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Porto Alegre, terça-feira, 13 de agosto de 2019.
Dia do Economista .

Jornal do Comércio

Internacional

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Argentina

Edição impressa de 13/08/2019. Alterada em 12/08 às 21h50min

Oposição obtém 47% dos votos e vence primárias argentinas

'Estamos cômodos para sermos os primeiros', afirmou Fernández no domingo

'Estamos cômodos para sermos os primeiros', afirmou Fernández no domingo


ALEJANDRO PAGNI/AFP/JC
O candidato de oposição à presidência da Argentina, Alberto Fernández, venceu as eleições primárias realizadas no domingo. Fernández e a sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, conquistaram 47% dos votos, enquanto o atual presidente, Mauricio Macri, candidato à reeleição, obteve 32%. A vantagem é suficiente para que Fernández e Cristina sejam eleitos em primeiro turno no dia 27 de outubro.
O candidato de oposição à presidência da Argentina, Alberto Fernández, venceu as eleições primárias realizadas no domingo. Fernández e a sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, conquistaram 47% dos votos, enquanto o atual presidente, Mauricio Macri, candidato à reeleição, obteve 32%. A vantagem é suficiente para que Fernández e Cristina sejam eleitos em primeiro turno no dia 27 de outubro.
Os argentinos foram às urnas para as eleições primárias, que servem para definir os partidos e candidatos habilitados a participar das eleições gerais. No entanto, o resultado surpreendeu não apenas os kirchneristas, mas também os opositores.
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Sondagens feitas anteriormente apontavam uma distância de, no máximo, seis pontos percentuais entre as duas chapas principais. Porém a dupla Alberto Fernández e Cristina Kirchner obteve 15 pontos percentuais a mais do que Mauricio Macri e seu vice, Miguel Pichetto. O resultado é praticamente a confirmação da vitória da chapa Fernández-Kirchner, já que ela obteve 47% dos votos e precisa de, pelo menos, 45% para ganhar em primeiro turno.
Ainda na noite de domingo, Macri reconheceu a derrota nas primárias. "Tivemos uma péssima eleição, e isso nos obriga, a partir de amanhã (ontem), a redobrar os esforços. Dói que não tenhamos tido todo o apoio que esperávamos", afirmou.
Já Fernández comemorou. "Hoje (domingo) foi como uma prova de classificação, e estamos cômodos para sermos os primeiros. Hoje, começamos a mudança na Argentina", disse. O país encerrou o primeiro semestre deste ano com inflação de 22%, e 32% da população se encontra na linha da pobreza.

Risco de derrota de Macri em outubro derruba mercado argentino

Na manhã de ontem, os jornais argentinos estampavam a reação dos mercados. O diário La Nación trazia na capa "Dólar hoje: por efeito das Paso (eleições primárias), o preço de atacado sobe 30% e é vendido acima de 60 pesos (argentinos)". Como reflexo, no Brasil, o dólar chegou a passar de R$ 4,00.

De acordo com o portal Infobae, o choque político da derrota do atual presidente reflete nos preços dos diferentes segmentos do mercado cambial e financeiro. Em bancos privados, o dólar era vendido em uma faixa de 60 a 65 pesos, um aumento de 32%. Nas filiais do Banco Nacional, a moeda era oferecida a 61 pesos.

O mercado financeiro já esperava uma derrota de Macri, mas com uma diferença de apenas nove pontos percentuais entre as chapas. Porém, a distância de cerca de 15 pontos percentuais assustou investidores, que esperavam dois turnos, com uma reeleição de Macri. O resultado das primárias pode levar a eleição em primeiro turno de Fernández.

Lula felicita Alberto Fernández e Cristina por vitória

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parabenizou ontem o candidato à presidência da Argentina Alberto Fernández e sua candidata a vice, Cristina Kirchner, pela vitória nas primárias.

"Parabéns aos companheiros Alberto Fernández e Cristina Kirchner pelo expressivo resultado nas primárias argentinas", diz a mensagem do ex-presidente, preso em Curitiba desde abril do ano passado. "É preciso dar esperança ao povo, trazer dias melhores e cuidar de quem mais precisa. Um forte abraço do amigo Lula."

Fernández visitou Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba em julho. Na ocasião, declarou que o acordo de integração entre Mercosul e União Europeia será revisto, pois foi anunciado precipitadamente em razão da corrida eleitoral e agravará os problemas enfrentados pela indústria argentina.

Julgada na Justiça argentina por corrupção, Cristina anunciou, em abril, que abdicaria da cabeça de chapa em favor de Fernández, que, segundo ela, teria um perfil mais "adequado" de consenso para o momento que vive o país. Ainda bastante popular no país vizinho, a ex-presidente terá o desafio de transferir seus votos para Fernández, que nunca disputou uma eleição majoritária - em um movimento similar ao que Lula tentou com Dilma Rousseff e Fernando Haddad nas últimas eleições.

Atualmente senadora, Cristina detém foro privilegiado e só pode ser presa com autorização do Congresso. Ela é suspeita de beneficiar empresários próximos ao kircherismo na concessão de obras públicas e se diz inocente, vítima de uma perseguição da mídia e da Justiça argentina.

Bolsonaro alerta que Rio Grande do Sul pode virar Roraima se 'esquerdalha' vencer na Argentina

O presidente Jair Bolsonaro lamentou ontem a vitória da oposição nas eleições primárias da Argentina, indicando possível derrota de seu aliado, Mauricio Macri, no pleito de outubro. A declaração foi feita em Pelotas, durante evento para inaugurar 47 quilômetros de duplicação da BR-116.

Bolsonaro disse que o Rio Grande do Sul pode se transformar em Roraima caso Cristina Kirchner volte ao poder, comparando a Venezuela de Nicolás Maduro à Argentina. "Não esqueçam o que aconteceu nas eleições de ontem (domingo). A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma de Dilma Rousseff, que é a mesma de Hugo Chávez, de Fidel Castro, deu sinal de vida aqui. Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, poderemos ter no Rio Grande do Sul um novo estado de Roraima." O presidente se referiu ao fato de milhares de venezuelanos terem migrado para Roraima fugindo da crise política e econômica que vive a Venezuela.

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