Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 10 de junho de 2019.
Dia da Língua Portuguesa.

Jornal do Comércio

Internacional

CORRIGIR

Argentina

Edição impressa de 10/06/2019. Alterada em 10/06 às 03h00min

O kirchnerismo no caminho da Casa Rosada

Ex-presidente é vice-candidata em chapa liderada por seu ex-chefe de gabinete

Ex-presidente é vice-candidata em chapa liderada por seu ex-chefe de gabinete


EITAN ABRAMOVICH / AFP/JC
Ainda faltam quase cinco meses para as eleições presidenciais de outubro na Argentina. Para um país que já teve cinco presidentes em uma semana, em dezembro de 2001, esse tempo é uma eternidade. Hoje, porém, a sensação instalada em amplos setores da população é de que a senadora e ex-presidente Cristina Fernández Kirchner é favorita para o pleito que a terá como candidata à vice-presidência.
A vantagem de Cristina aparece nas primeiras pesquisas após o anúncio de que ela acompanhará seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández, em uma chapa que pretende incluir outros setores do peronismo e independentes. Um dos levantamentos, realizado pela Hugo Haime e Associados, dá 41% de intenções de voto para a já chamada dupla "Fernández-Fernández", e 28,5% para o presidente Mauricio Macri, que, apesar de não conseguir reverter o ambiente de insatisfação social, mantém firme sua decisão de disputar a reeleição.
Macri está enfraquecido, e isso se percebe em conversas com analistas políticos, dirigentes, empresários e eleitores que apostaram no presidente em 2015 e, hoje, sentem-se frustrados. O chefe de Estado representou uma esperança de mudança e melhora nas condições de vida da população, mas isso não aconteceu. Indicadores sociais mostram que a pobreza aumentou (no último ano, 2,65 milhões de pessoas passaram a viver abaixo da linha da pobreza), e basta caminhar pelas ruas de Buenos Aires para constatar. No Centro, pessoas dormem nas calçadas - em alguns casos, famílias inteiras -, e o número de pobres pedindo dinheiro na rua aumentou de forma expressiva nos últimos meses.
A Argentina acumula 11 meses de recessão, e, apesar do otimismo do governo - que fala em retomada do crescimento a partir do segundo semestre -, o fracasso econômico é o principal obstáculo para que Macri conquiste um segundo mandato. Paralelamente, é a maior força de Cristina.
"No primeiro turno de 2015, Macri alcançou 33% dos votos e só foi eleito com mais de 50% no segundo graças ao apoio de setores do peronismo e de eleitores independentes. Hoje, muitas dessas pessoas não estão mais dispostas a votar no presidente", afirma o analista Hugo Haime.
Para ele, "Macri prometeu um Estado forte, apoio a pequenas e médias empresas, e políticas de ajuda social que não chegaram". "Um dos elementos centrais da eleição é o voto dos que não se sentem representados pelos partidos, a classe média e média baixa, que está apática e, agora, decepcionada com o presidente", explica o analista.
Cristina é uma candidata forte. Em algumas províncias, como Corrientes, mostrou a última pesquisa de Haime, o apoio à ex-presidente chega a 70%. Para muitos, com Cristina, a vida era melhor. Pouco importam, para estes eleitores, os escândalos de corrupção ou o julgamento enfrentado pela ex-presidente desde maio, no qual é acusada de ter chefiado uma organização criminosa para favorecer empresas amigas em concessões de obras públicas.
Para melhorar sua posição nas pesquisas, Macri precisa ter meses de estabilidade, controlar o dólar (nos últimos dois anos, a desvalorização superou 300%) e a inflação, uma das mais altas do mundo. É verdade que a rejeição a Cristina continua elevada, em torno de 50%, mas também é verdade que a desaprovação à gestão de Macri já chega, segundo pesquisas, a quase 80%.
 
CORRIGIR