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Porto Alegre, sexta-feira, 11 de outubro de 2019.
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Colômbia

Edição impressa de 11/10/2019. Alterada em 11/10 às 03h00min

Ex-presidente da Colômbia será julgado por fraude e suborno

Uribe é suspeito de ter subornado um ex-paramilitar para que ele mudasse um testemunho

Uribe é suspeito de ter subornado um ex-paramilitar para que ele mudasse um testemunho


RAUL ARBOLEDA/AFP/JC
A Corte Suprema da Colômbia decidiu dar prosseguimento às investigações de fraude e suborno contra o ex-presidente Álvaro Uribe, que governou o país entre 2002 e 2010. Uribe é suspeito de ter pressionado testemunhas que poderiam vinculá-lo a paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). O grupo armado de extrema-direita fez parte do conflito armado na Colômbia, entre as décadas de 1990 e 2000, e está envolvido em narcotráfico e violação de direitos humanos.
A Corte Suprema da Colômbia decidiu dar prosseguimento às investigações de fraude e suborno contra o ex-presidente Álvaro Uribe, que governou o país entre 2002 e 2010. Uribe é suspeito de ter pressionado testemunhas que poderiam vinculá-lo a paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). O grupo armado de extrema-direita fez parte do conflito armado na Colômbia, entre as décadas de 1990 e 2000, e está envolvido em narcotráfico e violação de direitos humanos.
Uribe depôs por sete horas, na terça-feira, diante de um juiz em Bogotá. "Defendi minha lealdade à verdade", disse na quarta-feira, em um pequeno ato para seus partidários. O ex-presidente nega as acusações de vínculos com os paramilitares, que passaram a disputar com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e outros grupos menores o controle do narcotráfico no país após o esfacelamento dos cartéis de Medellín e de Cali.
O político é suspeito de ter subornado o ex-paramilitar Juan Guillermo Monsalve para que ele mudasse um testemunho a respeito da colaboração do ex-presidente na fundação das AUC. Foi no governo de Uribe que a milícia foi desmobilizada. Segundo Monsalve, Diego Cardena, um advogado do ex-presidente, o pressionou para que ele alterasse o testemunho.
Analistas consideram o caso um importante teste para o Judiciário colombiano, que, há anos, tem sido criticado por não punir políticos e militares acusados de corrupção. "É crucial que a Justiça trate esse caso com rigor e imparcialidade", disse Adam Isacson, especialista do Washington Office on Latin America (Wola).
O ex-presidente ainda é um dos principais líderes políticos da Colômbia. Em 2016, ele liderou a oposição ao acordo de paz com as Farc, que foi rejeitado em referendo. Dois anos depois, apoiou o atual presidente, Iván Duque, na campanha que o levou ao Palácio de Nariño.
As suspeitas de irregularidades contra o ex-presidente, no entanto, não são novas. Nos anos 1980, depois de ter sido prefeito de Medellín, Uribe foi acusado de conceder licenças de aviação a narcotraficantes quando comandava a agência de aviação civil da Colômbia.
Segundo documentos do Departamento de Estado norte-americano, diplomatas receberam, nos anos 1990, relatos de que Uribe era próximo de narcotraficantes. O ex-presidente, no entanto, rejeita todas as acusações. No governo, ele foi um importante aliado dos EUA na implementação do Plano Colômbia e no combate às Farc. Sob seu comando, os principais líderes da guerrilha foram mortos, como Raúl Reyes, alvo de um ataque na fronteira com o Equador, em 2008.
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