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Porto Alegre, segunda-feira, 12 de agosto de 2019.
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Jornal do Comércio

Internacional

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eleições

Edição impressa de 12/08/2019. Alterada em 12/08 às 03h00min

Oposição sai na frente nas primárias na Argentina

As primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas após o fim da votação das primárias na Argentina mostraram uma vantagem do candidato de oposição, Alberto Fernández - que tem a ex-mandatária Cristina Kirchner como vice - sobre a chapa liderada pelo atual presidente, Mauricio Macri. Segundo dados oficiais, o comparecimento foi alto, com a participação de 75% dos eleitores - o voto é obrigatório no país.
As primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas após o fim da votação das primárias na Argentina mostraram uma vantagem do candidato de oposição, Alberto Fernández - que tem a ex-mandatária Cristina Kirchner como vice - sobre a chapa liderada pelo atual presidente, Mauricio Macri. Segundo dados oficiais, o comparecimento foi alto, com a participação de 75% dos eleitores - o voto é obrigatório no país.
As chamadas Paso (primárias abertas, simultâneas e obrigatórias) foram criadas em 2009, com a intenção de diminuir o número de candidaturas que concorriam na eleição. As chapas que obtêm menos de 1,5% dos votos nessa etapa não podem concorrer no primeiro turno, marcado para 27 de outubro. Já o segundo turno, se necessário, será em 24 de novembro.
Funcionam, assim, como uma prévia, mostrando quanto de apoio cada candidato tem. Além da disputa presidencial, as primárias incluem ainda votos para o Legislativo e para os governos locais.
Os números exatos do levantamento, porém, ainda não foram divulgados por causa de uma decisão judicial, que permitiu apenas a divulgação de quem está na liderança. O segredo sobre os números foi uma determinação da juíza federal Maria Servini de Cúbria, em uma tentativa de impedir as confusões registradas em anos anteriores durante a contagem nos votos.
Os problemas em geral ocorriam porque os resultados eram divulgados quase em tempo real, fazendo com que muitas vezes um candidato aparecesse na frente no começo da apuração porque um reduto seu foi contabilizado primeiro. No final, porém, este candidato acabava caindo, gerando indignação nos seus apoiadores.Foi para evitar isso que a juíza determinou que os resultados oficiais da apuração só poderiam começar a ser anunciados após mais de 10% dos votos serem contabilizados.
O clima, porém, era já de festa no fim do dia do lado da oposição, que começou cedo a encher o espaço do comitê kirchnerista, na avenida Corrientes, em Buenos Aires. Do lado de fora, ambulantes vendiam camisetas e bandeiras com os rostos de Fernández e Cristina.
Além de liderar a boca de urna, as pesquisas internas das duas chapas, divulgadas no sábado já apontavam uma vitória de Fernández sobre Macri por uma diferença de 2 a 4 pontos percentuais, dentro da margem de erro.
Do lado governista também havia animação, embora mais contida, no local tradicional de suas comemorações, um espaço comercial também na capital.
Durante o dia, os candidatos e suas militâncias eram puro sorriso e festa. Com roupa esportiva, Fernández saiu logo cedo para passear com seu cachorro, Dylan - estrela de sua propaganda na TV. "Ele não sabe que tem eleição", riu para os jornalistas.
Depois, já vestido um pouco mais formal, de blazer, mas sem gravata, foi ao centro de votação. No local teve um pequeno inconveniente com jornalistas que cruzavam seu caminho. Conhecido por ter modos um pouco grosseiros com a imprensa, fez gestos para que não atrapalhassem sua caminhada.
Macri, como sempre, foi votar em Palermo um pouco mais tarde, por volta do meio-dia. Também exibindo bom humor, fez um pequeno discurso dentro do que permite a lei, que veda propaganda política. Durante a fala, um grupo de opositores gritava de um canto: "Pode recolher suas coisas que você já vai embora".
Os dois candidatos a vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, e Miguel Ángel Pichetto (de Macri), votaram em suas províncias, no sul do país - ela em Santa Cruz e ele em Río Negro, ambos na Patagônia.
 

Como é o sistema eleitoral argentino

Senado

O país é dividido em 24 distritos eleitorais (oito deles têm votação em 2019), cada um com três senadores e o eleitor vota apenas no partido; a sigla mais bem votada em cada distrito tem direito a dois senadores e a segunda, a um.

Câmara

Estarão em jogo metade das vagas em cada um dos 24 distritos (um total de 130 das 257 cadeiras); o eleitor também vota apenas no partido, que tem uma lista fechada de candidatos; as vagas são distribuídas de maneira proporcional, de acordo com os votos recebidos pela sigla.

Presidência

Sistema é semelhante ao brasileiro, em que cada eleitor vota em uma chapa formada por um titular e um candidato a vice; para vencer em 1º turno, o candidato precisa conseguir mais de 45% dos votos ou conquistar mais de 40% e ter uma diferença superior a 10% do segundo colocado; caso nada disso aconteça, há o segundo turno.

Calendário eleitoral

11 de agosto (primárias)

Na votação realizada neste domingo, que é obrigatória, as chapas para o Legislativo e o Executivo precisam obter mais do que 1,5% dos votos para avançar para a próxima etapa.

27 de outubro (1º turno)

Além do pleito presidencial, eleitores também irão votar para renovar metade da Câmara, um terço do Senado e a maior parte dos governos locais.

24 de novembro (2º turno)

Ocorre apenas nas votações para presidente, governadores de província e prefeito de Buenos Aires.

Fontes: Constituição da Argentina e Ministério do Interior

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