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Porto Alegre, sexta-feira, 04 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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Venezuela

04/01/2019 - 18h32min. Alterada em 04/01 às 19h21min

Envio de bombardeiros russos à Venezuela reafirma desrespeito à crise nacional, apontam analistas

Ministro da Defesa venezuelano Vladimir Padrino (segundo, da esq. para a dir.) recepciona pilotos russos

Ministro da Defesa venezuelano Vladimir Padrino (segundo, da esq. para a dir.) recepciona pilotos russos


FEDERICO PARRA / AFP/JC
Gustavo Arias Retana, Site Diálogo
Os venezuelanos vivem momentos turbulentos, devido à grave crise que seu país enfrenta, e milhares de cidadãos fogem em busca de acesso às condições mínimas de saúde e alimentação. Por outro lado, o governo de Nicolás Maduro concentra suas forças para demonstrar que a Rússia é sua aliada, fato do qual o país euroasiático se aproveita para projetar seu poder militar na região latino-americana.
Uma cidadã venezuelana entra em uma cabine eleitoral em Caracas durante as eleições municipais na Venezuela, no dia 9 de dezembro de 2018. Foi proibida a participação dos partidos de oposição nas eleições, o que gerou um baixo comparecimento de eleitores, um mês antes de Nicolás Maduro iniciar seu segundo mandato (2019-2025), depois de vencer uma eleição considerada ilegítima pela oposição política e que não foi reconhecida pela União Europeia, pelos Estados Unidos e pela maior parte da América Latina. 
A última demonstração do desinteresse, tanto das autoridades venezuelanas como das russas, pelas necessidades do povo venezuelano foi o envio de dois bombardeiros supersônicos russos Tu-160 à Venezuela, no dia 10 de dezembro de 2018. Segundo Carlos Murillo, analista internacional da Universidade Nacional da Costa Rica, Maduro busca ostentar a imagem de que tem o respaldo de um aliado militar importante, sem se importar com o descontentamento ou com os problemas por que passa a população do seu país.
“Com a chegada de Iván Duque (presidente da Colômbia) e de Jair Bolsonaro (presidente do Brasil) ao poder, Maduro teme que haja mais pressão contra seu regime”, garantiu Murillo à Diálogo. “Ele precisa urgentemente encontrar o respaldo de um parceiro importante que desencoraje os vizinhos, mas essa é também uma mensagem à oposição interna para mostrar que tem amigos poderosos que o apoiam.”
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Cidadã venezuelana entra em uma cabine eleitoral em Caracas durante as eleições municipais de dezembro de 2018. Foto: Yuri Cortez, AFP

Uma análise similar é feita por Alejandro Barahona, membro da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nacional da Costa Rica, que garantiu que a chegada dos aviões militares aumentará o descontentamento contra o regime. “Existem outros países que suprem as necessidades dos venezuelanos, especialmente daqueles que se encontram em condições de emigrantes em toda a América Latina”, acrescentou Barahona.
A recém-concluída missão humanitária Promessa Duradoura 2018 dos Estados Unidos é um exemplo do compromisso dos EUA com seus aliados e parceiros na região. O Comando Sul dos EUA patrocinou a missão do navio-hospital da Marinha dos EUA USNS Comfort, que fez escalas programadas no Equador, no Peru, na Colômbia e em Honduras durante 11 semanas, entre outubro e dezembro de 2018, para levar assistência humanitária às populações necessitadas das nações parceiras e aliviar a pressão sobre os sistemas médicos nacionais, devida em parte ao aumento da migração de venezuelanos em seus territórios.
Em função da proximidade com a Venezuela, o navio-hospital fez duas escalas no Caribe colombiano, em Turbo, Antióquia, e em Riohacha, La Guajira. Centenas de técnicos e especialistas médicos militares e civis da Colômbia, dos Estados Unidos, da Argentina, do Reino Unido e do Chile atenderam pacientes necessitados colombianos, bem como os migrantes venezuelanos que precisavam de cirurgias, tratamento médico em geral, medicina preventiva, exames odontológicos, serviços dermatológicos e de optometria, entre outros.
“O enfoque dos Estados Unidos na região difere do enfoque da Rússia. Em meio à tragédia, a Rússia envia bombardeiros à Venezuela e nós enviamos um navio-hospital. O mais importante aqui é que estamos ao lado do povo venezuelano nesse momento de necessidade, e isso é o que o USNS Comfort simboliza”, disse à imprensa o Coronel do Exército dos EUA Robert Manning, porta-voz do Departamento de Defesa, sobre o impacto dessa missão para os venezuelanos que vivem na Colômbia.
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Policial colombiano verifica documentos de migrantes venezuelanos em Villa del Rosario, na fronteira com a Venezuela. Foto: Schneyder Mendoza/AFP

