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Porto Alegre, quinta-feira, 25 de abril de 2019.
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Internacional

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Rússia

Edição impressa de 25/04/2019. Alterada em 25/04 às 03h00min

Putin facilita cidadania russa para separatistas da Ucrânia

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou decreto ontem facilitando a concessão de passaportes de seu país para moradores das duas autoproclamadas repúblicas separatistas do Leste ucraniano, na região conhecida como Donbass. O movimento era esperado por analistas como uma forma de colocar sob pressão logo de saída o novo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, eleito de forma consagradora com 73% dos votos no segundo turno, no domingo passado.

Putin negou tal intenção, segundo a agência russa Tass. "Não desejamos criar problemas para a nova liderança ucraniana", afirmou o presidente, que não chegou a congratular o inexperiente comediante e "outsider" Zelenski pela vitória.

Uma leitura mais alarmista do movimento encontra eco no processo que levou à anexação da península historicamente russa da Crimeia, ocorrida após a derrubada de um presidente pró-Kremlin em Kiev. Moscou havia distribuído passaportes para russos étnicos que viviam na região.

A decisão "é a continuação da agressão e interferência em nossos assuntos internos", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavlo Klimkin - que ainda trabalha para o presidente Petro Porochenko, derrotado por Zelenski. O novo líder só assume dia 31 de maio, mas deve manter boa parte do gabinete até a eleição legislativa de outubro.

Pelo decreto de Putin, ficam isentos de formalidades como ter endereço fixo na Rússia ou ter morado por cinco anos seguidos no país os habitantes do Donbass - as chamadas repúblicas populares baseadas nas cidades de Donetsk e Lugansk, que somam cerca de 3,7 milhões de pessoas. O processo também deve ser expresso, ocorrendo em no máximo três meses.

Quando Putin incentivou políticos da Crimeia a promover um plebiscito visando à unificação com a Rússia, ao mesmo tempo estimulou a secessão no Donbass. O motivo central, além de afinidades culturais e linguísticas, era a necessidade estratégica do Kremlin de evitar ter Kiev unida à estrutura militar e econômica do Ocidente - em outras palavras, trazer tropas adversárias para sua fronteira.

Só que no Leste ucraniano, uma região menos homogênea em termos étnicos, com talvez 75% de russófonos, mas apenas 40% de russos étnicos, houve resistências e logo irrompeu uma guerra civil. De lá para cá, 13 mil pessoas morreram nos conflitos. A sinalização do Kremlin tende a ser uma forma de chamar Zelenski para uma posição de negociação mais aberta, algo que Putin não fará.

Muitos analistas russos descartam uma anexação do Donbass nas mesmas linhas do que ocorreu na Crimeia. Na península, bem menor, Putin já gastou mais de US$ 5 bilhões em obras de infraestrutura e volumes enormes e incertos em subsídios para a integração. 

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