Porto Alegre, sexta-feira, 06 de março de 2020.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

AFEGANISTÃO

06/03/2020 - 16h33min. Alterada em 06/03 às 17h55min

Ataque em evento político deixa 32 mortos em Cabul

Uma das medidas do acordo é a retirada de tropas estrangeiras de forma gradual

Uma das medidas do acordo é a retirada de tropas estrangeiras de forma gradual


STR/AFP/JC
Um ataque a tiros contra uma cerimônia em Cabul, capital do Afeganistão, deixou ao menos 32 pessoas mortas nesta sexta-feira (6), menos de uma semana após a assinatura do acordo de paz entre os Estados Unidos e o Talibã, que deveria pôr fim à violência no país.
Um ataque a tiros contra uma cerimônia em Cabul, capital do Afeganistão, deixou ao menos 32 pessoas mortas nesta sexta-feira (6), menos de uma semana após a assinatura do acordo de paz entre os Estados Unidos e o Talibã, que deveria pôr fim à violência no país.
Desde o anúncio do pacto no dia 29 de fevereiro, houve um aumento das tensões entre o grupo – que negou envolvimento no ataque – e o governo afegão, que não participou das negociações e tem se recusado a cooperar.
Conforme o acordo, o Talibã se compromete a parar de fazer ataques, não apoiar grupos terroristas e a negociar com o governo afegão. Em troca, todas as tropas dos EUA e da coalizão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deixarão o país até abril de 2021, ficando o Talibã livre de sanções, caso os termos acertados não sejam cumpridos.
A retirada de tropas será feita de forma gradual ao longo de meses, e o número de militares estrangeiros no Afeganistão será reduzido de cerca de 14 mil para 8,6 mil até julho. No entanto, caso haja o retorno da violência no país, o processo poderá ser revertido.
Ainda, o governo dos EUA prometeu libertar cerca de cinco mil prisioneiros ligados ao Talibã. Em troca, o grupo soltará cerca de mil presos. O governo afegão, porém, se posicionou contra essa medida, e, no domingo (1°), o presidente Ashraf Ghani anunciou que não iria libertar os prisioneiros.
Segundo diplomatas ocidentais, os negociadores norte-americanos enfrentam dificuldades em fazer o governo afegão e o Talibã conversarem. Para tentar melhorar a situação, o presidente norte-americano, Donald Trump, conversou diretamente com um líder do grupo na terça-feira (3).
Apesar disso, e em meio às negociações, os EUA realizaram um bombardeio contra posições do Talibã na quarta-feira (4). O ataque desta sexta, no entanto, foi o primeiro na capital desde a assinatura do acordo de paz.

Nenhum grupo assumiu a autoria pelo ataque

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria da ação e o Talibã divulgou um comunicado negando a sua ligação com o episódio. Além dos mortos, que incluem crianças, segundo o Ministério da Saúde do Afeganistão, cerca de 50 pessoas também ficaram feridas. De acordo com testemunhas, o ataque começou com uma explosão e, depois, homens armados entraram no local onde acontecia uma cerimônia em memória de um líder tribal morto há 25 anos.
O evento contava com a presença de Abdulaah Abdullah, considerado o principal nome da oposição ao presidente Ghani. O líder opositor conseguiu escapar ileso, segundo seus assessores.
Os dois disputaram o segundo turno da última eleição presidencial, em setembro do ano passado. Após os resultados iniciais darem vitória a Ghani -que buscava a reeleição- por uma margem apertada, Abdullah se recusou a aceitar o resultado e montou um governo paralelo.
Só no dia 18 de fevereiro, cinco meses após a realização do pleito, é que a vitória de Ghani foi confirmada oficialmente pela comissão eleitoral, o que fez aumentar o temor de novos confrontos. Apesar da disputa, Ghani lamentou o episódio. Em uma rede social, ele afirmou que a ação "é um crime contra a humanidade e contra a unidade nacional do Afeganistão".
Abdullah, por sua vez, pediu uma investigação independente para determinar quem foi o responsável pela ação.