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Imigração

- Publicada em 03h15min, 27/06/2019. Atualizada em 03h00min, 27/06/2019.

Pai e filha morrem em rio que divide EUA e México

Imagem dos corpos de Óscar Alberto Ramírez e sua filha Valeria virou símbolo do drama dos imigrantes

Imagem dos corpos de Óscar Alberto Ramírez e sua filha Valeria virou símbolo do drama dos imigrantes


/STR/AFP/JC
Uma imagem divulgada ontem virou símbolo do drama que vivem os imigrantes. Os corpos do salvadorenho Óscar Alberto Martínez Ramírez, de 25 anos, e de sua filha Valeria, de um ano e 11 meses, foram encontrados na segunda-feira, às margens do Rio Grande, na fronteira dos EUA com o México. Os rostos estavam submersos na água, e a menina, enfiada dentro da camiseta preta do pai, tinha um dos braços envolto no pescoço dele, sugerindo que se agarrou a ele nos momentos finais.
Uma imagem divulgada ontem virou símbolo do drama que vivem os imigrantes. Os corpos do salvadorenho Óscar Alberto Martínez Ramírez, de 25 anos, e de sua filha Valeria, de um ano e 11 meses, foram encontrados na segunda-feira, às margens do Rio Grande, na fronteira dos EUA com o México. Os rostos estavam submersos na água, e a menina, enfiada dentro da camiseta preta do pai, tinha um dos braços envolto no pescoço dele, sugerindo que se agarrou a ele nos momentos finais.
A fotografia de Julia Le Duc, publicada pelo jornal mexicano La Jornada, ressalta os perigos enfrentados por imigrantes da América Central que fogem da violência e da pobreza e esperam encontrar asilo nos EUA. Segundo a reportagem de Julia, Ramírez, frustrado porque sua família não conseguiu se apresentar às autoridades norte-americanas para pedir asilo, decidiu nadar até o outro lado do Rio Grande com sua filha, no domingo. Ele a colocou na margem norte e voltou para pegar a mulher, Tania Vanessa Avalos, de 21 anos. Mas, ao ver o pai se afastar, a menina se jogou na água. Rodríguez voltou e conseguiu pegar Valeria, mas a correnteza levou os dois.
O texto foi escrito com base no que a mãe, Tania, contou à polícia local em meio a lágrimas e gritos, segundo relatou Julia à agência Associated Press. A foto lembra a imagem de 2015 de um menino sírio de três anos, Aylan Kurdi, que se afogou no Mar Mediterrâneo próximo à ilha grega de Kos - embora ainda não se saiba se ela pode ter o mesmo impacto em concentrar a atenção internacional para a crise migratória nos EUA.

Mais de 100 crianças são enviadas a centro de detenção nos EUA

O Congresso norte-americano aprovou, na noite de terça-feira, um pacote de emergência de US$ 4,5 bilhões solicitado por funcionários do serviço de imigração, que tinham alertado que os abrigos destinados a acolher crianças imigrantes estão superlotados e precisavam de verba para lidar com a situação. O pacote ainda deve ser votado no Senado.
Um grupo de advogados que visitou um centro de detenção na cidade de Clint, na fronteira do Texas com o México, advertiu que centenas de menores de idade permaneciam no local em condições insalubres, sem fraldas para bebês, sabão, roupa limpa, escovas de dentes nem comida adequada.
A controvérsia suscitada pelo relatório dos advogados fez com que os menores, que tinham sido separados dos adultos com os quais cruzaram a fronteira ou de mães adolescentes, fossem transferidos a outras instalações. No entanto, foi noticiado ontem que mais de 100 crianças foram devolvidas a esse centro, sem que fossem divulgados mais detalhes.
John Sanders, chefe da Agência Alfandegária e de Proteção de Fronteira dos EUA, pediu demissão na terça-feira, após as denúncias de tratamento degradante dado às crianças imigrantes detidas na fronteira com o México.
O caso aumentou as críticas de ativistas de direitos de migrantes e de membros do Partido Democrata à política linha-dura do presidente republicano, Donald Trump, em relação à imigração. O presidente se manifestou na terça-feira "muito preocupado" pelas condições dos centros de detenção, mas destacou que são melhores do que na época de seu antecessor, Barack Obama. Ele também disse que acabou com a separação de famílias de imigrantes - um programa criado durante seu governo e duramente criticado.
Autoridades do Texas informaram na segunda-feira que sete imigrantes morreram, incluindo uma mulher, dois bebês e uma criança, em uma demonstração dos perigos do calor extremo do verão à medida que famílias da América Central tentam cruzar a fronteira entre México e EUA.
 
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