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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de junho de 2018.
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Internacional

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Imigração

Notícia da edição impressa de 28/06/2018. Alterada em 28/06 às 01h00min

Burocracia barra reencontro de famílias do Brasil nos EUA

Detidos na fronteira com o México são separados de familiares

Detidos na fronteira com o México são separados de familiares


JJOHN MOORE/GETTY IMAGES/AFP/JC
Famílias brasileiras que foram separadas de crianças na fronteira dos Estados Unidos com o México estão penando para conseguir se reunir novamente, apesar da ordem do presidente Donald Trump. As exigências dos abrigos incluem colher as digitais de todos os que irão conviver com os menores nos Estados Unidos (para verificar antecedentes criminais), visitar a futura casa, pedir comprovantes de renda e de casamento.
"Estamos tentando há dez dias, e nada. Um dos funcionários se referiu a nós como 'pain in the neck' (expressão similar a algo como 'um chute no saco')", diz a advogada
Annelise Araújo, que representa a família de três irmãos que estão em um abrigo no Arizona. As crianças - de oito, dez e 17 anos - pretendem se reunir com um tio e uma tia que estão em Massachusetts, do outro lado do país - a cerca de 4 mil quilômetros de distância.
A mãe, presa pela patrulha da fronteira, não sabe quando será solta e já deu autorização expressa para que os filhos sejam reunidos à tia. Apesar disso, levou uma semana para tomarem as digitais da família. "O mais frustrante não é que esse processo esteja sendo feito. Mas, nessa situação, a mãe já autorizou expressamente que as crianças fossem entregues à família. Não deveria haver toda essa burocracia", diz Annelise.
O governo norte-americano argumenta que as medidas são precauções estabelecidas em lei para combater o tráfico de pessoas - no passado, crianças estrangeiras foram entregues a traficantes que haviam sido apontados como amigos da família pelos próprios pais. Por isso, o processo ficou mais exigente. Até agora, pelo menos 51 crianças brasileiras foram separadas de seus pais ao atravessar a fronteira. Em todo o país, cerca de 2,3 mil menores estão na mesma condição.
Outro ponto que impede a reunião de pais e filhos é a demora do processo de asilo. Muitos dos adultos detidos argumentaram sofrer ameaças no Brasil e, por isso, pediram asilo nos Estados Unidos. Mas, nesses casos, o processo pode se arrastar por meses, como o de uma mãe que está detida no Texas e espera definição sobre seu caso desde março. Seu filho, de sete anos, ficou em um abrigo por semanas, até ser entregue ao pai, que mora nos EUA.
"Nunca vi uma mãe em situação semelhante de estresse", afirmou Brian Griffey, pesquisador da Anistia Internacional, que acompanha o caso da brasileira. "Ela está acabada. Em 30 segundos que começamos a conversar, ela se debulhou em lágrimas."
Os consulados do Brasil acompanham os casos e dizem estar intercedendo para ajudar a reunir as famílias o mais rápido possível, muitas vezes, auxiliando na tradução de documentos. Em nota, o Itamaraty já afirmou que a separação de crianças é "uma prática cruel" e cobrou o governo dos EUA a agir para reunir as famílias o mais rápido possível.
 
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