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Porto Alegre, quarta-feira, 09 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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Relações Exteriores

Edição impressa de 09/01/2019. Alterada em 09/01 às 01h00min

Bolsonaro volta atrás e desiste de base dos EUA em território brasileiro

Militares acreditam que chanceler Ernesto Araújo sugeriu medida para o presidente

Militares acreditam que chanceler Ernesto Araújo sugeriu medida para o presidente


MARCELO CAMARGO/ABR/JC

Em mais um recuo após a má repercussão da ideia, o presidente Jair Bolsonaro fez chegar aos comandantes militares e oficiais generais da cúpula das Forças Armadas a informação de que não haverá nenhuma base norte-americana instalada no Brasil durante seu mandato. Segundo a Folha de S.Paulo, a mensagem foi passada pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Bolsonaro havia citado a possibilidade da instalação de uma base dos EUA - país com o qual vem se aproximando desde que foi eleito - durante entrevista ao SBT na semana passada. Seu chanceler, Ernesto Araújo, confirmou a intenção na sequência. A possibilidade foi elogiada, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que esteve na posse do presidente no dia 1 de janeiro.

A declaração pegou os militares de surpresa, ainda mais vinda de um egresso das fileiras do Exército conhecido pela retórica nacionalista. O Alto Comando do Exército, centro de gravidade do poder militar brasileiro, expressou seu descontentamento em conversas de seus membros - os generais de quatro estrelas, topo da hierarquia. Azevedo e Silva, que foi do colegiado e hoje está na reserva, conversou com Bolsonaro.

Os EUA possuem mais de 800 bases em cerca de 80 países, mas nenhuma ativa na América do Sul. No Brasil, a simples ideia de haver militares norte-americanos instalados permanentemente causa desconforto no alto oficialato. A ideia da base contraria os princípios de soberania e busca de meios de autodefesa estabelecidos pela Política Nacional de Defesa e pela Estratégia Nacional de Defesa.

Mesmo que prosperasse, ela precisaria de autorização do Congresso, após o presidente consultar o Conselho Nacional de Defesa. O Brasil só abrigou militares dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, o regime de Getúlio Vargas cedeu áreas em Natal para operações aeronavais aliadas no Atlântico, em troca de favorecimento político e econômico.

Outra preocupação levantada pelos militares diz respeito a precedentes. A Rússia conversa, há anos, com o governo da Venezuela sobre instalar uma base na costa caribenha do país, e poderia se sentir estimulada por um movimento do gênero do Brasil. De quebra, uma base russa cairia como uma luva para o acossado governo de Nicolás Maduro.

A sugestão de Bolsonaro também causou preocupação na Força Aérea Brasileira, mediadora das negociações para o estabelecimento de um acordo com os norte-americanos para o uso comercial da Base de Alcântara, que tem uma das melhores posições geográficas para lançamento de foguetes do mundo. O temor era que a discussão de uma outra base fosse levada ao Congresso, confundindo com o papel da base de foguetes, totalmente diverso, melando o acordo.

Sem o apoio e sem ter ouvido o alto comando das Forças Armadas, recai sobre o chanceler Ernesto Araújo a suspeita sobre quem deu a ideia ao presidente. Fã declarado do governo Donald Trump, o ministro das Relações Exteriores considera o presidente norte-americano um líder no embate entre os valores ocidentais e o globalismo.

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