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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de fevereiro de 2019.
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Estados Unidos

Alterada em 07/02 às 15h04min

Três democratas da Virgínia podem perder governo para republicano após escândalos

Estadão Conteúdo
Três democratas do alto escalão do Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, estão envolvidos em uma série de escândalos desde a sexta-feira (1), gerando uma crise política que pode ameaçar seus cargos e fazendo com que o presidente da Câmara local, um republicano, assuma a chefia do governo.
Na quarta (6) o procurador-geral do Estado, Mark Herring, confessou usar blackface (prática considerada racista) durante os anos 1980. No mesmo dia, uma mulher foi a público para fazer acusações de abuso sexual contra o atual vice-governador, Justin Fairfax. E, poucos dias antes desses acontecimentos, outra imagem de cunho ofensivo à população afroamericana veio à tona envolvendo o governador Ralph Northam, que se agarra ao cargo enquanto é pressionado para renunciar até por membros do seu próprio partido. Os três são democratas.
As alegações começaram quando Herring reconheceu que ele usou maquiagem marrom e uma peruca em 1980 para se parecer com um rapper em uma festa da Universidade de Virgínia, quando ele tinha 19 anos. Ele se desculpou por comportamento "insensível" e disse que os próximos dias "deixarão claro se eu posso ou devo continuar no cargo".
Anteriormente, ele havia pedido que o governador Northam renunciasse e estava planejando concorrer ao cargo em 2021.
Horas depois, Vanessa Tyson, uma mulher da Califórnia cujas acusações contra o vice-governador Justin Fairfax surgiram no começo desta semana, detalhou que o número 2 do governo a forçou a fazer sexo oral nele em um hotel em 2004 durante as primárias nacionais democratas em Boston.
Vanessa, uma cientista política de 42 anos de idade, bolsista da Universidade de Stanford e especialista em discurso político de abusos sexuais, disse: "Eu não tenho motivo político. Eu sou uma democrata orgulhosa."
"O senhor Fairfax tentou me qualificar como mentirosa em rede nacional, servindo aos seus interesses políticos ambiciosos, e me ameaçou com processo", afirmou ela. "Dadas as suas falsas afirmações, eu estou compelida a deixar claro o que aconteceu."
Fairfax, o próximo na linha de sucessão se o governador Northam renunciar, repetidamente negou as suas alegações, dizendo que o encontro foi consensual e que ele é vítima de um esqeuma de difamação com timing estratégico. "Em nenhum momento ela expressou qualquer desconforto ou preocupação sobre as nossas interações nem durante o encontro nem durante os meses que se seguiram, quando ela permaneceu em contato comigo, nem nos últimos 15 anos", declarou.
Vanessa afirmou que sofreu "uma humilhação e vergonha profundas" e permaneceu quieta sobre as alegações enquanto ela tentava crescer em sua carreira, mas, em 2017, com o movimento #MeToo tomando forma e depois de ver publicado um artigo sobre a campanha de Fairfax, ela levou a sua história ao jornal The Washington Post, que decidiu meses depois não publicá-la.
A Organização Nacional para Mulheres imediatamente demandou que Fairfax renunciasse, afirmando: "A história dela é assustadora, convincente e clara como o dia. E nós acreditamos nela."
Efeito dominó
A série de escândalos que começaram quando um anuário universitário foi revelado na sexta-feira 1º com a foto racista do governador pode ter um efeito dominó no Estado da Virgínia: se Northam e Fairfax caírem, Herring pode ser o próximo na linha sucessória. Depois de Herring, é o presidente da Câmara, Kirk Cox, um republicano conservador.
No Congresso, os parlamentares ficaram pasmos com o rápido desenvolvimento dos acontecimentos. A senadora democrata Barbara Favola disse: "Eu tenho que respirar fundo e pensar sobre isso. Está acontecendo rápido demais".
O líder dos republicanos na Câmara, Todd Gilbert, disse que seria "imprudente" comentar. O presidente da bancada afroamericana na Virgínia, Lamont Bagby, afirmou: "Nós temos muito para digerir".
Presidente da Câmara local da Virgínia, Kirk Cox qualificou no fim da quarta-feira as alegações contra Fairfax como "extremamente sérias" e disse que os parlamentares precisam de "uma exibição completa dos fatos". Ele exigiu que Herring "aderisse ao padrão que ele demandou dos outros", uma referência ao pedido do procurador-geral para que o governador Northam renunciasse.
Os democratas expressaram medo de que uma reviravolta sobre o governo pudesse comprometer as chances de tomar o controle de uma legislatura dominada pelos republicanos na Virgínia. O partido fez grandes ganhos em 2017, em parte por causa da repercussão contra o presidente Donald Trump, e levou uma vantagem impressionante nas duas casas.
Ao mesmo tempo, eles têm tido uma posição firme sobre má conduta, já que as mulheres e minorias são parte vital da base eleitoral. E querem criticar o comportamento de Trump sem parecer hipócritas.
O governador Northam está sob pressão de quase todo o Partido Democrata para renunciar. Ele inicialmente admitiu que estava na foto e então negou um dia depois. Mas reconheceu que usou graxa de sapato para escurecer a sua pele e para se parecer com Michael Jackson em um concurso de dança no Texas em 1984, quando ainda estava no Exército.
Herring condenou o ato como "indefensável" e "profundamente ofensivo". Ele disse que não era mais possível que Northam liderasse o Estado. Na quarta, contudo, ele confessou que ele e dois amigos se vestiram como rappers negros.
"Essa conduta mostra que, como um homem jovem, eu tinha uma falta de consciência e insensibilidade da dor que o meu comportamento pode causar nos outros", afirmou. "Essa conduta não reflete de maneira alguma o homem que eu me tornei 40 anos depois." / AP
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