes econômica e sanitária, a determinação de governos de América Latina, África, de estados norte-americanos, além de Rússia e Índia, aumenta o risco de agravamento da crise.
Dois meses atrás, quando havia 1 milhão de casos confirmados de coronavírus no mundo, a recomendação era quarentena, muitas vezes com um duro lockdown, e fechamento de estabelecimentos não essenciais. Nesta semana, o número de casos ultrapassou 7 milhões, com 136 mil novas infecções detectadas no domingo (7), recorde em um único dia desde o início da pandemia. A ordem do dia? Reabertura.
Para as autoridades de saúde, este é um momento perigoso. "Não é hora de nenhum país pisar no freio", alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em entrevista no início da semana. "A crise está longe de terminar."
Na quarta-feira (10), no Brasil, a região Nordeste ultrapassou a Sudeste e é a que mais concentra casos,com 35,2% das infecções. O Norte aparece na sequência, com 20,8% do total.
Embora as taxas de infecção nas grandes cidades norte-americanas e na Europa tenham diminuído, o vírus vem se espalhando pelo mundo. O pico global de infecção pode demorar meses a chegar. Na ausência de uma vacina ou tratamento, a única estratégia comprovada ainda é limitar o contato humano.
Mas administrar as incertezas e a impaciência de um lockdown não é tão simples na maioria dos lugares. Em muitos países, os governos temem o impacto do vírus na economia, que limita a vontade política de manter os estabelecimentos fechados ou de decretar uma nova quarentena.
Na terça-feira (9), o principal especialista em doenças infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, descreveu a Covid-19 como seu "pior pesadelo". "Em quatro meses, devastou o mundo inteiro", disse. "E ainda não acabou."
Dos 136 mil novos casos relatados no domingo, 75% se concentraram em apenas dez países, a maioria no continente americano e sul da Ásia - entre eles Índia, Brasil, México e África do Sul. Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), disse que a crise "levou a América Latina ao limite".

Manipulação de números e supressão de informações são estratégias

Índia enfrenta a onda de infecções mais forte da Ásia, com mais de 10 mil novos casos diários e 290 mil contaminados
Índia enfrenta a onda de infecções mais forte da Ásia, com mais de 10 mil novos casos diários e 290 mil contaminados
XAVIER GALIANA/AFP/JC
O coronavírus vem se espalhando rapidamente por países governados por líderes acostumados a suprimir informações para moldar a narrativa política. Na Rússia, o presidente Vladimir Putin suspendeu o lockdown nesta semana, mesmo com o número de infecções detectadas aumentando constantemente.
No México, o governo de Andrés Manuel López Obrador não vem registrando centenas de mortes na Cidade do México e demitiu os funcionários que denunciaram que a capital tem o triplo do número de óbitos do que é divulgado oficialmente.
Tudo indica que Obrador está de mãos atadas. Como a maioria da população depende do setor informal e não tem uma rede de segurança estatal, ele não consegue impor uma quarentena rígida. Agora, no momento em que o país registra recordes diários de mortos, o governo decidiu reabrir estabelecimentos de forma gradual.
A Índia vive um drama parecido. "Haverá proibição total de sair de casa", disse o premiê, Narendra Modi, no dia 24 de março. Logo, o desejo de isolar 1,3 bilhão de habitantes se mostrou ambicioso demais. A maioria da população indiana é pobre, vive em áreas urbanas lotadas, com falta de saneamento e serviços de saúde ruins.
Agora, a Índia enfrenta a onda de infecções mais forte da Ásia, com mais de 10 mil novos casos diários e 290 mil contaminados. Enquanto especialistas alertam para uma escassez iminente de leitos e de médicos, nesta semana, os indianos foram autorizados a jantar fora, fazer compras e orar em templos religiosos.
Na América Latina, os casos de Covid-19 estão aumentando tanto em países que adotaram medidas de isolamento precocemente, como Peru e Bolívia, quanto naqueles que ignoraram as recomendações de saúde pública, como Brasil e Nicarágua. Na quarta-feira, a África ultrapassou a marca de 200 mil infectados - um quarto deles na África do Sul. Mesmo assim, as aulas serão retomadas na semana que vem.
O manual de resposta contra o vírus usado por europeus e norte-americanos parece não funcionar em todos os lugares. Sociedades com economias informais não podem impor lockdowns sem o risco de colapso social. Mas o fenômeno não se restringe aos países mais vulneráveis.
O New York Times informou que, enquanto o país retoma as atividades econômicas, o vírus ainda está se espalhando por 21 estados dos EUA. A situação é pior em Oregon, Texas, Carolina do Norte, Califórnia, Arkansas, Mississippi, Utah e Arizona, que, na quarta-feira, pediu que os hospitais estaduais reativassem os protocolos de emergência.
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