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Equador

- Publicada em 03h24min, 11/10/2019. Atualizada em 03h00min, 11/10/2019.

Indígenas capturam sete policiais no Equador

'Nada de diálogo com um governo assassino', disse o presidente da Conaie, Jaime Vargas

'Nada de diálogo com um governo assassino', disse o presidente da Conaie, Jaime Vargas


RODRIGO BUENDIA/AFP/JC
Grupos indígenas que protestam contra o aumento de até 123% nos combustíveis no Equador capturaram jornalistas e sete policiais - seis homens e uma mulher - em Quito, nesta quinta-feira. Em seguida, os agentes uniformizados foram exibidos pelos manifestantes no pátio da Casa de la Cultura, um centro cultural onde os ativistas estão acampados. As manifestações, que tiveram início em 3 de outubro, já deixaram cinco mortos e ao menos 766 feridos.
Grupos indígenas que protestam contra o aumento de até 123% nos combustíveis no Equador capturaram jornalistas e sete policiais - seis homens e uma mulher - em Quito, nesta quinta-feira. Em seguida, os agentes uniformizados foram exibidos pelos manifestantes no pátio da Casa de la Cultura, um centro cultural onde os ativistas estão acampados. As manifestações, que tiveram início em 3 de outubro, já deixaram cinco mortos e ao menos 766 feridos.
A apreensão dos policiais aconteceu após o local ser invadido pela polícia na madrugada desta quinta-feira. Os agentes desrespeitaram um acordo entre os manifestantes e o governo que estipulava a Casa de la Cultura como uma "zona de paz", ou seja, um local de repouso dos ativistas.
Os policiais também entraram em outras zonas de paz - a Universidade Pública Salesiana e o acampamento no parque El Arbolito -, aumentando a repressão contra os indígenas no oitavo dia de manifestações contra as medidas de austeridade determinadas pelo presidente Lenín Moreno.
No parque El Arbolito, as forças de segurança atiraram bombas de gás lacrimogêneo e agrediram muitas pessoas com golpes de bastão, em uma tentativa de dispersar os manifestantes. Pela manhã, podia-se notar restos de objetos queimados e de barreiras recém-derrubadas.
O levante - o pior no Equador em anos - ocorre devido a um acordo assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que garantirá um empréstimo de
US$ 4,2 bilhões (R$ 17,05 bilhões) ao país. Em contrapartida, o governo tem de adotar medidas como o corte de subsídios a combustíveis, em vigor há quatro décadas.
A decisão gerou um aumento de até 123% nos preços da gasolina e do diesel, e revoltou a população. Na terça-feira, o presidente afirmou que não voltará atrás no corte dos subsídios e negou que vá renunciar.
Nesta quinta-feira, as lideranças indígenas negaram que tenham começado diálogos de paz com o governo - como Moreno afirmou no dia anterior - e disseram que seguem mobilizadas até que se derrogue a decisão de eliminar o subsídio ao combustível.
Além disso, a principal organização indígena do país chamou seus membros a radicalizarem as manifestações. "Nada de diálogo com um governo assassino", disse a Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), em um comunicado assinado por seu presidente, Jaime Vargas.
O presidente regressou a Quito na quarta-feira à noite, para monitorar a situação com os manifestantes. Ele estava na cidade costeira de Guaiaquil, a 400 quilômetros da capital, para onde transferiu a sede do governo devido à violência dos protestos.
Apesar disso, o clima nas ruas de Quito ainda é tenso. A poucas quadras do Palácio de Carondelet, sede do Executivo, havia bloqueios por parte da polícia. Além das placas de metal tradicionais, o cerco era reforçado por arame farpado.
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