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Porto Alegre, segunda-feira, 12 de agosto de 2019.
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Internacional

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Paraguai

Edição impressa de 12/08/2019. Alterada em 12/08 às 03h00min

Presidente Abdo Benítez fala ao Ministério Público sobre caso Itaipu

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, recebeu os promotores Marcel Pecci, Susy Riquelme e Liliana Alcaráz ontem, na Quinta de Mburuvicha Róga, residência oficial, em Assunção.
O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, recebeu os promotores Marcel Pecci, Susy Riquelme e Liliana Alcaráz ontem, na Quinta de Mburuvicha Róga, residência oficial, em Assunção.
O objetivo da visita era recolher de Abdo Benítez declarações sobre o acordo de Itaipu, assinado com o Brasil em maio e cancelado no último dia 1 de agosto, ante a possibilidade de causar o início de um julgamento político do presidente por parte da oposição. O Ministério Público paraguaio investiga possíveis irregularidades contidas no acordo que permitiria que o Paraguai pudesse negociar com empresas privadas brasileiras parte de sua energia excedente.
A convocação do presidente se deu depois que foram vazadas conversas entre o advogado Joselo Rodríguez e o então presidente da Ande (entidade energética paraguaia), Pedro Ferreira, em que o primeiro se apresentava como assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velázquez, com o aval de Abdo Benítez, e dizia estar em contato com a empresa Leros, do Brasil, interessada na compra. Rodríguez também afirmava que a Leros estaria vinculada a integrantes da "família presidencial do Brasil", segundo as conversas.
Por conta da divulgação dessas mensagens por Ferreira, demitido de seu cargo, os investigadores também convocaram Velázquez e os demais envolvidos a prestar depoimento. Rodríguez, em entrevista à TV paraguaia, disse depois que havia mentido nas mensagens "para impressionar Ferreira". Também Velázquez negou que o advogado fosse um funcionário seu.
Ao entrar na residência presidencial, a promotora Liliana Alcaráz disse que o depoimento de Abdo Benítez tinha como propósito "obter informação" e teria formato de entrevista informal, "não de interrogatório". E acrescentou: "nesta etapa, o Ministério Público não tem nenhum tipo de formalidade, não se trata de um julgamento oral, onde se recolhem provas", disse. Marcel Pecci disse que a investigação seguirá ao longo da semana, depois da entrega de um relatório e um cronograma sobre como foram as negociações entre a Ande e a Itaipu. Todos os telefones envolvidos nos chats devem ser entregues, por pedido do Ministério Público.
A pressão ainda tem sido grande, com alguns protestos em Assunção mesmo depois de a tentativa de impeachment não ter ido adiante. Por ora, há uma espécie de trégua dentro do partido colorado, uma vez que o grupo liderado pelo rival interno de Abdo Benítez, o ex-presidente Horacio Cartes, se comprometeu a não oferecer os votos necessários ao início do julgamento político - Cartes tem 24 deputados, sem os quais é impossível aprovar o impeachment.
Ainda assim, o principal partido opositor, o PLRA, protocolou novamente o pedido de uma ação para julgamento político, mas sem o número suficiente, por enquanto, para que tenha início.
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