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Porto Alegre, sexta-feira, 20 de julho de 2018.
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Internacional

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Israel

Edição impressa de 20/07/2018. Alterada em 20/07 às 01h00min

Lei define Israel como Estado-nação do povo judeu

Netanyahu definiu a mudança como um momento histórico do sionismo

Netanyahu definiu a mudança como um momento histórico do sionismo


MARC ISRAEL SELLEM/AFP/JC
O Parlamento de Israel aprovou nesta quinta-feira uma controversa legislação que define o país como "Estado-nação do povo judeu". Críticos alertam que a lei marginaliza minorias.
Segundo o governo, a medida apenas consagrará em lei o atual caráter de Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, definiu a mudança como um "momento importante na história do sionismo e do Estado de Israel". "Israel é o Estado-nação do povo judeu, que honra os direitos individuais de todos os seus cidadãos", declarou o premiê, ressaltando o teor da lei. "Repito que este é o nosso Estado. O Estado judeu."
Netanyahu argumentou que a aprovação da lei é consequência de tentativas de desestabilização de Israel, seus fundamentos e direitos. "Então, hoje, fizemos uma lei. Este é nosso país, esta é nossa língua, este é nosso hino e esta é nossa bandeira. Viva o Estado de Israel." Na declaração de independência do país, de 1948, Israel definiu sua natureza como um Estado judeu e democrático, e tem lutado para manter esse balanço delicado por 70 anos.
Os que se opõem à legislação dizem que se trata de uma marginalização da minoria árabe - que corresponde a cerca de 20% da população - e uma redução da importância da língua árabe - que deixa de ser oficial e passa a ter caráter "especial". A lei, aprovada por 62 votos favoráveis, 55 contrários e com abstenção de dois membros do Knesset (Parlamento de Israel), foi definida como "lei básica", com status quase constitucional. Provavelmente, a legislação enfrentará um desafio na Suprema Corte.
Os legisladores se revezaram para expressar, de maneira apaixonada, seus pontos de vista durante uma sessão de longas horas no Parlamento. Ayman Odeh, chefe da Lista Árabe Conjunta, acenou uma bandeira preta durante seu discurso, alertando para as implicações da lei. "Esta é uma lei do mal", disse, acrescentando que uma "bandeira negra paira sobre ela". "Terei que dizer aos meus filhos, junto com todos os filhos de cidades árabes da Palestina, que o Estado declarou que não nos quer aqui", afirmou Odeh posteriormente. "Ele (o Estado) aprovou uma lei de supremacia judaica e nos disse que sempre seremos cidadãos de segunda classe."
Benny Begin, filho do ex-premiê Menachem Begin e fundador do partido Likud, de Netanyahu, se absteve da votação, mas alertou para a crescente desconexão da legenda com os direitos humanos. "Esta não é uma decisão que eu esperava da liderança do Likud", argumentou.
Eugene Kontorovich, diretor de Direito Internacional do Fórum de Políticas da Kohelet, um centro de estudos conservador em Jerusalém, defendeu a legislação. Segundo ele, a lei é "semelhante a provisões em muitas Constituições democráticas ocidentais que fornecem linguagem oficial e caráter nacional da maioria da população". 
Kontorovich ainda descartou o que chamou de "falsa indignação" contra o texto, alegando que trata-se de "simplesmente mais uma tentativa de destacar o Estado judeu e colocá-lo sob regras contraditórias".
Organizações judaicas dos Estados Unidos também expressaram desaprovação. O Comitê Judaico Americano, grupo que representa a diáspora judaica, disse estar "profundamente desapontado", acrescentando que a lei "coloca em risco o compromisso dos fundadores de Israel para construir um país que seja, ao mesmo tempo, judeu e democrático".
O presidente da J Street, grupo pró-Israel liberal de Washington, Jeremy Ben-Ami, afirmou que o objetivo da legislação é "enviar uma mensagem para a comunidade árabe, a comunidade LGBT e outras minorias em Israel, de que não são e nunca serão cidadãos iguais".
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