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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de junho de 2019.
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Jornal do Comércio

Internacional

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Fronteira

Edição impressa de 07/06/2019. Alterada em 07/06 às 03h00min

EUA tem maior apreensão de imigrantes em um mês

Coiotes estão cobrando mais barato de famílias para passar a fronteira

Coiotes estão cobrando mais barato de famílias para passar a fronteira


JOE RAEDLE/AFP/JC
O Departamento de Imigração dos Estados Unidos deteve, em maio, mais de 144 mil imigrantes que cruzaram a fronteira Sul, registrando um aumento de 32% com relação a abril, na maior apreensão de ilegais em um único mês desde que Donald Trump assumiu a presidência, em 2017. Foi também o mês com mais detenções em 13 anos, de acordo com o órgão de alfândega e proteção de fronteira dos EUA (CBP, na sigla em inglês).
Se comparado a maio de 2018, o aumento foi de 182%. Em relação a maio de 2017, foi seis vezes maior. Naquele mês, as prisões estiveram perto de seu nível mais baixo em meio século: menos de 20 mil.
Maio de 2019 também foi o terceiro mês seguido de apreensões acima de 100 mil pessoas, lideradas pelos níveis recorde de entrada de guatemaltecos e hondurenhos com seus filhos. Segundo o CBP, as prisões foram de famílias. Atualmente, 19 mil pessoas continuam detidas aguardando julgamento.
Uma reportagem da rádio pública norte-americana NPR ouviu centenas de imigrantes que foram apreendidos na fronteira, além de especialistas que atribuíram a três fatores o aumento de ilegais nos EUA, mesmo com regras mais duras de Trump. O primeiro é que os traficantes de pessoas - os "coiotes" - estão cobrando mais barato de famílias. Eles levam os ilegais até a fronteira, onde muitos se entregam às autoridades do outro lado. Com viajantes sozinhos, é preciso garantir que atravessem sem serem pegos, já que têm mais risco de serem deportados imediatamente, segundo as regras atuais no país.
Acompanhados de crianças, os imigrantes têm mais chances de aguardar julgamento em liberdade nos EUA. Viajar sozinho pode custar até US$ 12 mil ao imigrante. Se estiver em família, esse valor pode cair para US$ 7 mil.
Um segundo fator, segundo a NPR, são as redes sociais. Por elas, muitos percebem que parentes e amigos conseguiram chegar e se estabelecer nos EUA. "Todo mundo tem celular, todo mundo tem Facebook. Você vai ver fotos dessas pessoas com carros, emprego, roupas legais", afirmou ao site da rádio o diretor guatemalteco Luis Argueta, que está fazendo um documentário sobre o fluxo migratório.
Ironicamente, a política de repressão do presidente Trump é o terceiro fator que, segundo a reportagem, explica o grande número de apreensões. O governo norte-americano tem tentado deter esses imigrantes de várias maneiras, até mesmo separando pais e filhos na fronteira dentro de sua "política de tolerância zero". Mas o efeito tem sido contrário, ao atrair tanta atenção para a repressão.
 
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