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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de dezembro de 2018.
Dia Internacional dos Voluntários.

Jornal do Comércio

Internacional

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Manifestações

Edição impressa de 05/12/2018. Alterada em 05/12 às 01h00min

Concessão a coletes amarelos custará ¤ 2 bilhões à França

'Nenhum imposto pode colocar a unidade da nação em perigo', anunciou Philippe

'Nenhum imposto pode colocar a unidade da nação em perigo', anunciou Philippe


LUDOVIC MARIN/AFP/JC
A suspensão do aumento nos impostos sobre os combustíveis, anunciada pelo governo francês para apaziguar as manifestações dos coletes amarelos, custará € 2 bilhões aos cofres públicos. Esse buraco nas finanças será financiado por um corte de gastos do orçamento governamental para que o déficit orçamentário não se desvie da meta de 2,8% em 2019.
Ontem, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, anunciou um adiamento de seis meses no aumento dos impostos sobre a gasolina e o diesel, que entrariam em vigor a partir de janeiro. "Nenhum imposto pode colocar a unidade da nação em perigo", explicou. "Alguém precisaria ser surdo e cego para não ver e não ouvir a raiva", afirmou Philippe, dizendo que o sentimento veio da "França que trabalha, e trabalha muito, e está tendo problemas em encontrar seus objetivos".
Além da suspensão do aumento, o governo vai adiar uma nova inspeção veicular e os aumentos dos tributos sobre o gás e a eletricidade. Mas não se sabe se isso será o suficiente para acalmar os ânimos dos franceses. As reações iniciais dos manifestantes após o anúncio do primeiro-ministro foram negativas.
"Não estamos satisfeitos, porque os franceses têm lutado por anos", disse a um canal de televisão Benjamin Cauchy, um dos porta-vozes do movimento. "Isso poderia ter sido feito semanas atrás, e teríamos evitado todos esses problemas. Nossas demandas são muito maiores que essa moratória. Eles precisam parar de atingir as carteiras dos que ganham pouco. Queremos uma melhor distribuição de riqueza, aumentos salariais. É sobre toda a baguete, e não migalhas."
Lionel Cucchi, outro porta-voz do movimento, disse que os manifestantes estão preparados para continuar. "Não há garantia de que (o imposto) não vai voltar em seis meses", disse. "Haverá protestos. Nós continuaremos mobilizados."
As medidas foram uma resposta do governo da França às manifestações dos coletes amarelos, que, desde 17 de novembro, tomaram as ruas do país, em protestos que deixaram três mortos e mais de 400 feridos. O grupo se diz apartidário e sem ligação com candidatos.
Entre as demandas dos protestos estavam melhores condições de vida e o abandono do aumento do imposto sobre os combustíveis, criado para desestimular o uso de combustíveis fósseis, uma das agendas verdes da gestão.
O recuo é visto como um ponto decisivo para o governo do presidente Emmanuel Macron, que assumiu o cargo em maio de 2017. Ao contrário de seus antecessores, o francês havia ficado conhecido por não ceder a pressões populares.
 

Administração de Emmanuel Macron tem recorde negativo de aprovação

As taxas de aprovação do presidente Emmanuel Macron atingiram um novo recorde negativo em razão da forma como o governo tratou os protestos dos coletes amarelos, segundo uma pesquisa conduzida pelo Ifop-Fiducial e divulgada ontem pela revista Paris Match e pela Sud Radio. O total de franceses que apoiam o presidente caiu para 23%, de acordo com o levantamento feito na semana passada, seis pontos percentuais abaixo do registrado no mês passado. Já os que veem como positiva a condução política do primeiro-ministro Édouard Philippe caíram dez pontos, ficando em 26%.

Os índices do presidente são iguais aos registrados por seu antecessor, François Hollande, em 2013, segundo a Paris Match. Hollande, na época, era considerado o mais impopular presidente da história moderna da França.

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