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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Europa

Edição impressa de 17/12/2018. Alterada em 17/12 às 01h00min

Criação de um exército da União Europeia vira arma política

Até ser entrincheirado por protestos contra seu governo, o presidente francês, Emmanuel Macron, buscava projeção como líder na Europa defendendo a ideia de um Exército continental. Mesmo longe de se concretizar, a proposta ganhou defensores de diferentes espectros ideológicos e irritou Donald Trump, que comanda a maior potência militar do mundo.
Em Berlim, a proposta de Macron foi apoiada pela chanceler, Angela Merkel, de quem o presidente francês pretende herdar o papel de liderança após a saída dela do cenário político, até 2021. Em discurso ao Parlamento Europeu, Merkel afirmou que um Exército comum mostraria ao mundo que nunca mais haverá uma guerra no continente.
Por trás desse discurso, segundo o especialista em segurança europeia do Institute for Strategic Research, Pierre Harouche, está a mensagem de que a Alemanha de Merkel tem um "compromisso político" com a integração europeia. "Não significa que a Alemanha vá apresentar um plano concreto tão cedo", disse Harouche.
Merkel reconheceu que a Europa enfrenta vários obstáculos logísticos para construir uma integração militar e de defesa mais ampla. Um deles são os diferentes sistemas de armas no bloco - informações estratégicas que Estados-membros estão longe de querer compartilhar. Segundo levantamento da revista Forbes, a União Europeia (UE) tem seis vezes mais sistemas de armas em serviço do que os EUA. Como exemplo, a UE tem 17 tipos de tanques de guerra, como o Leclerc (França), o Leopard 2 (Alemanha) e o PT-91 (Polônia).
Mesmo assim, Merkel reforçou o argumento do presidente francês de que a UE precisa buscar essa integração, uma vez que já não pode contar com os EUA. A preocupação é justificável, segundo Harouche, já que as declarações do presidente norte-americano têm mostrado que o compromisso dos EUA com a Europa não é mais confiável. Além disso, os EUA têm cada vez mais direcionando seu foco para a Ásia.
Menos integracionista, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, também se manifestou em favor do Exército comum europeu. Mas, diferentemente de Merkel, a mensagem em seu discurso é voltada para seus eleitores. Segundo Harouche, para Orban o Exército europeu significa promover a militarização das fronteiras com o objetivo de deter imigrantes.
 
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