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Porto Alegre, sexta-feira, 05 de julho de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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Venezuela

Edição impressa de 05/07/2019. Alterada em 05/07 às 03h00min

Relatório da ONU aponta violações cometidas pelo governo de Nicolás Maduro

Alta comissária para os Direitos Humanos, Bachelet afirma ter registrado 66 mortes desde janeiro em protestos contra o governo

Alta comissária para os Direitos Humanos, Bachelet afirma ter registrado 66 mortes desde janeiro em protestos contra o governo


CRISTIAN HERNANDEZ/AFP/JC
O Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) documentou, na visita da alta comissária Michelle Bachelet à Venezuela, no mês passado, diversas violações atribuídas ao governo do presidente Nicolás Maduro no país. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, Bachelet afirma ter registrado 66 mortes desde janeiro em protestos contra o governo. Destas, 52 foram cometidas por forças estatais e milícias leais ao chavismo.
O Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) documentou, na visita da alta comissária Michelle Bachelet à Venezuela, no mês passado, diversas violações atribuídas ao governo do presidente Nicolás Maduro no país. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, Bachelet afirma ter registrado 66 mortes desde janeiro em protestos contra o governo. Destas, 52 foram cometidas por forças estatais e milícias leais ao chavismo.
O relatório vê com especial preocupação a atuação da Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (Faes), criada por Maduro para "combater o crime e o terrorismo". A oposição denuncia a atuação da Faes como "um esquadrão da morte a serviço do governo".
Segundo o documento, esse órgão foi responsável pela morte de 5.287 pessoas no ano passado, em casos apresentados como resistência à ação policial. Em 2019, até maio, foram mais de 1,5 mil mortes por agentes da Faes. Em muitos casos, drogas são plantadas nas vítimas para forjar uma denúncia por narcotráfico. O relatório ainda afirma que 793 pessoas foram presas por se opor ao regime chavista, sendo 22 delas parlamentares de oposição.
"Poucas pessoas recorrem à Justiça por medo de retaliação ou por desconfiança nas instituições", diz o texto. "A Procuradoria se omite na obrigação de apresentar denúncias contra esses criminosos, e a controladoria da república se omite perante as violações de direitos humanos."
Apesar da economia da Venezuela ter entrado em crise bem antes das sanções impostas pelo governo norte-americano, a situação deve piorar nos próximos meses em virtude dessas punições. Além disso, o acesso a alimentos e remédios é escasso e controlado politicamente pelo governo, segundo a ONU.
O relatório de Bachelet diz, ainda, que, em média, os venezuelanos - especialmente mulheres - ficam dez horas em filas esperando por alimentos. O documento também denuncia a morte de 157 pessoas por falta de insumos médicos no país em 2019.
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