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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de novembro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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México

Edição impressa de 07/11/2019. Alterada em 07/11 às 03h00min

Garoto mórmon escondeu irmãos e caminhou 22 quilômetros para pedir ajuda no México

Parentes dos mortos se emocionaram ao ver carro em que família estava incendiado

Parentes dos mortos se emocionaram ao ver carro em que família estava incendiado


STR/AFP/JC
Um dos garotos da família de mórmons vítima de um massacre no México, na segunda-feira, caminhou durante seis horas até conseguir ajuda. O menino de 13 anos, que saiu ileso, andou cerca de 22 quilômetros depois de esconder seis irmãos feridos em arbustos e cobri-los com galhos para se protegerem, de acordo com Kendra Lee Miller, parente da família. Ao chegar à comunidade onde vive, em La Mora, no estado de Sonora, próximo à fronteira com os Estados Unidos, o garoto foi o primeiro a dar notícias do crime.
Um dos garotos da família de mórmons vítima de um massacre no México, na segunda-feira, caminhou durante seis horas até conseguir ajuda. O menino de 13 anos, que saiu ileso, andou cerca de 22 quilômetros depois de esconder seis irmãos feridos em arbustos e cobri-los com galhos para se protegerem, de acordo com Kendra Lee Miller, parente da família. Ao chegar à comunidade onde vive, em La Mora, no estado de Sonora, próximo à fronteira com os Estados Unidos, o garoto foi o primeiro a dar notícias do crime.
Três mulheres e seis crianças da comunidade mórmon norte-americana, instalada no Norte do México há mais de um século, foram assassinados por um grupo de homens armados. Kendra publicou em uma rede social uma descrição do ocorrido e divulgou os nomes dos nove membros da família mortos no ataque. Sete crianças sobreviveram, das quais cinco foram transferidas para um hospital em Tucson, no Arizona - elas têm entre zero e 14 anos. "Por 11 horas, familiares em Sonora, Chihuahua e no Meio-Oeste dos EUA esperaram com medo e horror por qualquer notícia sobre possíveis sobreviventes", escreveu.
"O primeiro veículo foi encontrado cheio de buracos de bala e completamente em chamas. Nita e quatro de seus sete filhos que ela levara na viagem foram queimados. Restaram apenas alguns ossos carbonizados para identificar todos os cinco que estavam dentro do carro", relatou Kendra, que esteve no local junto a outros familiares e pôde ver a violência com que mulheres e crianças foram mortas.
Além das vítimas fatais, entre as seis crianças feridas, duas estão em estado grave, segundo o governo mexicano. Uma das crianças - uma bebê de três meses - foi encontrada com vida no colo de sua mãe, morta no ataque. Julián Lebarón, líder mórmon e ativista, afirma que seus familiares foram mortos por criminosos, mas disse não saber quem está por trás dos ataques.
Evidências indicam que a família foi alvo deliberado do ataque, segundo uma autoridade dos EUA. A ideia é baseada na natureza do atentado, que se desenrolou como uma emboscada e continuou mesmo após mulheres e crianças fugirem dos carros. A autoridade informou, ainda, que a família era conhecida pelos cartéis da região, o que tornava possível que os criminosos soubessem que eles estavam viajando e conhecessem o modelo do carro que usavam.
Um homem suspeito de ter participado do massacre foi preso ainda na terça-feira. A informação foi confirmada pela Agência de Investigações Criminais de Sonora, que comunicou, ainda, que o homem foi detido enquanto mantinha dois reféns em Agua Prieta, próximo ao local onde ocorreu o crime. Foram apreendidos com ele carros, armas e grande quantidade de munições.
De acordo com o governo mexicano, a organização criminosa Los Jaguares opera na região do ataque. Ele é um subgrupo do cartel de Sinaloa, que disputa o controle do território com outros grupos, como La Línea e Jalisco Nueva Generación.
O caso gerou reações no México, que registrou aumento nos casos de violência nas últimas semanas, e amplia a pressão para que o governo de Andrés Manuel López Obrador dê uma resposta mais efetiva na área da segurança. Após o ataque aos mórmons, o governo mexicano enviou militares para a região, e o presidente norte-americano, Donald Trump, que disse querer partir para o confronto, também ofereceu ajuda.
"Este é o momento para que o México, com ajuda dos EUA, declare guerra aos cartéis de droga e os apague da face da Terra. Esperamos apenas uma chamada de seu grande novo presidente", tuitou Trump.
Obrador, no entanto, discordou. "Nisso, não concordamos, mas se respeita os que pensam assim. O pior que pode haver é uma guerra. Guerra é sinônimo de irracionalidade", disse, em entrevista coletiva. O líder mexicano apontou que 75% das armas de alto calibre no México vêm dos EUA e pediu uma cooperação para reduzir esse fluxo de armamentos.
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