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Chile

Edição impressa de 21/11/2019. Alterada em 21/11 às 03h00min

Polícia chilena suspende uso de balas de borracha

Análise mostrou que balas não são feitas apenas de borracha

Análise mostrou que balas não são feitas apenas de borracha


JOHAN ORDONEZ/AFP/JC
Depois de ultrapassarem a casa de duas centenas de manifestantes com lesões oculares graves nos protestos que tomam as ruas do Chile há um mês, a polícia anunciou, na terça-feira, que suspendeu o uso de balas de borracha como ferramenta para desmobilizar os ativistas.
Depois de ultrapassarem a casa de duas centenas de manifestantes com lesões oculares graves nos protestos que tomam as ruas do Chile há um mês, a polícia anunciou, na terça-feira, que suspendeu o uso de balas de borracha como ferramenta para desmobilizar os ativistas.
Um estudo da Universidade do Chile, que analisou munição encontrada com manifestantes feridos, mostrou que as balas não são feitas apenas de borracha, como afirma a polícia. Elas têm 20% de borracha, e o resto é uma mistura de sílica, sulfato de bário e chumbo. Segundo o relatório, o material é tão duro quanto a roda de um skate.
De acordo com o diretor-geral dos Carabineros (como é chamada a polícia local), Mario Rozas, também será feita uma auditoria interna, porque foram constatadas "discrepâncias" em relação à informação divulgada pelo fabricante que vende à polícia.
A nova orientação da corporação, a partir de agora, é tratar as balas de borracha como munição letal, "como uma medida extrema e exclusivamente para legítima defesa quando há perigo iminente de morte".
No domingo, o presidente Sebastián Piñera disse que não haverá impunidade para as forças de segurança que violaram os direitos dos manifestantes durante os protestos, que já deixaram 22 mortos. Também estão sendo investigados pelo menos mil casos de abusos, incluindo tortura e violência sexual, por parte da polícia e das Forças Armadas.
Os protestos no Chile começaram depois de uma alta na tarifa do metrô de Santiago - já revogada - e passaram a incluir pautas mais amplas, como a melhoria no acesso à saúde e à educação, que consomem boa parte da renda dos chilenos.
O sistema previdenciário também é outro ponto nevrálgico, muito criticado pelos baixos vencimentos e pagamentos atrasados. Em pronunciamento após o início dos protestos, Piñera anunciou aumento de 20% nas pensões.
Os atos do último mês registraram a maior manifestação de rua da história do país: no dia 25 de outubro, 1,2 milhão de pessoas se reuniram nos arredores na praça Itália, na capital Santiago.
Em resposta às manifestações, o Chile vai realizar um plebiscito para perguntar à população se o país deve elaborar uma nova Constituição, que substitua a Carta da época da ditadura de Augusto Pinochet atualmente em vigor. A realização da consulta, marcada para abril de 2020, foi aprovada pelo Congresso após governo e oposição chegarem a um acordo, que demandou negociações intensas.
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