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Internacional

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Chile

27/11/2019 - 17h45min. Alterada em 27/11 às 17h45min

Noite de saques e incêndios aumenta tensão social no Chile

O presidente conservador Piñera convocou uma reunião de emergência com diversos ministros

O presidente conservador Piñera convocou uma reunião de emergência com diversos ministros


JOHAN ORDONEZ/AFP/JC
Saques em um hotel e em vários supermercados, além de incêndios em diferentes partes do Chile registrados na madrugada desta quarta-feira (27), aumentaram a tensão na crise social que atinge o país há seis semanas.
Saques em um hotel e em vários supermercados, além de incêndios em diferentes partes do Chile registrados na madrugada desta quarta-feira (27), aumentaram a tensão na crise social que atinge o país há seis semanas.
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Em resposta à noite de protestos, o presidente conservador Sebastián Piñera convocou uma reunião de emergência com diversos ministros na sede do governo, um dia depois de pedir que o Exército volte às ruas para defender a infraestrutura do país.
Segundo o ministro da Defesa, Alberto Espina, os protestos - que começaram em resposta ao aumento da tarifa do metrô há mais de um mês e passaram a abarcar pautas mais amplas, como a reforma constituciona l- estão "alcançando níveis de violência que não eram vistos desde o retorno à democracia", em 1990.
A cidade turística de La Serena, que fica à beira-mar na costa norte do país, registrou um dos episódios mais violentos: o tradicional hotel Costa Real, no qual trabalham 60 funcionários, foi saqueado e em seguida queimado por homens encapuzados. Eles reviraram mesas, danificaram a pintura das paredes e quebraram janelas
Na cidade portuária de San Antonio, na região de Valparaíso, a fúria foi repetida com atos de vandalismo que incluíam o ateamento de fogo às instalações do jornal local El Líder. Em outubro, a sede do diário El Mercúrio, em Valparaíso, já havia sido incendiada.
Ao sul, em Concepción, uma manifestação terminou com incidentes violentos entre homens encapuzados e a polícia.
Já em Santiago, a estação de metrô República -localizada em um distrito universitário no centro- sofreu novamente danos que obrigaram as autoridades a suspender sua operação, acrescentando um novo problema à rede ferroviária metropolitana, que já teve mais de 70 estações danificadas desde o início dos protestos, em 18 de outubro.
Em várias partes do país, os panelaços voltaram com força na noite de terça-feira (27), depois de ser noticiado que o estudante universitário Gustavo Gatica ficou totalmente cego devido às balas disparadas por oficiais há algumas semanas. Mais de 200 pessoas já tiveram a visão danificada nas manifestações.
Após a reunião no Palácio de la Moneda, em Santiago, Piñera advertiu que "a violência está causando danos que podem se tornar irreparáveis para o corpo e a alma da nossa sociedade".
Para o chefe do Senado, Jaime Quintana, de centro-esquerda, o presidente deveria assumir a responsabilidade pela violência. "O governo está longe de ter feito tudo o que poderia e deveria ter feito", afirmou.
Na manhã de quarta, o movimento "No+Tag" -que exige uma queda nos preços das tarifas rodoviárias- retomou as principais vias de acesso de Santiago, causando engarrafamentos.
Pela tarde, um shopping center no bairro de Las Condes recebeu protestos pacíficos, e diversas estações de metrô no distrito financeiro da cidade foram fechadas em função das manifestações.
Até agora, houve 26 mortos e mais de 2.800 feridos em decorrência dos protestos. Nesta quarta (27), o peso chileno atingiu desvalorização recorde em relação ao dólar.
Piñera também desistiu de participar da conferência do clima COP 25, que será realizada de 2 a 13 de dezembro, em Madri. A informação foi confirmada pela ministra do Meio Ambiente, Carolina Schmidt, em um café da manhã com sua par espanhola, Teresa Ribera, informou o jornal La Tercera.
O Chile sediaria a conferência, mas desistiu logo após o começo dos protestos.
Até agora, os esforços de Piñera para conter a violência foram em vão, apesar das promessas de aumentar as pensões, o salário mínimo e os benefícios de saúde, além de convocar um plebiscito para consultar se os chilenos querem uma nova Constituição.
Folhapress
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