Um policial colombiano verifica os documentos de migrantes venezuelanos no município de Villa del Rosario, na fronteira com a Venezuela, no dia 11 de dezembro de 2018. A Colômbia não será “provocada” pelos exercícios de defesa venezuelanos com o apoio da Rússia, disse o ministro da Defesa colombiano Guillermo Botero, com a chegada, no dia anterior, de aeronaves russas de combate no território venezuelano. 
Além dos bombardeiros Tu-160, a Rússia também enviou à Venezuela uma aeronave de transporte militar An-14 e uma IL-62. A chegada dos militares russos aconteceu logo após a visita de Nicolás Maduro a Moscou, no início de dezembro de 2018, quando foram anunciados supostos investimentos russos de US$ 6 bilhões nos setores venezuelanos de petróleo e mineração.
Após a chegada dos bombardeiros, circularam informações nas redes sociais e na imprensa russa de que a nação euroasiática construiria uma base militar na ilha venezuelana La Orchila. No entanto, a informação foi desmentida pelo número dois do regime chavista Diosdado Cabello, em uma sessão da Assembleia Nacional Constituinte. Cabello aproveitou a ocasião para dizer “eu gostaria que isso fosse verdade. Não uma, mas duas, três, quatro, dez (bases militares russas)”. A Constituição Política da Venezuela proíbe a instalação de bases militares de países estrangeiros em solo venezuelano.

A Rússia se aproveita da crise

Tanto Murillo quanto Barahona acham que a Rússia tem pouco interesse nos problemas venezuelanos. Seu interesse é potencializar sua posição internacional e conquistar espaço militar na América Latina, uma região onde tem poucos aliados estratégicos.
“No confronto entre grandes superpotências, Moscou necessita manter uma pressão maior na América Latina, uma região onde, além disso, a presença chinesa vem crescendo com rapidez, e a Rússia vê nas relações com Caracas a oportunidade de mostrar sua projeção global e dizer aos seus parceiros latino-americanos que também tem interesses na região, que não se limita apenas à Europa e à sua vizinhança próxima”, disse Murillo.
“Do ponto de vista estratégico, é necessário considerar que a Rússia, tanto quanto a China, estão aprofundando a fase de projeção militar de sua etapa de aspiração hegemônica.”
Para Barahona, é claro que a forma russa de se apresentar à região é mais de ameaça do que de cooperação. Não há uma presença cordial para os vizinhos da Venezuela, que já passam por conflitos devido ao êxodo humano provocado pelo governo de Maduro.
“A aliança entre a Rússia e a Venezuela é um gesto não apenas pouco amistoso, mas também ameaçador para os demais países da região, o que pode causar uma nova corrida armamentista ou até mesmo uma polarização militar na América Latina. São situações que inclusive podem explicar as alianças nos organismos multilaterais, como o Sistema das Nações Unidas”, concluiu.
Há uma nítida falta de empatia do regime de Maduro pela situação que os venezuelanos vêm enfrentando, tanto dentro quanto fora do país. Enquanto o povo clama por ajuda, o governo da Venezuela, lado a lado com a Rússia, responde com uma demonstração militar que provoca a região e que faz lembrar aos venezuelanos que há muito tempo o povo deixou de ser importante para o chavismo.
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