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Porto Alegre, sexta-feira, 04 de outubro de 2019.
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Jornal do Comércio

Internacional

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Suécia

Edição impressa de 04/10/2019. Alterada em 04/10 às 03h00min

Com medo da Rússia, Suécia aumenta gasto militar

Acuada pela maior assertividade militar da Rússia de Vladimir Putin, a pacata Suécia embarcou em um programa de rearmamento que busca tentar dissuadir eventuais aventuras do Kremlin. No mês passado, o governo anunciou que irá instituir uma taxa bancária para financiar um aumento de 35% em seu orçamento militar de 2022 a 2025, chegando ao equivalente a US$ 7,7 bilhões (R$ 32 bilhões), ou 1,5% do Produto Interno Bruto do país.
Acuada pela maior assertividade militar da Rússia de Vladimir Putin, a pacata Suécia embarcou em um programa de rearmamento que busca tentar dissuadir eventuais aventuras do Kremlin. No mês passado, o governo anunciou que irá instituir uma taxa bancária para financiar um aumento de 35% em seu orçamento militar de 2022 a 2025, chegando ao equivalente a US$ 7,7 bilhões (R$ 32 bilhões), ou 1,5% do Produto Interno Bruto do país.
Entre as medidas está a reativação pela Marinha do quartel-general de Muskö, uma enorme instalação subterrânea da Guerra Fria capaz de suportar ataques nucleares. Os suecos gastam, hoje, 1% do PIB com defesa.
Principal afetada pela ideia do governo, a associação dos bancos suecos criticou a medida, que também foi vista com certa desconfiança nas ruas. Mas o temor oficial é tanto que, em 2018, o governo fez o que não fazia desde 1961: distribuiu panfletos a todos os suecos com orientações em caso de invasão estrangeira.
Abrigos nucleares foram reativados, e, em 2017, o alistamento militar voltou a ser obrigatório. Além disso, em 2015, foi iniciada a militarização da estratégica ilha de Gotlândia, no Báltico, que seria o alvo óbvio em caso de uma guerra entre Rússia e Ocidente: ocupada, ela poderia abrigar sistemas de mísseis.
O país está em uma situação peculiar. É parte da União Europeia, à qual aderiu em 1995, rompendo a tradição isolacionista, mas não é parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Assim, ao contrário das ex-repúblicas soviéticas do Báltico e da Polônia que estão na aliança militar ocidental, se fosse agredida por Moscou, não haveria obrigatoriedade de defesa pelos aliados.
No ano passado, Mikheil Saakashvili, presidente da Geórgia na guerra que perdeu para a Rússia em 2008, disse à Folha de S. Paulo que a situação pintava um alvo na face da Suécia. Pode parecer alarmismo, mas Saakashvili anteviu a tomada da Crimeia pelo Kremlin em 2014 e a guerra civil no Leste ucraniano quando poucos acreditavam nisso.
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