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Porto Alegre, sexta-feira, 12 de abril de 2019.
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Internacional

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Relações diplomáticas

Edição impressa de 12/04/2019. Alterada em 12/04 às 03h00min

Preso em Londres, Assange corre risco de ser extraditado para os EUA

Ciberativista estava asilado na embaixada equatoriana desde 2012

Ciberativista estava asilado na embaixada equatoriana desde 2012


AFP/JC

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de 47 anos, foi preso pela polícia britânica nesta quinta-feira na embaixada do Equador em Londres, após um pedido de extradição do governo dos Estados Unidos, que teve um grande número de documentos confidenciais vazados pelo site em 2010. Dois anos depois, o ciberativista australiano se refugiou na embaixada equatoriana no Reino Unido.

Assange foi levado sob custódia para uma delegacia no Centro da capital inglesa, onde ficará antes de ser apresentado à Corte de Magistrados de Westminster "assim que possível", informaram as autoridades locais. Seu advogado no Equador, Carlos Poveda, disse que o australiano não teve o direito de se defender e que corre risco de ser condenado à morte.

No entanto, Alan Duncan, ministro britânico do Exterior, garantiu que o ativista não será extraditado aos EUA se houver essa possibilidade. "É nossa política em todas as circunstâncias, então isso se aplica igualmente a Assange, que não será extraditado se tiver que encarar a pena de morte", disse. Em novembro do ano passado, o WikiLeaks disse que Assange estava sendo processado de forma secreta pelos EUA. O governo norte-americano não confirmou a informação na época.

Detido em dezembro de 2010 na Inglaterra, Assange era alvo de uma investigação na Suécia por abuso sexual. Ele foi liberado alguns dias depois mediante pagamento de fiança, mas não conseguiu reverter o processo de extradição. Como último recurso, buscou refúgio na representação diplomática. Passou a viver na embaixada, e obteve a cidadania do Equador em dezembro de 2017. Procuradores da Suécia decidiram arquivar o processo neste mesmo ano, pela impossibilidade de ouvi-lo.

A prisão acabou sendo possível com a cooperação do Equador. A polícia metropolitana de Londres disse que foi chamada pela embaixada do país sul-americano, após a retirada do asilo que protegia Assange. O presidente equatoriano, Lenín Moreno, afirmou ter pedido ao Reino Unido garantias de que o fundador do WikiLeaks não será deportado para um país onde possa ser alvo de tortura ou pena de morte. "O governo do Reino Unido confirmou isso por escrito, de acordo com suas regras", afirmou.

A indisposição do governo equatoriano com o fundador do WikiLeaks vinha se acentuando nos últimos meses. Segundo o jornal inglês The Guardian, o hóspede não podia receber visitas ou acessar a internet desde março. No fim de 2018, Assange entrou na Justiça do Equador contestando os novos termos de seu asilo, que determinavam que ele deveria pagar por suas contas médicas e de telefone, e limpar a sujeira de seu gato.

No começo de abril, Moreno disse a rádios de seu país que o australiano havia violado repetidamente os termos de seu asilo na embaixada. "Ele não pode mentir, e menos ainda hackear contas ou telefones celulares particulares", afirmou, lembrando que fotos de seu quarto e de sua família haviam sido publicadas em redes sociais - mas sem acusar nominalmente Assange por isso. Recentemente, o WikiLeaks publicou informes sobre os chamados Papéis Ina, que apontam para um esquema de corrupção ligando Moreno a uma empresa offshore no Panamá. O presidente nega as acusações.

Já o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, que havia concedido o asilo em 2012, criticou duramente o sucessor. "O maior traidor da história equatoriana e latino-americana, Moreno permitiu que a polícia britânica entrasse na nossa embaixada em Londres. O que fez é um crime que a humanidade nunca esquecerá", disse Correa, que hoje vive na Bélgica.

Quem é Julian Assange

Nascido na Austrália em 1971, Julian Assange foi acusado de realizar dezenas de ataques hacker no país em 1995, época em que a internet começava a se popularizar. Teve de pagar multas, mas escapou da prisão.
Estudou Física e Matemática em Melbourne e, em 2006, criou o WikiLeaks junto com outras pessoas. O site, dedicado a receber e publicar informações confidenciais, divulgou uma grande quantidade de documentos militares secretos relacionados às guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão. Também vieram a público vídeos de militares norte-americanos atirando em civis no Iraque e uma grande quantidade de mensagens diplomáticas confidenciais, incluindo algumas que citavam o Brasil.
 
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