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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

Internacional

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Argentina

Edição impressa de 05/02/2020. Alterada em 04/02 às 20h51min

Morre juiz argentino à frente de processos contra Cristina Kirchner

Claudio Bonadio conduziu processo que ficou conhecido como 'cadernos da corrupção'

Claudio Bonadio conduziu processo que ficou conhecido como 'cadernos da corrupção'


ALFREDO LUNA/TELAM/AFP/JC
O juiz federal Claudio Bonadio, conhecido por estar à frente de processos que têm a ex-presidente da Argentina e atual vice, Cristina Kirchner, como ré, morreu na manhã desta terça-feira (4), aos 64 anos.
O juiz federal Claudio Bonadio, conhecido por estar à frente de processos que têm a ex-presidente da Argentina e atual vice, Cristina Kirchner, como ré, morreu na manhã desta terça-feira (4), aos 64 anos.
Bonadio tinha um tumor no cérebro e havia se submetido a uma cirurgia no fim do ano passado. Ele estava em sua casa, no bairro de Belgrano, em Buenos Aires, no momento da morte.
O mais importante dos processos que o juiz conduzia era o dos "cadernos da corrupção", escândalo que eclodiu no início de 2018, quando foram descobertos blocos de anotações de um ex-funcionário da gestão kirchnerista (2003-2015) com registros da entrega de dinheiro de empresários ao governo ao longo de vários anos.
Segundo a investigação, esse dinheiro seria destinado a comprar favores junto ao governo. No processo, vários empresários e ex-funcionários kirchneristas foram acusados, como o ex-ministro Julio De Vido, que foi preso.
Bonadio havia pedido a prisão preventiva de Cristina e enviado várias vezes ao Congresso uma colicitação para a retirada de seu foro privilegiado - antes de assumir como vice-presidente, Cristina era senadora. O Parlamento, porém, vetou a solicitação.
Desde que Alberto Fernández assumiu o poder, em dezembro, o novo governo kirchnerista tentava em vão convencer o juiz a renunciar, com a justificativa de que ele estava doente. Bonadio era alvo de duros ataques de Cristina e de seus seguidores. A vice-presidente dizia que ele era um "pistoleiro e um mafioso", e, em sua autobiografia - Sinceramente -, chama-o de sicário.
O juiz também estava envolvido em outras investigações relacionadas ao kirchnerismo, como a que apura suspeitas de enriquecimento ilícito dos filhos da ex-presidente. Um deles, Máximo, também tem foro privilegiado, pois é deputado. A outra, Florencia, está em tratamento em uma clínica em Cuba.
Cristina atacava Bonadio porque, segundo ela, o juiz dificultava as saídas do país para visitar a filha. Florencia tem depressão crônica e realiza tratamento contra uma doença cujos detalhes são pouco conhecidos, ligada ao sistema linfático.
Bonadio também esteve à frente de processo ligado à lavagem de dinheiro por meio dos hotéis dos Kirchner na Patagônia e de denúncia feita pelo promotor Alberto Nisman - morto sob circunstâncias suspeitas em 18 de janeiro de 2015 -, para quem Cristina havia obstruído a Justiça.
Para os kirchneristas, o juiz era o claro exemplo do que chamam de "lawfare", em que a Justiça é usada para fins políticos. Cristina afirma crer que os nove processos contra ela são parte de uma perseguição política, e que Bonadio era um instrumento nesse sistema.
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