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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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América do Sul

Edição impressa de 10/09/2018. Alterada em 10/09 às 01h00min

EUA discutiu golpe com venezuelanos

Com informações da Folhapress
Reuniões secretas do governo norte-americano com militares da Venezuela foram realizadas ao longo do último ano, nas quais foram discutidos planos para depor o presidente Nicolás Maduro. As informações foram publicadas pelo jornal The New York Times (NYT), que citou como fontes autoridades dos EUA e um ex-comandante militar venezuelano.
Um dos comandantes venezuelanos envolvidos nas conversações secretas não era a figura ideal para ajudar a restaurar a democracia no país sul-americano, já que está na lista do governo norte-americano de autoridades corruptas na Venezuela que sofreram sanções. Esse foi um dos motivos do cancelamento das conversas, segundo uma das fontes.
Tanto esse comandante quanto outras autoridades de Defesa da Venezuela foram acusados por Washington de uma ampla gama de crimes graves, incluindo tortura de críticos do governo, prisão de presos políticos, tráfico de drogas e colaboração com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), uma organização considerada terrorista pelos Estados Unidos.
A Casa Branca se negou a dar detalhes sobre os encontros, porém disse que foi importante abrir "um diálogo com todos os venezuelanos que demonstram um desejo de democracia", com o intuito de "promover mudanças positivas num país que já sofreu tanto sob o governo de Maduro".
Mas a disposição do presidente Donald Trump de reunir-se várias vezes com oficiais amotinados e dispostos a derrubar um presidente da região pode ter efeito político inverso ao desejado. A maioria dos líderes latino-americanos concorda que Maduro está cada vez mais autoritário e destruiu efetivamente a economia de seu país, levando à escassez aguda de alimentos e remédios.
O colapso levou a um êxodo de venezuelanos desesperados que sobrecarregam países vizinhos. Mesmo assim, Maduro se justifica dizendo que imperialistas de Washington tentam ativamente afastá-lo. As negociações secretas podem agora lhe servir de munição para enfraquecer a posição regional quase unida contra ele.
As fontes ouvidas pelo NYT afirmaram que militares venezuelanos buscaram acesso direto ao governo anterior, de Barack Obama, mas foram rejeitados. Então, em agosto de 2017, Trump disse que os EUA tinham uma "opção militar" para a Venezuela.

Reuniões secretas debateram apoio material à ação

Em uma série de reuniões secretas, que começaram no ano passado e continuaram neste ano, os venezuelanos disseram aos EUA que representavam algumas centenas de membros das Forças Armadas que estavam fartos do autoritarismo de Maduro. Os militares pediram rádios encriptados, citando a necessidade de se comunicarem em sigilo enquanto desenvolviam um plano para instalar um governo de transição até o momento em que fosse possível promover eleições.

Os norte-americanos não deram apoio material, e os planos dos golpistas fracassaram após uma onda recente de prisões de conspiradores. As relações entre os EUA e a Venezuela estão tensas há anos. Nenhum dos dois têm embaixador no outro país desde 2010. Quando Trump chegou ao poder, em 2017, a Casa Branca intensificou sanções contra altos funcionários, incluindo o próprio Maduro, seu vice e outros.

O relato sobre as reuniões clandestinas foi traçado a partir de entrevistas com 11 antigos e atuais funcionários dos EUA, além do ex-comandante venezuelano. Este disse que ao menos três grupos distintos dentro das Forças Armadas conspiraram contra Maduro.

Maduro financia voo de volta de cidadãos que imigraram

Na semana passada, outros 92 imigrantes embarcaram no Equador

Na semana passada, outros 92 imigrantes embarcaram no Equador


/CRISTINA VEIGA/AFP/JC

Um voo que partiu de Lima, no Peru, sábado, em direção a Caracas, na Venezuela, levou de volta para casa 90 venezuelanos, entre eles doentes, mulheres grávidas e crianças. O retorno atípico foi financiado pela gestão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, e as autoridades peruanas o descreveram como "operação de propaganda" para tentar encobrir a crise humanitária que o país sul-americano está vivenciando.

Venezuelanos entrevistados durante a semana, enquanto realizavam os procedimentos para retornar ao país natal, indicaram que a decisão não era fácil, mas era melhor estar na Venezuela, onde tinham uma rede familiar que poderia ajudá-los.

O Peru tem uma taxa de informalidade de trabalho superior a 70% e, de acordo com pesquisas da Organização Internacional para as Migrações, 85% dos venezuelanos que emigraram para o país estão trabalhando em condições informais. Este foi o terceiro voo do plano de retorno de imigrantes do governo venezuelano chamado "Regresso à pátria". O primeiro saiu do Peru em 28 de agosto, com 89 pessoas. Outro voo semelhante foi feito a partir do Equador na quarta-feira, com 92 imigrantes.

Sobre a "operação de propaganda", o vice-ministro do exterior peruano, Hugo de Zela, afirmou que a viagem de sábado corresponde "mais ou menos ao número de venezuelanos que, na taxa atual, chega ao Peru em meia hora". O Peru tem mais de 414 mil venezuelanos, de acordo com as autoridades de imigração do país.

Mais de 1,6 milhão de venezuelanos deixaram seu país desde o início de 2015 e 90% deles ficaram na América do Sul, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas. Já a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera que este é o "maior êxodo do Hemisfério Ocidental". O governo da Venezuela não reconhece esses números. Esta semana, Maduro disse que não há mais de 600 mil venezuelanos que deixaram o país e afirmou que "mais de 90% estão arrependidos".

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