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Coronavírus

- Publicada em 20h48min, 18/01/2021.

Com mais de 5 milhões de profissionais de saúde, Brasil não define quais deles receberão a vacina primeiro

Brasil precisaria de dez milhões de doses do imunizante para atender a demanda, mas não haverá vacina suficiente

Brasil precisaria de dez milhões de doses do imunizante para atender a demanda, mas não haverá vacina suficiente


Yui Mok/POOL/AFP/JC
Diante da escassez de vacinas contra Covid-19 nesta primeira etapa da imunização, que começou no domingo (17), pesquisadores e dirigentes de entidades de saúde defendem que os profissionais da área que estão na linha de frente de enfrentamento da pandemia sejam priorizados, a exemplo do que ocorre em países que saíram à frente na vacinação. O Plano Nacional de Vacinação ainda não definiu, dentre os profissionais da saúde, quais serão os primeiros vacinados.
Diante da escassez de vacinas contra Covid-19 nesta primeira etapa da imunização, que começou no domingo (17), pesquisadores e dirigentes de entidades de saúde defendem que os profissionais da área que estão na linha de frente de enfrentamento da pandemia sejam priorizados, a exemplo do que ocorre em países que saíram à frente na vacinação. O Plano Nacional de Vacinação ainda não definiu, dentre os profissionais da saúde, quais serão os primeiros vacinados.
Uma análise divulgada nesta segunda-feira (18) pela Rede de Pesquisa Solidária, que reúne mais de cem pesquisadores de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a da Fiocruz, calcula que no País existam cerca de cinco milhões profissionais da saúde. Ou seja, serão necessárias dez milhões de doses para a cobertura vacinal de toda a força de trabalho na saúde. "A meta deve ser a vacinação em massa de todos os profissionais de saúde, mas as doses inicialmente previstas não serão suficientes. Como não há diretrizes nem planejamento, algumas categorias se sentem favoritas, querem furar a fila", diz o professor da USP e autor da análise, Mario Scheffer.
Segundo Scheffer, não existem estimativas precisas do número de trabalhadores da saúde no Brasil. Na análise, ele utilizou quatro fontes de dados para estimar essa população. Se forem contabilizados apenas os vínculos formais (carteira de trabalho assinada), por exemplo, o Brasil tem cerca de 5,6 milhões de pessoas ocupadas em atividades públicas e privadas de atenção à saúde.
No entanto, o pesquisador diz que o número é impreciso porque sobrepõe quem tem mais de um emprego (algo comum na área da saúde) e ao mesmo tempo desconsidera os arranjos de trabalho precários, temporários e autônomos, cada vez mais frequentes nos subsetores público e privado da saúde. "A vacinação baseada em comprovante de contrato formal de trabalho deixaria de fora parcela significativa dos trabalhadores da saúde", afirma.
Para ele, devem receber a vacina não apenas aqueles que atuam em hospitais com terapia intensiva, atendimentos de urgência e triagem de pacientes, mas também os trabalhadores da atenção primária e ambulatorial, da vigilância em saúde, dos cuidados de longa duração, os que dispensam medicamentos, acompanham pacientes idosos e doentes crônicos, que trabalham em consultórios médicos, hemocentros, ambulâncias e unidades móveis. Há ainda os agentes comunitários, prestadores de atendimento domiciliar, funcionários e voluntários de organizações não governamentais e de equipamentos de assistência social que assistem doentes e populações vulneráveis à Covid-19. "É preciso incluir também quem trabalha em atividades administrativas, de recepção, segurança, limpeza, transporte de pacientes e cadáveres, alimentação, lavanderia e outras áreas de apoio aos serviços de saúde."
Scheffer explica que vários países têm usado a hierarquização de riscos, de acordo com o local e tipo do trabalho, para fazer as escalas de vacinação. No Reino Unido e nos Estados Unidos, por exemplo, foram priorizados trabalhadores da saúde que se encaixam em pelo menos um de três critérios: maior grau de exposição ocupacional, maior risco de transmissão a pacientes ou colegas de trabalho e nível de risco individual para desenvolver a Covid-19 com gravidade.
Há recomendações de preferência para o trabalhador da saúde que tem idade avançada ou é portador de doença preexistente. Tendem a ser prioritários ainda os profissionais que têm maior risco de infectar indivíduos suscetíveis, por trabalharem em serviços que atendem idosos e pacientes com comorbidades que impactam no agravamento da Covid-19.
Segundo a presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Suzana Lobo, a prioridade deve ser de quem está de fato na linha de frente de toda a jornada do paciente com Covid-19. "Isso envolve quem atende nas unidades básicas de saúde, o motorista, o enfermeiro, o técnico. E, nas emergências, todo o pessoal que atende, inclusive quem faz o transporte e a limpeza, além de todos os profissionais das enfermarias e das UTIs de Covid."
Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, seria importante que houvesse uma categorização de profissionais para os que estão na linha de frente da pandemia sejam os primeiros beneficiados. "Aqueles que estão afastados poderiam vir numa segunda ou terceira leva. Tem que ser melhor hierarquizado. Se isso não for feito, vai ter briga na fila", diz ele.
De acordo com a análise de Scheffer, estudos mostram que quem atua na linha de frente do tratamento apresenta risco de três a quatros vezes maior de teste positivo para Covid-19 do que a população em geral. Além de infecções e mortes, é alta a prevalência de estresse, ansiedade e depressão entre aqueles que assistem pacientes com a doença.
Ele lembra também que, além do número de profissionais, no planejamento da vacinação é imprescindível definir a sua localização. Três estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) concentram, juntos, 51% dos médicos, 50% dos dentistas e 44% dos enfermeiros do país. "As campanhas de vacinação e a logística de distribuição dos insumos devem considerar as características definidoras do perfil e da oferta da força de trabalho em saúde no País.
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