O anúncio feito pelo Hospital da Criança Conceição (HCC), na tarde desta segunda-feira (11), de fechamento temporário da emergência pediátrica em função da falta de leitos, acendeu o sinal vermelho quanto à crise que as instituições de saúde de Porto Alegre enfrentam no atendimento infantil.
Depois de informar a dificuldade de receber novos pacientes por falta de vagas, o HCC conseguiu retomar os atendimentos à 1h desta terça-feira (12) graças à adoção de medidas emergenciais, com a abertura de oito leitos. Mas a medida resolve temporariamente um problema crônico, que tende a se agravar nas próximas semanas. Com a entrada do outono, aumentam consideravelmente os casos de doenças respiratórias entre as crianças e, com isso, a busca por atendimento médico.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que, além das vagas no HCC, está em negociação com a Santa Casa para reativar 16 leitos. Em um prazo de 15 dias, deverão ser abertos mais sete leitos pediátricos no Hospital Restinga e Extremo Sul e 20 leitos de enfermaria no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas. No mês de maio, está prevista a abertura de uma emergência pediátrica no Hospital Vila Nova. A orientação é que, em casos casos de menor gravidade, os usuários busquem alguma das 132 unidades de saúde, evitando a superlotação da rede hospitalar.
A pasta diz que o esforço é permanente e conjunto com os hospitais da Capital para resolver a situação, que se agravou com a redução de oferta de leitos pediátricos pelo SUS nos últimos anos.
A SMS cita o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), que aponta a existência de 389 leitos pediátricos e 105 leitos de UTI pediátrica pelo SUS em Porto Alegre em fevereiro de 2018. Quatro anos depois, em fevereiro de 2022, o CNES contabiliza 293 leitos pediátricos e 84 leitos de UTI pediátrica, uma redução significativa. "A redução da oferta deveu-se, especialmente, ao fechamento do setor Materno-Infantil do Hospital São Lucas da PUC, e à redução da oferta do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Santa Casa", diz a nota divulgada pela pasta.
Simers pede reforço no atendimento pediátrico para enfrentar a alta demanda
Sindicato lançou a campanha SOS - Emergência Pediátrica nesta terça-feira
Simers/Divulgação/JC/
O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcos Rovinski, pede às instituições de saúde, que estão com superlotação no atendimento pediátrico, que ampliem a oferta de leitos e contratem mais pediatras para dar conta da alta demanda deste momento. “Precisamos fazer todos os esforços públicos e privados para atender a grande procura por atendimento de crianças que sofrem com doenças respiratórias, processo agravado pela queda das temperaturas e retorno ao convívio presencial nas escolas", explicou o presidente do Simers durante o lançamento da campanha SOS - Emergência Pediátrica, nesta terça-feira, 12, na sede da entidade.
Rovinski argumenta que a situação em Porto Alegre piorou com o fechamento do atendimento materno infantil na PUC, há dois anos, e a transferência de tratamento para o hospital materno infantil Presidente Vargas (HPV). Naquela época, as equipes de pediatria foram desmobilizadas porque o momento era de priorização aos casos da Covid-19. Agora, tanto o HPV como outras instituições de saúde precisam se reestruturar para garantir o atendimento com a contratação de pediatras, a partir de valorização adequada, e bom ambiente de trabalho. Na noite passada, as emergências pediátricas do Hospital da Criança Conceição e Presidente Vargas tinham mais de 50 crianças, em cada, há espera de atendimento.
O presidente do Simers destaca, ainda, que a prefeitura da Capital promete socorro pediátrico no hospital Vila Nova, na zona sul da Capital. Para o próximo mês, a informação é que o Hospital da Criança Santo Antônio, no complexo da Santa Casa, sinaliza com a ampliação do atendimento e a contratação de mais médicos pediatras.
A Campanha tem como objetivo alertar sobre a crise no atendimento pediátrico em Porto Alegre e na Região Metropolitana, agravada com o fechamento/redução dos serviços de pediatria, assim como redução de leitos de UTI em instituições de saúde. Também para buscar alternativas para que o atual quadro seja alterado. A entidade seguirá monitorando de perto o assunto, contactando com autoridades e gestores das instituições de saúde para melhorar o atendimento à população e adotará novas ações dentro da Campanha SOS – Emergência Pediátrica.
Também participaram da coletiva de imprensa de lançamento da Campanha SOS – Emergência Pediátrica, os diretores da entidade médica e pediatras: Anice Metzdorf, Guilherme Peterson e Daniel Wolff.


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