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Porto Alegre, terça-feira, 04 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

Internacional

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Estados Unidos

04/02/2020 - 15h19min. Alterada em 04/02 às 15h19min

Reação de pré-candidatos democratas agrava desconfiança sobre primárias em Iowa

Iowa tem valor simbólico porque, quem vence no estado geralmente ganha mais recursos

Iowa tem valor simbólico porque, quem vence no estado geralmente ganha mais recursos


NICHOLAS KAMM/AFP/JC
A reação dos principais pré-candidatos democratas sobre o atraso dos resultados em Iowa agravou a desconfiança e o desgaste sobre a disputa interna da legenda e pode beneficiar Donald Trump.
A reação dos principais pré-candidatos democratas sobre o atraso dos resultados em Iowa agravou a desconfiança e o desgaste sobre a disputa interna da legenda e pode beneficiar Donald Trump.
Desde a noite desta segunda-feira (3), quando o Partido Democrata de Iowa frustrou as expectativas e não informou o vencedor no estado, nomes que figuram no pelotão de frente das pesquisas foram a público e embolaram ainda mais a estreia das primárias da oposição, reforçando o terreno das críticas feitas pelo republicano sobre o já bastante questionado processo.
Líder nos levantamentos nacionais, mas prevendo um desempenho pífio em Iowa, o vice-presidente Joe Biden emitiu nota, via assessoria, afirmando que as campanhas merecem explicações sobre os métodos de recontagem de votos. Ele pediu ainda "uma oportunidade para se posicionar antes da divulgação dos resultados finais."
O centrista Pete Buttigieg, por sua vez, tem se comportado como vitorioso desde a noite desta segunda, quando fez um discurso de quase vinte minutos no qual parecia já contar vitória mesmo sem citar nenhum dado oficial.
Ligado à ala mais à esquerda dos democratas, o senador Bernie Sanders, que dividia a liderança nas pesquisas com Biden, também afirmou que pressentia um resultado "muito, muito bom" para sua campanha em Iowa.
Analistas avaliam que, se Sanders não vencer -como projetava a maior parte dos levantamentos-, seus apoiadores vão mais uma vez questionar o processo e afirmar que houve manipulação do establishment partidário para favorecer outro candidato.
Isso já aconteceu em 2016, quando ele indicou que Hillary Clinton fora beneficiada pelo sistema em Iowa, conhecido como caucus, em que a escolha dos candidatos se dá de forma aberta e por meio de aglomeração.
Foi justamente essa reclamação do senador que fez o estado este ano mudar as regras do processo, o que dirigentes do partido afirmam ter complicado ainda mais a contagem de votos.
No sistema do caucus, voluntários fazem a conta dos apoiadores de cada candidato manualmente e, no recinto acompanhado pela reportagem na noite desta segunda, na capital de Iowa, os resultados eram anotados a caneta em uma folha de papel amarelo, em meio a discussões e movimentações muitas vezes confusas dos eleitores.
O principal temor dos democratas é que, depois da falha sem precedentes, a confiabilidade no processo despenque e, sob questionamentos, o vencedor em Iowa não consiga o fôlego habitual após uma vitória no estado.
Apesar de ser pequeno e pouco representativo, com 3 milhões de habitantes, sendo 85,3% deles brancos, Iowa tem valor simbólico porque, quem vence no estado, ganha atenção e, geralmente, mais recursos e mobilização e outras regiões. Desde 2000, quem vence ali é também nomeado o candidato democrata à Casa Branca.
O partido insiste desde a mdrugada desta terça-feira (4) que a demora incomum para o conhecimento do vencedor não fora causado por ataque hacker ou qualquer tipo de invasão no sistema de transmissão de resultados, mas sim devido a "inconsistências no envio dos números" para a central da legenda no estado.
A previsão era de que os resultados fossem divulgados no fim da noite desta segunda, mas agora os democratas afirmam que talvez isso não ocorra nem mesmo nesta terça.
"Embora nosso plano seja divulgar os resultados o mais rápido possível hoje [terça], nosso objetivo final é garantir que a integridade e a precisão do processo continuem sendo mantidas", afirmou Troy Price, presidente do Partido Democrata em Iowa.
Trump, por sua vez, aproveitou para surfar no desgaste de seus adversários. Desde a madrugada de terça, tem publicado nas redes sociais mensagens questionando a credibilidade do processo.
Nesta terça, ele ironizou o "desastre absoluto" das prévias democratas. "Nada funciona, assim como quando eles governaram o país [...] A única pessoa que pode reivindicar uma grande vitória em Iowa esta noite é Trump", escreveu.
O presidente é candidato à reeleição e venceu com facilidade no estado os dois concorrentes que disputavam contra eles as prévias do Partido Republicano.
Trump ganhou de Hillary em 2016 no estado de maioria da população branca -85,3%-e grande parte de sua economia baseada em atividades rurais, nicho forte de seu eleitorado.
Como mostrou a Folha, Iowa luta para manter sua relevância histórica nos processos das primárias do partido, mas as falhas deste ano podem ter maculado o projeto.
Um dos mais importantes senadores do partido no Meio-Oeste americano, Dick Durbin afirmou nesta terça que avalia que o processo de caucus do estado precisa acabar.
Folhapress
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