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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Venezuela

Edição impressa de 12/09/2018. Alterada em 12/09 às 01h00min

ONU exigirá entrada de ajuda humanitária na Venezuela

Falta de alimentos e remédios fez aumentar a desnutrição, em especial entre crianças

Falta de alimentos e remédios fez aumentar a desnutrição, em especial entre crianças


JUAN BARRETO/AFP/JC
Uma resolução sobre a Venezuela que deve ser colocada em votação no Conselho de Direitos Humanos na Organização das Nações Unidas (ONU) determinará que Caracas abra o país para a entrada de ajuda humanitária. Um rascunho do projeto obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo revela que um dos principais objetivos do texto é forçar instâncias internacionais a monitorarem de forma permanente a situação no país.
De acordo com o texto, as nações participantes estabelecem que "o governo da Venezuela abra suas portas para a assistência humanitária para lidar com a falta de alimentos e remédios, o aumento da desnutrição - em especial, entre crianças - e o surto de doenças que haviam sido previamente erradicadas ou estavam sob controle na América do Sul".
Pelo rascunho do texto, a ONU fica instruída a produzir periodicamente relatórios sobre a situação de violações na Venezuela e levar o assunto de forma constante ao debate no Conselho, assim como situações vividas pelo governo de Síria, Burundi e Mianmar.
Entre os autores da proposta, poucos têm ilusões de que o texto faça Nicolás Maduro mudar seu posicionamento. Mas, se aprovada, a pressão sobre o presidente será incrementada, assim como seu isolamento político.
Ontem, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, criticou o uso dos direitos humanos como uma "arma" para justificar uma possível intervenção no país. Segundo Arreaza, a assistência humanitária é "cínica". "Eles nos enforcam e depois querem nos salvar", destacou, apontando as sanções norte-americanas e europeias como a razão pela crise enfrentada pelo país. "Estamos em uma guerra econômica." Ele ainda afirmou que, apesar da crise, seu governo garante educação, saúde e alimentos aos venezuelanos.
Em nome do Grupo de Lima - criado em agosto por 17 países a fim de criar uma saída pacífica para a crise na Venezuela -, a diplomacia do Peru explicou em discurso que a resolução foi apresentada pois a Venezuela não demonstra sinais de que as violações estejam sendo resolvidas. "Nossos países já expuseram preocupação sobre a Venezuela, onde não há sinais de melhoria", alertou Claudio Julio de la Puente Ribeyro, representante de Lima. "Os venezuelanos continuam abandonando seu país", afirmou.
Socorro Flores Liera, representante do México, também criticou a situação. "Lamentamos que o governo negue a realidade e que continue se recusando a cooperar. Isso levou um grupo de países a pedir que o Conselho de Direitos Humanos intervenha", disse. Governos como o da Suíça e o da Áustria, falando em nome dos europeus, também denunciaram violações.
Ao ler a declaração, a diplomacia peruana citou os países que faziam parte da iniciativa. O Brasil ficou de fora, conforme o jornal O Estado de S. Paulo revelou na semana passada. O Itamaraty, porém, indicou que, se a resolução for colocada em votação, apoiará o texto.
Momentos depois de o Peru falar, a embaixadora brasileira, Maria Nazareth Farani Azevedo, tomou a palavra, mas não mencionou a situação.
 

Ao menos 3,7 milhões de pessoas passam fome

Dados divulgados na segunda-feira por agências da ONU apontam que a crise na Venezuela deixou 3,7 milhões de pessoas passando fome. Em 2011, eram 900 mil famintos - número quatro vezes menor.

A informação coincide com uma ofensiva que o governo chavista faz no exterior para desmentir que o país viva uma crise humanitária, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

A ofensiva inclui encontros com governos aliados para impedir a aprovação de resoluções contra o governo de Nicolás Maduro usando o argumento de que a situação está sendo manipulada para "justificar uma intervenção" estrangeira no país. Nos bastidores, o Grupo de Lima tenta conseguir votos para condenar Caracas no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo a FAO, agência da ONU especializada em alimentação e agricultura, a proporção da população desnutrida na Venezuela caiu de 10,5%, em 2005, para 3,6% em 2011. Mas, desde então, a alta foi constante. Hoje, o número é de 11,7%.

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Comentários
Gilson alves feitosa 12/09/2018 01h44min
Acho bom muito bom