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ciência

Alterada em 03/10 às 09h19min

Cientistas que usaram evolução para criar proteínas ganham Nobel de Química

Folhapress
O Nobel de Química de 2018 foi para três pesquisadores, pelo aproveitamento do poder da evolução. Os vencedores foram Frances H. Arnold, dos EUA, George P. Smith, também dos EUA e Gregory P. Winter, do Reino Unido. O anúncio dos vencedores foi feito na manhã desta quarta (3), na Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia.
No anúncio da láurea, foi destacado o papel dos pesquisadores em conseguirem levar a evolução para os tubos de ensaio, tornando o processo mais rápido e fácil. Os cientistas conseguiram utilizar alterações e seleção genética para o desenvolvimento de proteínas que ajudaram a solucionar alguns dos problemas químicos da sociedade.
Metade da premiação em dinheiro será de Frances Arnold, responsável, em 1993, pela primeira evolução direta de enzimas --proteínas que catalisam, ou seja, facilitam reações químicas.
A pesquisa de Arnold, cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, possibilita atualmente a produção de substâncias químicas mais amigáveis do ponto de vista ambiental além da possibilidade de desenvolvimento de combustíveis renováveis menos poluentes. Arnold é a quinta mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Química. A última vencedora foi Ada E. Yonath, em 2009.
A outra metade do prêmio será dividida entre George Smith, da Universidade do Missouri, e Gregory Winter, do MRC Laboratório de Biologia Molecular. Smith é responsável pelo desenvolvimento, 1985, de um mecanismo no qual um bacteriófago --vírus que infecta bactérias-- é usado para criar novas proteínas.
Winter, por sua vez, usou esse mecanismo para a evolução direta de anticorpos, o que já resultou em novas drogas. O primeiro medicamento a ser produzido a partir desse método - o adalimumab - foi aprovado em 2002 e é usado para o tratamento de artrite reumatoide, psoríase e doença inflamatória intestinal.
O mesmo mecanismo já possibilita hoje a criação de anticorpos que podem neutralizar toxinas, frear doenças do sistema imune e até mesmo curar câncer metastático.
A premiação para cada categoria do Nobel é de 9 milhões de coroas suecas --valor equivalente a cerca de R$ 4 milhões. Além disso, os vencedores também ganham uma medalha com a silhueta de Alfred Nobel e um diploma.
A láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos, segundo o testamento de Nobel (1833-1896).
Para a nomeação para o prêmio, o Comitê do Nobel para Química envia fichas confidenciais para pesquisadores qualificados - como membros da Academia Real Sueca de Ciências e laureados anteriores nas áreas de física e química - fazerem indicações. Ninguém pode indicar a si mesmo.
A partir dos nomes indicados, a academia selecionada os laureados. A láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos, segundo o testamento de Alfred Nobel (1833-1896).
A química era a ciência de maior importância no trabalho de Nobel, inventor da dinamite. Ele também foi responsável pelo desenvolvimento de borracha e couro sintéticos e seda artificial. Nobel registrou 355 patentes em seus 63 anos de vida.
No Prêmio Nobel de Medicina deste ano, James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo foram laureados por suas pesquisas relacionadas à imunoterapia--drogas que potencializam o sistema imune contra o câncer.
Trata-se de um novo pilar no combate à doença, junto à quimio e radioterapia e cirurgia.
Enquanto isso, o Nobel de Física premiou as pesquisas com laser do americano Arthur Ashkin, do francês Gérard Mourou e da canadense Donna Strickland - terceira mulher a vencer o prêmio de física. Antes dela, foram premiadas Marie Curie (1903) e Maria Goeppert-Mayer (1963).
Em 2017, o Nobel de Química premiou pesquisas de criomicroscopia eletrônica, processo pelo qual é possível congelar moléculas em meio a processos bioquímicos. Dessa forma, é possível ver com maior precisão a superfície delas e o funcionamento do organismo. Trata-se de uma fotografia da vida.
Os últimos premiados da área foram Jacques Dubochet, da Universidade de Lausanne, Joachim Frank, da Universidade Columbia e Richard Henderson, da Universidade de Cambridge.
Se na premiação de física deste ano, pela terceira vez na história, uma mulher recebeu a láurea da área,na química a situação não é muito melhor.Desde 1901 - primeiro ano da cerimônia -, o prêmio só acabou quatro vezes nas mãos de mulheres. A quinta ocorreu neste ano. Além de Frances Arnold e Ada Yonath, já receberam a láurea Marie Curie, Irène Joliot-Curie e Dorothy Crowfoot Hodgkin.
Na história do Nobel, em oito ocasiões, devido às duas guerras mundiais, a láurea de química não foi entregue--1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942.
Entre as pesquisas já premiadas estão a descoberta e trabalho com elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie, 1911) e a pesquisa sobre ligações químicas (Linus Pauling- 1954). Com a entrega do prêmio de química, agora restam as láureas da paz, a ser entregue nesta sexta (5), e de economia, que será divulgada na segunda-feira (8).
Por conta de uma série de denúncias e escândalos, a Academia Sueca anunciou que o Nobel de Literatura de 2018 não será entregue. A premiação de 2019 também corre risco de não ocorrer.
Em novembro de 2017, o jornal Dagens Nyheter informou que pelo menos 18 mulheres acusavam Jean-Claude Arnault - importante figura no meio cultural sueco - de assédio e agressão sexual. O homem é casado com uma membro da academia, a poeta Katarina Frostenson. Ambos são dirigentes de um clube cultural chamado Fórum, que recebia verbas da Academia Sueca.
Segundo o jornal, as agressões de Arnault a mulheres teriam ocorrido, nos últimos 20 anos, no clube e em imóveis de propriedade da Academia, em Estocolmo e Paris. O escândalo, de acordo com o Dagens Nyheter, também envolve sete vazamentos do ganhador do Nobel de Literatura, desde 1996.
Na segunda (1º), a Justiça Suíça condenou Arnault a dois anos de prisão por estupro --ele era julgado por dois casos, mas foi condenado apenas em um deles.
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