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Porto Alegre, terça-feira, 12 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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União Europeia

Edição impressa de 13/02/2019. Alterada em 12/02 às 01h00min

Premiê pede mais tempo ao Parlamento para 'suavizar' Brexit

May volta à Câmara dos Comuns no dia 26 para falar sobre as tratativas

May volta à Câmara dos Comuns no dia 26 para falar sobre as tratativas


TOLGA AKMEN/AFP/JC
A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu ao Parlamento mais duas semanas para tentar arrancar da União Europeia (UE) uma mudança no acordo sobre o Brexit que o torne mais palatável. "As conversas (com a governança europeia) estão em um momento crucial. Temos todos que manter a calma", afirmou a líder conservadora, em pronunciamento no plenário da Câmara dos Comuns.
"Fazendo as alterações necessárias ao 'backstop' (contestado mecanismo para evitar a volta dos controles na fronteira entre as Irlandas), protegendo e aumentando os direitos trabalhistas e leis ambientais, e expandindo o papel do Parlamento na próxima fase de negociações, acredito que conseguiremos chegar a um pacto que esta casa apoiará", ressaltou a premiê.
May se comprometeu a voltar ao plenário no próximo dia 26 para atualizar os parlamentares sobre as tratativas com a UE. No dia seguinte, os legisladores poderão votar emendas ao plano de ação apresentado, incluindo projetos para adiar a data de saída do bloco (fixada para 29 de março) ou constranger o Executivo a tirar do "cardápio" de opções um Brexit a seco, sem acordo (o "no deal").
Nenhuma dessas medidas seria vinculante, ou seja, o governo não estaria obrigado a adotá-las. Mas ir contra tais votos poderia fragilizar ainda mais o governo, não de todo recuperado do massacre sofrido no Parlamento em janeiro, quando o acordo foi rejeitado por uma diferença de 230 votos.
O principal nome da oposição, Jeremy Corbyn, disse que a premiê está manobrando para que o acordo proposto por ela seja a única opção a um "no deal". Para o líder trabalhista, trata-se de chantagem. Na semana passada, Corbyn enviou a May uma carta em que listava as condições dos opositores para aprovar o documento. A principal delas é o estabelecimento de uma união aduaneira permanente entre Reino Unido e União Europeia.
Os problemas no Parlamento se dão justamente em torno da cláusula do acordo que prevê a criação de uma união aduaneira temporária, caso as partes demorem a concluir um acordo comercial pós-Brexit que permita manter aberta a fronteira entre Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) e Irlanda (membro da UE). O temor dos eurocéticos mais radicais é que os territórios britânicos fiquem presos nessa zona tarifária comum indefinidamente. De seu lado, May diz que a proposta trabalhista impediria o Reino Unido de firmar seus próprios acordos comerciais com países terceiros, fora do guarda-chuva europeu, o que contraria a vontade de emancipação.
A UE já descartou inúmeras vezes a reabertura do acordo para editar o protocolo que trata do "backstop" - Londres quer fixar um período de vigência ou ter a prerrogativa de se retirar da união aduaneira quando quiser.
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