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Porto Alegre, terça-feira, 11 de junho de 2019.
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Jornal do Comércio

Internacional

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China

Edição impressa de 11/06/2019. Alterada em 11/06 às 03h00min

Apesar de protestos, Hong Kong quer passar lei de extradição para a China

A líder do governo de Hong Kong, Carrie Lam, disse ontem que está determinada a passar o projeto de lei de extradição que permitirá que suspeitos sejam enviados à China continental para serem julgados. A posição da executiva-chefe (espécie de prefeita) vem após protestos terem reunido milhares nas ruas da cidade, no domingo, contra a proposta.
"Este projeto de lei não é uma iniciativa do governo central chinês. Não recebi nenhuma instrução de Pequim para fazer esta lei", disse Carrie em entrevista coletiva. "Hong Kong tem que seguir em frente. Ninguém quer que Hong Kong seja um refúgio para infratores fugitivos."
Ainda segundo Carrie, a nova lei "permitirá o triunfo da justiça e garantirá que Hong Kong cumpra com suas obrigações internacionais em termos de criminalidade transfronteiriça e transnacional". Opositores da legislação temem perseguição política do partido único da China, e dizem que Pequim irá se aproveitar da nova lei para extraditar ativistas e dissidentes do regime, que seriam submetidos a um sistema judicial politizado.
Embora oficialmente Hong Kong pertença à China, a região possui um sistema legal próprio e certa autonomia política em relação a Pequim, em um arranjo conhecido como "um país, dois sistemas". Nos últimos anos, porém, o regime do Partido Comunista vem tentando aumentar seu poder sobre o território, levando a oposição pró-democracia a organizar grandes manifestações contra o governo.
A polícia disse que cerca de 240 mil pessoas participaram dos atos de domingo. Já os organizadores afirmaram ser mais de 1 milhão de pessoas nas ruas, o que faria desse o maior protesto já registrado desde que a antiga colônia britânica retornou para o controle chinês, em 1997 - manifestações por mais democracia em 2003 e 2014 ultrapassaram a marca de 500 mil pessoas.
Uma nova manifestação está marcada para esta quarta-feira, quando uma segunda leitura da proposta da lei será debatida por parlamentares. A líder do governo de Hong Kong disse que não vê motivos para que a aprovação da lei seja retardada.
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