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Oriente Médio

- Publicada em 19h17min, 14/05/2020. Alterada em 11h33min, 16/05/2020.

Combate à Covid-19 expõe diferenças no Oriente Médio

No luxo dos Emirados Árabes, a disseminação do coronavírus está mais controlada

No luxo dos Emirados Árabes, a disseminação do coronavírus está mais controlada


KARIM SAHIB/AFP/JC
Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, os motociclistas que realizam entregas em domicílio ganharam mais trabalho desde o início do toque de recolher e do fechamento do comércio para conter o novo coronavírus. A cidade, moderna e segura, é uma das mais ricas da região. Na Síria, a guerra civil continua e muitos sírios deslocados não têm acesso a condições básicas de saúde, e apenas uma parte do território adotou medidas contra a pandemia. No Oriente Médio, o combate à Covid-19 evidencia a disparidade entre os países.
Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, os motociclistas que realizam entregas em domicílio ganharam mais trabalho desde o início do toque de recolher e do fechamento do comércio para conter o novo coronavírus. A cidade, moderna e segura, é uma das mais ricas da região. Na Síria, a guerra civil continua e muitos sírios deslocados não têm acesso a condições básicas de saúde, e apenas uma parte do território adotou medidas contra a pandemia. No Oriente Médio, o combate à Covid-19 evidencia a disparidade entre os países.
"Há uma tendência de se imaginar o Oriente Médio com aquela visão das monarquias do golfo, ricas em petróleo, mas na verdade há vários países muito pobres, sem condições sanitárias boas, como Jordânia e Síria. Essa doença vem afetando de forma diferente quem tem mais dinheiro e quem tem menos dinheiro", afirma o professor de Relações Internacionais da ESPM-SP Gunther Rudzit.
Em um extremo, as cenas registradas nos Emirados mostram esses trabalhadores em meio ao vazio das grandes avenidas e prédios luxuosos. Desde o começo de abril, o governo realiza uma desinfecção de locais públicos e restringe o acesso da população. Nesta quinta-feira (14), o país tinha 21 mil infectados pela doença e 208 mortos, segundo dados da universidade Johns Hopkins.
Do outro lado, em cidades sírias pessoas relatam que andam por horas até encontrar um hospital funcionando para tratar alguma ferida de guerra. "Continuam ocorrendo confrontos. Apenas 50% das instalações de saúde estão funcionando e há quase 1 milhão de deslocados que continuam fugindo de suas cidades e de seu país", diz Sara Alzawqari, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Oriente Médio. A organização tem distribuído kits de higiene para 750 mil deslocados internos e adota medidas preventivas em hospitais.
Enquanto Israel começa a fazer liberações na quarentena, após considerar que a doença está mais controlada, e nos Emirados alternativas surgem para atender à população composta 80% por estrangeiros, os países em guerra do Oriente Médio têm apenas mais um problema para contabilizar.
No Líbano, os primeiros casos de infectados em campos de refugiados palestinos foram divulgados na semana passada. A primeira paciente, uma palestina, havia fugido da Síria. "Manter a distância social é quase impossível nos campos, porque as tendas são próximas e muito cheias. Para pegar água ou ir ao banheiro, você vai a espaços comunitários", explica Sara. O país tem 886 casos do novo coronavírus, com 26 mortes.
"Em geral, a região tem recursos escassos e, mesmo depois da pandemia, conseguir retomar a dinâmica da economia vai ser muito complicado. Não dá para tratar a região como um todo, mas os países mais pobres sairão mais prejudicados do que os ricos", afirma Rudzit.
Na região, conforme dados desta quinta-feira (14), há 8.040 mortes por coronavírus e 260.097 casos confirmados. "O impacto do sofrimento não é o mesmo nesses países em guerra, apesar de a doença ser a mesma no mundo todo", lamenta Sara.

Fatores religiosos ajudam a conter disseminação em alguns países

Ramadã deste ano ocorre sem orações noturnas nas mesquitas
Ramadã desse ano ocorre sem orações noturnas nas mesquitas
TAUSEEF MUSTAFA/AFP/JC

Além das questões políticas, a religião é fator importante a ser considerado na luta contra a pandemia nessa região. "Em parte, a religião muçulmana ajuda nesse combate com o afastamento que existe pela religião entre homens e mulheres. Se for para países onde algumas práticas são levadas ainda mais a sério, com o uso de burcas e véus, isso também é um fator que ajuda a conter a propagação do vírus", diz Rudzit.

Os líderes religiosos muçulmanos também têm orientado os fiéis sobre as condutas a serem tomadas neste período. E o resultado já aparece com o começo do Ramadã, que, neste ano, ocorre sem grandes reuniões para as refeições da noite, sem orações noturnas nas mesquitas e sem viagens às cidades consideradas sagradas pelo Islã.

A famosa cena da Grande Mesquita de Meca, na Arábia Saudita, lotada não ocorreu desta vez como resultado da proibição da Umrah, a peregrinação a Meca e Medina. Em Jerusalém, onde fica a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local sagrado do Islã, restrições similares para a oração do Ramadã foram anunciadas.

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