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Porto Alegre, terça-feira, 03 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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América Latina

Notícia da edição impressa de 03/07/2018. Alterada em 03/07 às 01h00min

Com Obrador, esquerda chega pela primeira vez à presidência do México

Obrador fundou uma nova legenda, o Morena, moderou seu discurso e venceu com facilidade

Obrador fundou uma nova legenda, o Morena, moderou seu discurso e venceu com facilidade


ULISES RUIZ/AFP/JC

Andrés Manuel López Obrador (também conhecido por suas iniciais, AMLO) foi eleito domingo o novo presidente do México. Pela primeira vez, um político com experiência como líder social e olhar voltado para a esquerda governará o mais populoso país de língua espanhola, a segunda maior economia da América Latina.

A maior surpresa da noite, no entanto, veio dos rivais. Em apenas 45 minutos, sem qualquer anúncio oficial do Instituto Nacional Eleitoral, os adversários reconheceram a derrota.

A apuração provisória dava a Obrador 53,8% dos votos, uma larga vantagem sobre Ricardo Anaya, do Partido da Ação Nacional (PAN), com 22%, e José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), com 16%. Ambas as siglas se revezavam há mais de 100 anos no poder.

Durante os sete meses de campanha, Obrador, de 64 anos, liderou com folga as pesquisas. Essa foi a terceira vez que disputou a presidência. Em 2006, ele perdeu para Felipe
Calderón, do PAN, que declarou guerra às drogas e, até hoje, é responsabilizado pela disparada da violência no país. Em 2012, foi derrotado pelo atual presidente,
Enrique Peña Nieto, do PRI, envolvido em escândalos de corrupção e muito criticado por não jogar duro com o presidente norte-americano, Donald Trump.

Com a imagem dos partidos tradicionais no chão, Obrador fundou uma nova legenda, o Movimento da Regeneração Nacional (Morena), e moderou seu discurso.

Mesmo tendo 30 anos de carreira política - foi prefeito da Cidade do México de 2000 a 2005, com bom índice de aprovação -, conseguiu se colocar como candidato contrário ao establishment, uma posição confortável para surfar na onda de insatisfação popular.

A economia mexicana dá sinais de esgotamento. O peso vem perdendo valor, a inflação está em alta e a desigualdade, crescendo. Os índices de violência são alarmantes, o poder dos cartéis está em expansão e a população reclama da corrupção.

Um de seus desafios será lidar com Trump. Ontem, ambos conversaram por cerca de 30 minutos ao telefone. "Acho que a relação vai ser muito boa. Tivemos uma ótima conversa. Acho que vai tentar nos ajudar com a fronteira", afirmou Trump sobre um dos pontos de maior discórdia na relação entre os países: a construção de um muro na fronteira entre EUA e México.

Já Obrador informou que propôs "a análise de um acordo global, projetos de desenvolvimento que gerem empregos no México e, paralelamente, reduzam a migração e melhorem a segurança".

Além disso, Obrador afirmou apoiar a obtenção de um acordo na renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) com EUA e Canadá. No momento, as conversas estão paralisadas devido a demandas do governo Trump.

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