Porto Alegre, sexta-feira, 19 de março de 2021.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 19 de março de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

clima

- Publicada em 13h28min, 19/03/2021. Atualizada em 14h21min, 19/03/2021.

Estiagem ainda persiste em parte do outono

Chegada do outono não significa que o calor fica para trás

Chegada do outono não significa que o calor fica para trás


aires mariga/divulgação/jc
Neste sábado (20), às 6h38min, começa o outono. A estação inicia com o Oceano Pacífico ainda sob a influência do fenômeno La Ninã, entretanto, já em processo de enfraquecimento. A MetSul Meteorologia informa que de acordo com os dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), estima uma probabilidade de 60% de o Oceano Pacífico passar de La Niña para uma condição de neutralidade no decorrer da nova estação.
Neste sábado (20), às 6h38min, começa o outono. A estação inicia com o Oceano Pacífico ainda sob a influência do fenômeno La Ninã, entretanto, já em processo de enfraquecimento. A MetSul Meteorologia informa que de acordo com os dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), estima uma probabilidade de 60% de o Oceano Pacífico passar de La Niña para uma condição de neutralidade no decorrer da nova estação.
O outono marca a expectativa pela chegada do frio, mas o começo da estação normalmente ainda tem características térmicas por vezes de verão. A chegada do outono não significa que o calor fica para trás, adverte a MetSul. Alguns dias quentes são normais em abril e maio e devem ocorrer agora em 2021. Mesmo em junho podem ser esperados alguns dias quentes e deve ser o caso também desse ano. Quando há período quente mais prolongado em maio após dias frios há a ocorrência do chamado veranico de maio, mas ele não ocorre todos os anos.
A MetSul espera um outono com predomínio de dias agradáveis com temperatura próxima ou acima das médias históricas na maior parte da estação. Os episódios de frio tendem a ser mais pontuais, eventualmente fortes. Uma vez que a estação começa com La Niña, existe a chance de algum episódio de frio intenso mais cedo. Mesmo a neve é um fenômeno que não se pode afastar ocorra mais cedo em 2021, a despeito de somente em curtíssimo prazo ser possível prever.
A tendência, entretanto, é que não ocorra frio persistente ou prolongado em grande parte deste outono. O outono, em regra, possui três períodos. No primeiro, até o fim da primeira quinzena de abril, costumam prevalecer as marcas mais elevadas nos termômetros com períodos esporádicos de calor mais forte.
Na segunda metade de abril se dá o segundo, quando a frequências de dias amenos ou frios aumenta e já podem ocorrer, dependendo do ano, até algumas noites com geada. Este período perdura até a metade de maio, quando tem início o terceiro com características climáticas já próximas daquelas observadas no inverno.
Outra marca do outono é a grande diferença de temperatura da noite para o dia. “Trata-se de um dos períodos do ano com maior amplitude térmica e que também proporciona um aumento nos dias de nevoeiro, especialmente a partir de maio”, destaca a meteorologista Estael Sias.
Com frequência, sob condições de céu limpo e ar seco, a temperatura pode variar até 20ºC ou mais no mesmo dia, o que força o uso de roupas mais pesadas no começo da manhã e vestuário mais leve no período da tarde. O Oeste e o Sul do Estado têm maior propensão a sofrer influência de massas de ar frio durante a estação. Comum no outono é a ocorrência de bruscas mudanças de temperatura. “Muitas vezes na estação frentes frias avançam e as marcas nos termômetros que podem estar acima de 30ºC imediatamente antes da chegada da frente podem cair para valores abaixo de 10ºC em poucas horas”, destaca Estael Sias.
Estas mudanças não raras são acompanhadas de vento forte do quadrante Oeste, do tipo Minuano, quando da presença de um ciclone mais intenso no Atlântico. O vento forte costuma vir com ciclones extratropicais (sistemas de baixa pressão), fenômeno que se torna mais frequente justamente a partir do outono e que impulsiona o ar polar para o Sul do Brasil.
As rajadas costumam variar, em média, entre 50 e 100 km/h, dependendo do posicionamento do sistema de baixa pressão. Em alguns casos mais extremos, as rajadas ultrapassam 100 km/h no Sul e no Leste gaúcho com fortes ressacas do mar na costa.
O outono caracteriza-se ainda por uma mudança no regime de chuva. Enquanto no verão as precipitações se originam mais de nuvens carregadas que se formam pelo calor e a umidade alta, a partir do outono a chuva passa a ter como causa principal a passagem de frentes frias e centros de baixa pressão. Em junho, não raro, se produz a atuação de frentes quentes, muito menos comuns aqui que as frentes frias e que quando ocorrem trazem altos volumes de chuva e ainda temporais com muitos raios e, principalmente, granizo.
O outono é a época do ano com menor frequência de temporais no Rio Grande do Sul, mas esses ocorrem em qualquer época do ano. Tempestades ocorrem no outono quando há bruscas trocas de massas de ar e podem ser até muito severas e com danos, inclusive com histórico de tornados, especialmente quando da passagem de frentes frias fortes associadas a ciclones extratropicais. Frentes quentes, especialmente em junho, igualmente costumam gerar tempestades,
Quanto à chuva, observam os meteorologistas da MetSul, a expectativa é que o outono deste ano seja marcado por precipitações irregulares com períodos chuvosos e outros mais longos de tempo seco. A maior parte da estação deve ter chuva abaixo da média, entretanto abril pode ser um mês mais chuvoso. O fato de, no geral, não se esperar uma estação chuvosa não significa que esteja afastado o risco de episódios pontuais de chuva volumosa e excessiva com altos acumulados, mas em curto período.
Os volumes e a frequência da chuva tendem a aumentar à medida que se aproximar o inverno, quando cresce a possibilidade de eventos pontuais de chuva com volumes muito altos, mas neste ano existe o risco de junho não ser um mês de elevados volumes de chuva, como normalmente ocorreria pela climatologia histórica. Junho é o mês, por exemplo, que tem a maior média de chuva entre todos em Porto Alegre no calendário anual.
Comentários CORRIGIR TEXTO