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Estados Unidos

Edição impressa de 28/12/2018. Alterada em 28/12 às 01h00min

Trump visita base aérea no Iraque

Ao lado da primeira-dama, Melania, Trump justificou a retirada das tropas na Síria

Ao lado da primeira-dama, Melania, Trump justificou a retirada das tropas na Síria


SAUL LOEB/AFP/JC
Menos de uma semana depois de determinar a retirada dos soldados norte-americanos da Síria e causar uma revolta interna nos departamentos de segurança nacional que levou ao pedido de demissão do secretário de Defesa, James Mattis, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma visita surpresa a uma base aérea do país no Iraque. Ele defendeu a manutenção das tropas norte-americanas no país caso seja necessário agir na Síria. Os EUA mantêm 5,2 mil soldados no oeste iraquiano, perto da fronteira.
"Não podemos mais ser a polícia do mundo. Não queremos mais ser explorados por países que nos usam e usam nossos militares incríveis para protegê-los. Eles não pagam por isso e vão ter que pagar", disse Trump a generais na base aérea de Al Asad, 180 quilômetros a Oeste de Bagdá, onde ele, a primeira-dama, Melania Trump, e o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, passaram três horas com soldados. "Na verdade, poderíamos usar nossos soldados nesta base e nossos recursos no Iraque se quiséssemos fazer algo na Síria."
Visitar as tropas no exterior é uma tradição mantida pelos presidentes dos EUA. George W. Bush serviu o peru de Ação de Graças aos soldados em Bagdá em 2003, nos primeiros dias da Guerra do Iraque. Barack Obama voou para Bagdá em abril de 2009, quatro meses depois de sua posse. Ele visitou o Afeganistão quatro vezes enquanto estava no cargo.
Trump ainda não havia visitado soldados alocados fora do território norte-americano, em dois anos de governo, o que lhe rendeu enormes críticas. Ao discursar em sua primeira visita, defendeu a decisão de retirar os 2 mil soldados que estão na Síria e reduzir pela metade o contingente militar no Afeganistão. "É um desperdício ficarmos tanto tempo aqui, e lamentável que minha visita ainda exija tanto esforço de segurança", disse.
Há uma semana, Trump anunciou que os EUA haviam derrotado o Estado Islâmico (EI), e a presença militar do país na Síria não era mais necessária. A decisão de retirar as tropas do país foi criticada por vários políticos, tanto da situação quanto da oposição. Eles temem que o vácuo deixado pela retirada facilite o ressurgimento do EI e, ao mesmo tempo, deixe desamparados os aliados norte-americanos que ajudaram no combate ao grupo, como os curdos.
No dia seguinte ao anúncio da retirada da Síria, Trump ordenou ao Departamento de Defesa que retire quase metade dos mais de 14 mil soldados enviados para o Afeganistão, apesar das advertências de seus principais assessores e oficiais militares de que a medida poderia estimular o terrorismo. As autoridades alertaram que, na ausência de um acordo de paz com o Talibã, o Afeganistão pode entrar em colapso depois de uma retirada precipitada.
 
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